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Animais Adoráveis,
populares e caríssimos Entre aluguel, alimentação
e cuidados, os ursos pandas estão pondo os zoológicos dos
Estados Unidos em risco financeiro AFP
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Shan, o filhote nascido em Washington, brinca na neve com a mãe: haja bambu
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Tudo é único nos ursos
pandas: a raridade da espécie em extinção, a graça
hipnotizante de seus traços, a singular pelagem branca e preta com a famosa
máscara em torno dos olhos, a peculiar dieta de bambus, os movimentos acrobáticos
do corpo e até a pata de cinco dedos mais um "polegar" convergente. Adorados
pelo público, os pandas são a glória de qualquer zoológico
mas também podem abrir um rombo nas finanças. Motivo: a China,
único habitat dos pandas, não doa os bichos, como costumeiramente
se acredita. Ao contrário, cede cada casal em sistema de leasing
e não sai nada barato. Nos Estados Unidos, pressionados pelos custos dessas
beldades do mundo animal, os quatro zôos que alojam pandas, em Washington,
San Diego, Atlanta e Memphis, acabam de se unir para renegociar em conjunto os
termos dos contratos com a China. É nos Estados Unidos, justamente, que
a conta do aluguel sai mais salgada: 1 milhão de dólares por ano
por par de ursos, mais 1 milhão anual em doações para projetos
de pesquisa e preservação nas reservas chinesas, mais 600.000 dólares
toda vez que nasce um filhote. Juntem-se a isso os 38 quilos de bambu de uma espécie
igualmente rara que cada panda consome por dia, mais as despesas de três
funcionários exclusivos, cuidados de saúde e conservação
da área, e o adorável urso vira, com perdão da comparação,
o elefante branco do zoológico (os elefantes, aliás, são
a segunda espécie mais custosa para as instituições). "Não
se ganha dinheiro com eles depois do primeiro ano. Nem é para ganhar mesmo,
mas ninguém imaginava que eles custassem tão caro", queixa-se Dennis
Kelly, diretor do zoológico de Atlanta e líder da cruzada pela renegociação
dos pandas. Infelizmente, para Kelly e companhia,
a China tem todas as cartas (ou ursos) na mão: só existem 1.600
animais remanescentes no país e menos de 200 em cativeiro. Para complicar,
todos afetados por outra singularidade dos pandas, o apetite sexual enjoadíssimo,
que torna sua reprodução um fenômeno acompanhado com emoção
e ansiedade. Quando acontece, chega a causar comoção nacional, como
ocorreu no zoológico de Washington, onde "Mei Xiang" teve seu primeiro
filhote em julho passado, provocando filas enormes, árduas disputas pelos
ingressos e unânimes "ohs" e "ahs" de encantamento a cada vez que "Tai Shan"
dá o ar de sua suprema graça na semana passada, ele saiu
para brincar em sua primeira nevasca. Como os humanos também têm
lá os seus caprichos, passado o impacto inicial a paixão vai arrefecendo
e as visitas escasseiam. Os custos, claro, permanecem. Alguns são de arrancar
os cabelos de qualquer administrador. O zoológico de Atlanta, por exemplo,
precisa ter seis funcionários percorrendo permanentemente o estado da Geórgia
para recolher o produto das plantações de bambu cuidadas por 400
agricultores voluntários. O zôo tentou produção própria,
mas os destinatários, "Lun Lun" e "Yang Yang", refinados que são,
não gostaram da safra local. Fenômenos
de mídia, os pandas, as áreas onde vivem, as câmeras que costumam
conectá-los aos fãs pela internet 24 horas por dia, todos são
patrocinados por grandes empresas interessadas em unir sua imagem à de
animais tão populares. Apesar disso, os gastos superam muito a receita
exatamente 4 milhões de dólares entre 2000 e 2003, assim
mesmo graças a quase 30 milhões em doações, nos quatro
zoológicos americanos. Os contratos valem, em geral, por dez anos, menos
para os filhotes. Estes, para desgosto geral dos fãs, devem ser devolvidos,
aos 2 anos, ao seu isolado habitat numa única área montanhosa da
China. Quanto aos adultos, depende da boa vontade dos donos. "Se não conseguirmos
renegociar, vamos ter de devolver todos", ameaça Kelly. Até parece.
Alta manutenção Eles
são fofíssimos, sem dúvida, mas a conta sai cara. As despesas
dos quatro zoológicos americanos que têm ursos pandas inc
• 1 milhão de dólares por ano em leasing pago à China
• 1 milhão de dólares
por ano em doações para pesquisas feitas em território chinês
• Cardápio composto de 38 quilos
de bambu por dia • 3 funcionários
em período integral | | |