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Televisão A
dona do mundo Commander in Chief
traz uma mulher como presidente americana
 Marcelo
Marthe Fotos
divulgação
 | | Commander,
com Geena Davis no centro: intrigas e diálogos cortantes |
No fim de um episódio recente
da série Commander in Chief, exibida pelo canal Sony, a presidente
americana Mackenzie Allen (Geena Davis) é flagrada na cozinha da Casa Branca,
onde devora cookies preparados por sua mãe. Ela comenta que, apesar dos
desafios do cargo pouco antes, debelara uma crise que quase levou os Estados
Unidos a uma guerra nuclear com a Coréia do Norte , começa
a sentir-se à vontade como mulher poderosa. "Só não conte
para o seu marido", brinca a mãe. Mackenzie é a mais nova presidente
dos seriados americanos. Ela se junta a Josiah Bartlet, o mandatário de
pavio curto de The West Wing, que está no ar desde 1999. Os dois
programas pretendem oferecer uma visão bem informada do que acontece no
Salão Oval e têm agradado até mesmo aos especialistas. "Há
uma dose de idealização, mas os programas são espertos",
disse a VEJA a cientista política Barbara Kellerman, da Universidade Harvard.
 | | O
presidente de West Wing: pavio curto |
A
idéia de uma presidente americana nunca foi tão verossímil.
A senadora democrata Hillary Clinton, mulher do ex-presidente Bill Clinton, e
a republicana Condoleezza Rice, secretária de Estado do atual governo Bush,
são sempre lembradas para disputar o cargo. Mackenzie papel que
rendeu o Globo de Ouro a Geena Davis não pertence a nenhum dos dois
grandes partidos americanos. Ela era a vice independente de um republicano que
só a escolheu para conquistar o voto feminino. Quando o mandatário
sofre um aneurisma, aconselha sua vice a renunciar. Ninguém anseia mais
que ela saia do caminho que o presidente da Câmara, Nathan Templeton, uma
raposa que o veterano Donald Sutherland interpreta com maestria. Depois que esse
último insinua que ela não está preparada para o cargo por
ser mulher, Mackenzie resolve assumir o que lhe é de direito. A trama explora
os efeitos que a sensibilidade feminina poderia surtir sobre a Presidência
americana. A primeira decisão da personagem é ordenar o resgate
de uma muçulmana condenada à morte por adultério num país
africano. Os diálogos são cortantes e refletem um conhecimento íntimo
e mundano dos bastidores da política de Washington.
Desde os primórdios dos Estados Unidos, no século XVIII, a Presidência
é um cargo cercado de mística. Seu ocupante é o esteio moral
e a liderança capaz de guiar a nação nos momentos difíceis.
Por outro lado, pela natureza do sistema político americano, o presidente
é apenas uma parte na engrenagem das instituições. Ele tem
seu poder delimitado pelo Congresso e pelo Judiciário e é obrigado
a respeitar a autonomia dos estados além, é claro, de domar
a burocracia. "Somente com grande destreza política e credibilidade
e se tiver a sorte de governar num momento histórico favorável
ele será capaz de liderar de fato", diz Barbara Kellerman. Em The West
Wing, é a mecânica do poder que está em foco. Commander
in Chief ressalta o papel de líder da presidente. Também capta
bem o transtorno familiar causado pela ascensão de Mackenzie. Seus filhos
ressentem-se do assédio da mídia e da ausência materna. E
o marido resiste ao figurino de primeiro-cavalheiro. Commander in Chief é
um sucesso de crítica, mas sua produção foi temporariamente
suspensa pela rede ABC por problemas de audiência. Na televisão,
não é preciso CPI para derrubar um governo. |