Edição 1948 . 22 de março de 2006

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Carta ao leitor
Sem sustos na economia

 
Paulo Liebert/AE
Lula e Alckmin: sem salvacionismo

Neste mesmo espaço, VEJA publicou na edição de 9 de maio de 2001 uma idéia do então ministro da Fazenda, Pedro Malan. Ele aconselhava os pré-candidatos à Presidência da República a sinalizar seu compromisso com a estabilidade econômica. "Seria bom que os principais pré-candidatos à Presidência dessem uma clara mensagem sobre seus compromissos, como o controle da inflação e das contas fiscais", disse Malan. VEJA registrou a exortação de Malan sob o título "Uma utopia realizável". É com enorme satisfação que se constata que o que parecia utópico um ano e meio antes da eleição presidencial de 2002 se tornou realidade às portas do pleito de 2006.

Com a definição do quadro de candidatos viáveis, os eleitores brasileiros terão a chance em 1º de outubro próximo de, pela primeira vez, votar sem medo de que irrompa das urnas um tsunami político de imprevisíveis conseqüências para os rumos do país. Uma reportagem da presente edição compara o ambiente econômico em 2002 com o de 2006. O que se revela é que ninguém teme agora o risco de guinada econômica em direção ao desconhecido, medo que tisnou a campanha que alçou Lula ao Planalto, levando o dólar e os indicadores de risco-país a alturas desestabilizadoras.

Os dois candidatos com chance de vencer neste ano, Lula e Alckmin, diferenciam-se apenas ligeiramente no compromisso com os padrões civilizados da prática política e na adesão à linguagem universal da democracia sustentada pela economia de mercado. Idealmente, o que o eleitor julgará neles durante a campanha não é a coragem de usar o vale-tudo para afundar o oponente em denúncias, mas as demonstrações claras de eficiência como gestor da máquina pública. Os brasileiros, em outubro, não serão tentados a sucumbir a promessas salvacionistas ou às ideologias lisérgicas do passado. Sob esse ponto de vista, não seria exagero dizer que a eleição presidencial deste ano está ganha.

 
 
 
 
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