Edição 1 641 - 22/3/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Metrô de Atenas desenterra tesouros milenares
No Vale do Silício sobra dinheiro e falta mulher
Todos querem ser parentes de Pedro Álvares Cabral
Depois dos Pokémons, vêm aí os Digimons
Cresce o número de viajantes da terceira idade
A minivan caiu no gosto dos brasileiros
As grandes montadoras voltam à Fórmula 1
Rio Grande do Sul é celeiro de top models
Dieta rigorosa estimula compulsão alimentar
São as mulheres que pedem a separação do casal
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Veja recomenda
Lista de mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Lá vêm os Digimons

Pais, preparem-se: saiu uma nova safra
com mais de 400 bichos de nomes
esquisitos que vai estrear na TV

Monica Gailewitch

As crianças e os Digimons: os monstrinhos evoluem e ficam mais fortes para lutar contra seus arquiinimigos

Para pais e mães que se sentem o máximo depois de ter decorado o nome de uma dúzia de Pokémons (a família completa dos monstrinhos da TV tem mais de 400 personagens), um aviso: vai começar tudo outra vez. Vem aí Digimons. A mais nova série do gênero já conquistou o Japão, está invadindo os Estados Unidos e deve aterrissar no Brasil nos próximos meses, com exibição na Rede Globo. Apesar de serem todos monstros, os Digimons não são parentes dos Pokémons. Ao contrário. O desenho foi criado por uma empresa concorrente para pegar carona no sucesso dos amigos de Pikachu e destruí-los. O nome da série é uma corruptela de Digital Monsters, ou monstros digitais em português. A idéia é seduzir as crianças com uma história vivida num mundo digital, o DigiWorld. Os criadores dos Digimons, do grupo japonês Toei Animation, pretendem assim conseguir o mesmo sucesso, a mesma popularidade e, principalmente, o mesmo faturamento do rival. "Acredito que até o final do ano conseguiremos bater os Pokémons em audiência na TV, pois a imagem deles já está saturada e nossa qualidade é infinitamente superior", diz Mary Jo Winchester, vice-presidente da Cloverway, empresa americana que representa a Toei Animations para a América Latina.

Porter Novelli
Koromon vira Agumon

O episódio inicial dos Digimons começa com sete crianças que vão para um acampamento de verão e são inesperadamente transportadas para outro planeta, colorido e enigmático, o DigiWorld. Perdidas e desamparadas, elas são recebidas por pequenos monstrinhos, os Digimons. Cada criança acaba ficando responsável por um Digimon. Rapidamente eles se tornam parceiros inseparáveis e passam a lutar juntos para se defender dos inimigos. O maior deles é o Devimon, que quer dominar o DigiWorld. Como gesto de perversidade, ele transforma Digimons do bem em monstros perversos, que adquirem superpoderes malignos. Alguns lançam mísseis em forma de coração, outros disparam furacões e existem até aqueles que atiram cocô isso mesmo para tentar aniquilar seus adversários. Mas, para alívio dos baixinhos, que se afeiçoam às criaturinhas, a perversidade é reversível. Aliás, todos os Digimons são mutantes. Os bonzinhos têm a capacidade de "digievoluir", um termo criado pela própria série, e se tornar mais fortes quando sentem necessidade. Depois retornam à sua forma original. Ao contrário dos Pokémons, que apenas emitem ruídos, os Digimons falam. O objetivo das crianças é livrar o DigiWorld das ameaças do Devimon e encontrar o caminho de volta para casa.


Porter Novelli
Agumon vira Greymon


Evidentemente, qualquer semelhança com os Pokémons não é mera coincidência. Há universos de fantasia, monstrinhos mutantes e crianças precoces que lutam pelo bem. Em comum, nenhum dos dois desenhos apresenta batalhas ou mortes violentas e ambos pregam valores positivos como responsabilidade, espírito de cooperação e respeito pelos mais velhos. A fórmula parece não cansar. Como possuem inúmeros personagens, com personalidades e características diferentes, a criança acaba se identificando e se apegando a eles. Para os baixinhos não ficarem enfastiados, personagens inéditos vão sendo incorporados à série. Os pais terão de reservar um belo espaço na memória caso queiram guardar o nome de todos os bichinhos. Na fase atual do desenho, lá no Japão, os Digimons estão acrescentando mais 200 aos seus 206 personagens. Um número semelhante ao dos Pokémons.

