Bolsa
A velha voltou
Notícia de inflação
controlada reaquece
ações de empresas tradicionais nos EUA
César Nogueira
AP
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| Festa na Bolsa de Nova York na
quinta-feira passada: alta recorde nos negócios
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O mundo econômico acompanhou a Bolsa de Nova York,
na semana passada, como quem assiste a uma disputa entre
campeões de basquete da NBA. De um lado, estava a
velha economia, representada pelo índice Dow Jones,
que registra o preço das ações de empresas
tradicionais, poderosas, assentadas sobre grandes estruturas
de produção e venda como General Motors, Alcoa
e Procter & Gamble. De outro, a Nasdaq, a jovem bolsa
em que estão as empresas de tecnologia e internet,
representantes do que vem sendo chamado de nova economia.
A surpresa da semana foi a reação da velha.
O índice Dow Jones vinha de uma campanha ruim, amargando
uma queda de quase 14% no ano. Recuperou boa parte dessa
perda, 8,3%, entre quarta e quinta-feira. A Nasdaq, por
sua vez, recuou 9,2% nos três primeiros dias, mas,
apesar do susto, terminou se recuperando. Neste ano já
acumula um crescimento de mais de 17%. Na disputa entre
as duas bolsas, o vigor da recuperação de
Dow Jones teve o sabor de uma virada de jogo.
De fato houve uma virada. Mas foi no humor do mercado.
Os indicadores de preços, divulgados na semana passada
pelo Departamento de Comércio americano, mostram
a inflação sob controle, apesar de a economia
dos EUA continuar crescendo ininterruptamente há
nove anos. Alan Greenspan, presidente do banco central americano,
o Fed, tem sido um persistente crítico do que batizou
de "exuberância irracional" das bolsas, que poderia
fazer despertar a bruxa da inflação. O remédio
tradicional aplicado pelo Fed é a elevação
das taxas de juro, que afeta diretamente as empresas da
velha economia. Como nesta semana o Fed decide se a economia
está necessitando de correção e
já se sabe que a inflação, por enquanto,
não preocupa , quem acompanha o pensamento de Greenspan
está tranqüilo e aposta que a elevação
dos juros, se vier, será pequena, por volta de 0,25%.
A notícia repercutiu positivamente sobre o índice
Dow Jones.
O comportamento desencontrado das duas bolsas nos últimos
meses tem revelado um fenômeno curioso sobre o qual
os analistas ainda estão debruçados. Os investidores
em ações de empresas da velha economia são
bastante sensíveis aos instrumentos usuais de controle
do governo americano. Quando os juros sobem, a economia
esfria e os investidores passam a desconfiar de que as empresas
nas quais investem possam ter prejuízo. Para evitar
perdas, saem da bolsa, o que derruba a cotação
das ações. Quem investe em ações
de companhias da nova economia não tem o mesmo reflexo.
Essa gente anda tão alucinada com os lucros obtidos
na Nasdaq algumas ações chegaram a se valorizar
mais de 800% no último trimestre do ano passado
que tem dado de ombros para os pitos de Greenspan. Há
americanos empenhando a casa e se endividando para apostar
na Nasdaq. "Existe uma febre de internet que passa por cima
de quase tudo", diz Mauro Schneider, economista do banco
Barings em São Paulo. Se quiser esfriar essa febre,
Greenspan terá de bater mais forte. Em seu arsenal
está a possibilidade de proibir que empresas e investidores
individuais tomem dinheiro emprestado para aplicar em ações.
Tentado pelos analistas a usar esse mecanismo, Greenspan,
até a semana passada, resistia.