Deus doidão
O Todo-Poderoso vira hippie em desenho americano
Marcelo Marthe
Ilustrações Cortesia
Carsey/Warner/NBC
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Deus: cervejinha
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O Diabo: sacrilégio
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Bob: pornografia
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Deus é um bicho grilo à imagem e semelhança
de Jerry Garcia, roqueiro que liderava o grupo Grateful
Dead. Pior: sempre de óculos escuros e chegado numa
cervejinha, Ele elegeu um operário que se amarra
em pornografia, de nome Bob, para salvar a Terra. Com esse
mote politicamente incorretíssimo, o desenho animado
God, the Devil and Bob ("Deus, o Diabo e Bob") estreou
nos Estados Unidos sob fogo cerrado. O primeiro episódio,
exibido dia 9, foi boicotado por nove afiliadas da rede
de televisão NBC, que o consideraram ofensivo e de
mau gosto. Cristãos fundamentalistas lotaram sites
da internet com sermões sobre as supostas blasfêmias
do desenho humorístico. Tal cruzada, obviamente,
está surtindo o efeito oposto. O autor da história,
Matthew Carlson, está rindo à toa. Antes mesmo
de passar pelo teste da audiência, seus personagens
ganharam notoriedade nos principais jornais e revistas do
país. "Fazemos rir com Deus, e não da cara
Dele", defende-se Carlson, um ex-seminarista cujo maior
feito até então fora produzir e escrever o
roteiro de alguns episódios do seriado Anos Incríveis,
no final dos anos 80. De acordo com a revista Time,
é muito barulho por um conteúdo pífio.
Perto de concorrentes como o corrosivo South Park,
no qual Jesus virou um apresentador de TV esquisitão,
a nova série parece ser um programa suave. Até
a cervejinha consumida por Deus, dublado pelo ator James
Garner, é light.