Batalha comercial Os criadores do Digimo,n querem uma briga que não tem nada de infantil. A marca Pokémon, que surgiu no Japão há mais de três anos, já faturou 7 bilhões de dólares pelo mundo. Só no Brasil, desde sua chegada, em junho do ano passado, foram 40 milhões de dólares. A previsão nacional para este ano é de 200 milhões de dólares. O Digimon demonstra apetite semelhante. No Japão, eles já estão arrecadando o mesmo que os Pokémons: 400 milhões de dólares anuais. Nos Estados Unidos, desde setembro de 1999, o faturamento só com a venda dos produtos da marca Digimon foi de 75 milhões de dólares. A meta é chegar a 200 milhões ainda neste ano. No Brasil, seus criadores estimam que a venda de bugigangas vai ficar em torno de 100 milhões de dólares entre 2000 e 2001. A proximidade entre os objetivos dos dois grupos já fez com que os criadores dos Pokémons reagissem. Eles preparam o segundo filme da série para ser lançado aqui em dezembro. "O Pokémon demorou três anos para ser desenvolvido, não dá para comparar com uma cópia feita às pressas", argumenta Ana Maria Kasmanas, diretora comercial da Exim Licensing Group, agente de licenciamento dos Pokémons no Brasil.


Porter Novelli
Greymon vira Metal Greymon


A batalha de bastidores ganha ares de confronto nas telas de TV americanas. Lá, a série Digimon, apresentada pelo canal Fox Kids desde setembro de 1999, vem subindo mês a mês. Já alcança 4,5% de audiência, contra 7,2% da série Pokémon. É uma vantagem relativamente pequena se se levar em conta o pouco tempo que o desenho está no ar. Espera-se que a disputa também seja acirrada no Brasil. O desenho dos Pokémons, exibido pela TV Record, tem hoje uma belíssima média entre 8 e 12 pontos de audiência. A briga segue nas telas de cinema. O primeiro filme dos Pokémons arrecadou 56 milhões de dólares nos Estados Unidos na primeira semana de exibição. Há duas semanas, na estréia do filme dos Digimons no Japão, foram arrecadados 10 milhões de dólares, o que é um ótimo número para o mercado japonês. O longa-metragem dos Digimons deve ser lançado nos Estados Unidos em julho e no Brasil em dezembro, mesma época prevista para a estréia do filme Pokémon 2000.


Harmony Gold/Tatsunoko
Sipa Press
Divulgação/TV Manchete
Speed Racer, Pokémons, Cavaleiros do Zodíaco: séries japonesas que conquistaram o público brasileiro

Antigamente, o percurso de um desenho animado de sucesso era simples. Ele nascia como revista, ia para a televisão e eventualmente estampava uma série de produtos com a sua marca. Os desenhos animados japoneses criaram uma nova lógica. Os de maior sucesso nascem nos games eletrônicos. Depois vão para a televisão, para história em quadrinhos e viram filme. Simultaneamente emprestam o nome a todo tipo de bugiganga. O interesse por produções japonesas não é de hoje. Foi assim com os Power Rangers, Cavaleiros do Zodíaco, Tartarugas Ninja, Pokémons e, agora, com os Digimons. As crianças não deixam de assistir a clássicos da Disney ou Snoopy, que mantêm sua força intocada, mas cada vez mais ficam fascinadas pelas cores e tramas japonesas. O segredo do sucesso, afirmam os especialistas, é que as séries produzidas lá guardam semelhanças com a trama de uma novela. Há sempre muitos personagens envolvidos, com direito a drama, lutas, mocinhos, vilões e continuação dos episódios. É bom deixar claro que a febre que toma conta da criançada não se deve apenas ao carisma de monstrinhos ou de super-heróis. A estratégia de marketing que alavanca o sucesso é poderosíssima. As crianças não são fiéis a séries, e sim a modismos, que envolvem o fato de estar antenadas com os amiguinhos na escola. Elas não gostam de se sentir deslocadas e desatualizadas, por isso estão sempre atrás de novidades. É nisso que estão apostando os criadores dos Digimons.



Brinquedos proibidos


J. Miranda

Sempre que um desenho infantil vira febre, as empresas despejam no mercado uma enxurrada de brinquedos. Estudos recentes feitos nos Estados Unidos descobriram que uma substância química derivada do petróleo e presente em alguns desses bonecos pode causar danos aos rins e ao fígado dos ratos. Não há comprovação científica alguma de que essa substância tenha os mesmos efeitos em seres humanos. Mas, por precaução, a Comissão de Segurança de Produtos dos Estados Unidos pediu às empresas que parem de utilizar tal substância em mordedores para bebês, patinhos de borracha e outros brinquedos mastigáveis. A nova linha de produtos estará disponível até o final deste ano. A União Européia seguiu os passos das autoridades americanas e também proibiu o uso da substância nos brinquedos.

 

Saiba mais
Dos arquivos de VEJA
  Chegou o desenho que provoca convulsões
Da internet
  www.foxkids.com/digimon
  www.pokemon.com