O som brazuca
Artistas
ganham um extra fazendo
shows para
imigrantes brasileiros
Sérgio
Martins
Fotos: divulgação

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VINNY
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Onde
tocou recentemente:
Nagano
(Japão)
Quanto
cobra no Brasil:
12 000 reais por show
Quanto cobra
no exterior:
8 000 dólares por show
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Sempre que um cantor
brasileiro se apresenta no exterior, grande parte de seu
público é formada por imigrantes pátrios
matando saudades da terrinha. A maioria dos artistas da
chamada MPB, no entanto, não gosta de admitir isso.
Eles preferem declarar, em entrevistas, que estão
fazendo sucesso com os gringos, a exemplo dos artistas da
bossa nova –
os únicos que realmente decolaram lá fora
pela simples e boa razão de que cantavam em inglês.
Agora, surgiu uma turma que faz shows para imigrantes brasileiros
e não tem vergonha disso. Gente como o roqueiro Vinny,
os pagodeiros do Exaltasamba e a dupla funk Claudinho &
Buchecha estão investindo no filão dos imigrantes.
Eles se apresentam num circuito cujas cidades principais
são Boston e Nova York, onde se concentram os famosos
"brazucas" dos Estados Unidos, e os subúrbios de
Tóquio, no Japão, onde reinam os "dekasseguis".
Existem nesses lugares várias casas noturnas destinadas
a estrangeiros sem muito dinheiro, como o Melao (assim
mesmo, sem til), situado no bairro nova-iorquino do Queens,
que tem uma grande população latina. Para
agradar a seu público, a boate serve uma espécie
de caipirinha sintética –
à base de extrato de
limão –
e mantém um grupo de pagode local para abrir os shows.
Às vezes, a atração principal vem do
México ou da Colômbia, para atender a outras
colônias do bairro. "Quando isso acontece, troco os
pagodeiros por uma turma de mariachis", diz Carmine Polito,
um dos donos do lugar.
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EXALTASAMBA
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Onde
tocou recentemente:
Buenos Aires
Quanto cobra no Brasil:
15 000 reais por show
Quanto
cobra no exterior:
10
000 dólares por show
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Os artistas requisitados
para esse tipo de show são aqueles do extrato mais
popular, de preferência os que estão em entressafra
no Brasil. Com isso, não inflacionam os cachês.
Em geral, cobram o equivalente em dólar de seu preço
nacional (veja quadros). Para esses grupos, que não
têm a mínima pretensão de fazer carreira
internacional, tocar lá fora é uma forma de
ganhar dinheiro como qualquer outra –
com a vantagem de que são
tietados como em seus tempos de vacas gordas. "O público,
formado por trabalhadores de cidades como Governador Valadares,
costuma ir às lágrimas depois de cada apresentação",
conta o empresário Cláudio Barbosa. Ele é
o dono da Brazilian Network Inc., agência especializada
em promover turnês para imigrantes em Nova York, Nova
Jersey e Boston. Além do cachê, os organizadores
fornecem as passagens e o hotel. Para diminuir custos, as
excursões são do tipo bate-e-volta. "Uma das
poucas coisas que lembro do Japão é o banheiro
do hotel", lamenta o cantor Vinny. Quando dá tempo,
os artistas fazem um city-tour –
caso do grupo Exaltasamba,
que posou para fotos no famoso Caminito de Buenos Aires,
etapa que serviu de preparação para a sua
turnê americana. Não são apenas músicos
que estão faturando nesse mercado. O ator Raul Gazolla
foi ao Japão apresentar um concurso de karaokê
para brasileiros e Luiza Ambiel, a ex-garota da banheira
do Gugu, deu um banho em alguns dekasseguis durante um show
em Tóquio.