Edição 1 641 - 22/3/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Leão Lobo virou o terror dos artistas
Papagaio salva o programa de Ana Maria Braga
Deus, o Diabo e Bob causa polêmica nos EUA
O ranking das palavras universais
Stephen King lança livro na internet
Shows para imigrante brasileiro matar a saudade
As imagens de Cristo em várias épocas
Colunas
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Veja recomenda
Lista de mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

O som brazuca

Artistas ganham um extra fazendo
shows para imigrantes brasileiros

Sérgio Martins

 
Fotos: divulgação
VINNY

Onde tocou recentemente:
Nagano (Japão)
Quanto cobra no Brasil:
12 000
reais por show

Quanto cobra no exterior:
8 000
dólares por show

Sempre que um cantor brasileiro se apresenta no exterior, grande parte de seu público é formada por imigrantes pátrios matando saudades da terrinha. A maioria dos artistas da chamada MPB, no entanto, não gosta de admitir isso. Eles preferem declarar, em entrevistas, que estão fazendo sucesso com os gringos, a exemplo dos artistas da bossa nova os únicos que realmente decolaram lá fora pela simples e boa razão de que cantavam em inglês. Agora, surgiu uma turma que faz shows para imigrantes brasileiros e não tem vergonha disso. Gente como o roqueiro Vinny, os pagodeiros do Exaltasamba e a dupla funk Claudinho & Buchecha estão investindo no filão dos imigrantes. Eles se apresentam num circuito cujas cidades principais são Boston e Nova York, onde se concentram os famosos "brazucas" dos Estados Unidos, e os subúrbios de Tóquio, no Japão, onde reinam os "dekasseguis". Existem nesses lugares várias casas noturnas destinadas a estrangeiros sem muito dinheiro, como o Melao (assim mesmo, sem til), situado no bairro nova-iorquino do Queens, que tem uma grande população latina. Para agradar a seu público, a boate serve uma espécie de caipirinha sintética à base de extrato de limão e mantém um grupo de pagode local para abrir os shows. Às vezes, a atração principal vem do México ou da Colômbia, para atender a outras colônias do bairro. "Quando isso acontece, troco os pagodeiros por uma turma de mariachis", diz Carmine Polito, um dos donos do lugar.


EXALTASAMBA

Onde tocou recentemente:
Buenos Aires
Quanto cobra no Brasil:
15 000 reais por show

Quanto cobra no exterior:
10 000 dólares por show

Os artistas requisitados para esse tipo de show são aqueles do extrato mais popular, de preferência os que estão em entressafra no Brasil. Com isso, não inflacionam os cachês. Em geral, cobram o equivalente em dólar de seu preço nacional (veja quadros). Para esses grupos, que não têm a mínima pretensão de fazer carreira internacional, tocar lá fora é uma forma de ganhar dinheiro como qualquer outra com a vantagem de que são tietados como em seus tempos de vacas gordas. "O público, formado por trabalhadores de cidades como Governador Valadares, costuma ir às lágrimas depois de cada apresentação", conta o empresário Cláudio Barbosa. Ele é o dono da Brazilian Network Inc., agência especializada em promover turnês para imigrantes em Nova York, Nova Jersey e Boston. Além do cachê, os organizadores fornecem as passagens e o hotel. Para diminuir custos, as excursões são do tipo bate-e-volta. "Uma das poucas coisas que lembro do Japão é o banheiro do hotel", lamenta o cantor Vinny. Quando dá tempo, os artistas fazem um city-tour caso do grupo Exaltasamba, que posou para fotos no famoso Caminito de Buenos Aires, etapa que serviu de preparação para a sua turnê americana. Não são apenas músicos que estão faturando nesse mercado. O ator Raul Gazolla foi ao Japão apresentar um concurso de karaokê para brasileiros e Luiza Ambiel, a ex-garota da banheira do Gugu, deu um banho em alguns dekasseguis durante um show em Tóquio.