Edição 1944 . 22 de fevereiro de 2006

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Animais
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Entre aluguel, alimentação e cuidados,
os ursos pandas estão pondo os zoológicos
dos Estados Unidos em risco financeiro

 
AFP
Tai Shan, o filhote nascido em Washington, brinca na neve com a mãe: haja bambu

Tudo é único nos ursos pandas: a raridade da espécie em extinção, a graça hipnotizante de seus traços, a singular pelagem branca e preta com a famosa máscara em torno dos olhos, a peculiar dieta de bambus, os movimentos acrobáticos do corpo e até a pata de cinco dedos mais um "polegar" convergente. Adorados pelo público, os pandas são a glória de qualquer zoológico – mas também podem abrir um rombo nas finanças. Motivo: a China, único habitat dos pandas, não doa os bichos, como costumeiramente se acredita. Ao contrário, cede cada casal em sistema de leasing – e não sai nada barato. Nos Estados Unidos, pressionados pelos custos dessas beldades do mundo animal, os quatro zôos que alojam pandas, em Washington, San Diego, Atlanta e Memphis, acabam de se unir para renegociar em conjunto os termos dos contratos com a China. É nos Estados Unidos, justamente, que a conta do aluguel sai mais salgada: 1 milhão de dólares por ano por par de ursos, mais 1 milhão anual em doações para projetos de pesquisa e preservação nas reservas chinesas, mais 600.000 dólares toda vez que nasce um filhote. Juntem-se a isso os 38 quilos de bambu de uma espécie igualmente rara que cada panda consome por dia, mais as despesas de três funcionários exclusivos, cuidados de saúde e conservação da área, e o adorável urso vira, com perdão da comparação, o elefante branco do zoológico (os elefantes, aliás, são a segunda espécie mais custosa para as instituições). "Não se ganha dinheiro com eles depois do primeiro ano. Nem é para ganhar mesmo, mas ninguém imaginava que eles custassem tão caro", queixa-se Dennis Kelly, diretor do zoológico de Atlanta e líder da cruzada pela renegociação dos pandas.

Infelizmente, para Kelly e companhia, a China tem todas as cartas (ou ursos) na mão: só existem 1.600 animais remanescentes no país e menos de 200 em cativeiro. Para complicar, todos afetados por outra singularidade dos pandas, o apetite sexual enjoadíssimo, que torna sua reprodução um fenômeno acompanhado com emoção e ansiedade. Quando acontece, chega a causar comoção nacional, como ocorreu no zoológico de Washington, onde "Mei Xiang" teve seu primeiro filhote em julho passado, provocando filas enormes, árduas disputas pelos ingressos e unânimes "ohs" e "ahs" de encantamento a cada vez que "Tai Shan" dá o ar de sua suprema graça – na semana passada, ele saiu para brincar em sua primeira nevasca. Como os humanos também têm lá os seus caprichos, passado o impacto inicial a paixão vai arrefecendo e as visitas escasseiam. Os custos, claro, permanecem. Alguns são de arrancar os cabelos de qualquer administrador. O zoológico de Atlanta, por exemplo, precisa ter seis funcionários percorrendo permanentemente o estado da Geórgia para recolher o produto das plantações de bambu cuidadas por 400 agricultores voluntários. O zôo tentou produção própria, mas os destinatários, "Lun Lun" e "Yang Yang", refinados que são, não gostaram da safra local.

Fenômenos de mídia, os pandas, as áreas onde vivem, as câmeras que costumam conectá-los aos fãs pela internet 24 horas por dia, todos são patrocinados por grandes empresas interessadas em unir sua imagem à de animais tão populares. Apesar disso, os gastos superam muito a receita – exatamente 4 milhões de dólares entre 2000 e 2003, assim mesmo graças a quase 30 milhões em doações, nos quatro zoológicos americanos. Os contratos valem, em geral, por dez anos, menos para os filhotes. Estes, para desgosto geral dos fãs, devem ser devolvidos, aos 2 anos, ao seu isolado habitat numa única área montanhosa da China. Quanto aos adultos, depende da boa vontade dos donos. "Se não conseguirmos renegociar, vamos ter de devolver todos", ameaça Kelly. Até parece.

 

Alta manutenção

Eles são fofíssimos, sem dúvida, mas a conta sai cara. As despesas dos quatro zoológicos americanos que têm ursos pandas inc

1 milhão de dólares por ano em leasing pago à China  

1 milhão de dólares por ano em doações para pesquisas feitas em território chinês  

• Cardápio composto de 38 quilos de bambu por dia  

3 funcionários em período integral

 
 
 
 
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