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Carta ao leitor Sem
sustos na economia Paulo
Liebert/AE
 | | Lula
e Alckmin: sem salvacionismo |
Neste mesmo
espaço, VEJA publicou na edição de 9 de maio de 2001 uma
idéia do então ministro da Fazenda, Pedro Malan. Ele aconselhava
os pré-candidatos à Presidência da República a sinalizar
seu compromisso com a estabilidade econômica. "Seria bom que os principais
pré-candidatos à Presidência dessem uma clara mensagem sobre
seus compromissos, como o controle da inflação e das contas fiscais",
disse Malan. VEJA registrou a exortação de Malan sob o título
"Uma utopia realizável". É com enorme satisfação que
se constata que o que parecia utópico um ano e meio antes da eleição
presidencial de 2002 se tornou realidade às portas do pleito de 2006.
Com a definição do quadro de candidatos viáveis, os eleitores
brasileiros terão a chance em 1º de outubro próximo de, pela
primeira vez, votar sem medo de que irrompa das urnas um tsunami político
de imprevisíveis conseqüências para os rumos do país.
Uma reportagem da presente edição compara o ambiente econômico
em 2002 com o de 2006. O que se revela é que ninguém teme agora
o risco de guinada econômica em direção ao desconhecido, medo
que tisnou a campanha que alçou Lula ao Planalto, levando o dólar
e os indicadores de risco-país a alturas desestabilizadoras.
Os dois candidatos com chance de vencer neste ano, Lula e Alckmin, diferenciam-se
apenas ligeiramente no compromisso com os padrões civilizados da prática
política e na adesão à linguagem universal da democracia
sustentada pela economia de mercado. Idealmente, o que o eleitor julgará
neles durante a campanha não é a coragem de usar o vale-tudo para
afundar o oponente em denúncias, mas as demonstrações claras
de eficiência como gestor da máquina pública. Os brasileiros,
em outubro, não serão tentados a sucumbir a promessas salvacionistas
ou às ideologias lisérgicas do passado. Sob esse ponto de vista,
não seria exagero dizer que a eleição presidencial deste
ano está ganha. |