Edição 1 641 - 22/3/2000

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Deus doidão

O Todo-Poderoso vira hippie em desenho americano

Marcelo Marthe

 
Ilustrações Cortesia Carsey/Warner/NBC


Deus: cervejinha

O Diabo: sacrilégio

Bob: pornografia

Deus é um bicho grilo à imagem e semelhança de Jerry Garcia, roqueiro que liderava o grupo Grateful Dead. Pior: sempre de óculos escuros e chegado numa cervejinha, Ele elegeu um operário que se amarra em pornografia, de nome Bob, para salvar a Terra. Com esse mote politicamente incorretíssimo, o desenho animado God, the Devil and Bob ("Deus, o Diabo e Bob") estreou nos Estados Unidos sob fogo cerrado. O primeiro episódio, exibido dia 9, foi boicotado por nove afiliadas da rede de televisão NBC, que o consideraram ofensivo e de mau gosto. Cristãos fundamentalistas lotaram sites da internet com sermões sobre as supostas blasfêmias do desenho humorístico. Tal cruzada, obviamente, está surtindo o efeito oposto. O autor da história, Matthew Carlson, está rindo à toa. Antes mesmo de passar pelo teste da audiência, seus personagens ganharam notoriedade nos principais jornais e revistas do país. "Fazemos rir com Deus, e não da cara Dele", defende-se Carlson, um ex-seminarista cujo maior feito até então fora produzir e escrever o roteiro de alguns episódios do seriado Anos Incríveis, no final dos anos 80. De acordo com a revista Time, é muito barulho por um conteúdo pífio. Perto de concorrentes como o corrosivo South Park, no qual Jesus virou um apresentador de TV esquisitão, a nova série parece ser um programa suave. Até a cervejinha consumida por Deus, dublado pelo ator James Garner, é light.