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Educação As
escolas campeãs As duas mais bem
classificadas no ranking do Enem mostram o que dá certo no ensino:
bons professores e muitas horas de estudo
 Camila
Antunes Fotos
Oscar Cabral
 | Colégio
São Bento Posição
no ranking: 1º Onde fica: Rio de Janeiro Tipo de
escola: particular Investimento anual por aluno: 11 000 reais
Renda familiar dos estudantes: 8 000 reais por mês Formação
dos pais: ensino superior completo O que faz a diferença no
corpo docente: 80% dos professores possuem mestrado ou doutorado Carga
horária: oito horas (o dobro da das outras escolas), nas quais os estudantes
têm reforço da grade curricular tradicional Infra-estrutura:
boa sala de computadores e biblioteca com revistas estrangeiras |
Saiu um ranking
das escolas brasileiras que traz uma obviedade e uma surpresa. Trata-se do resultado
do Enem, o exame nacional do Ministério da Educação (MEC)
que mediu a qualidade do ensino médio em 22.000 escolas públicas
e privadas no país inteiro 96% do universo total. O ranking foi
produzido a partir das notas obtidas pelos 2,2 milhões de estudantes que
prestaram o exame. O campeão da lista é o colégio São
Bento, do Rio de Janeiro, fundado há 148 anos e que sempre emplacou seus
alunos nas primeiras colocações das carreiras mais disputadas no
vestibular. Não causa espanto, portanto, que também tenha se destacado
na prova do MEC. Já a escola que ficou com o segundo lugar no ranking nacional
a Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, também
do Rio de Janeiro chama atenção por pertencer à rede
pública, cujo resultado nesse tipo de exame tradicionalmente oscila entre
o ruim e o péssimo. O que explica parte do sucesso de duas escolas de origens
tão distintas é uma característica comum entre elas: ambas
contam com um quadro de professores de alto nível, uma raridade no ensino
médio brasileiro. No São Bento, 80% dos docentes têm mestrado
ou doutorado. Na Joaquim Venâncio, 70% dos professores apresentam essa formação.
O resultado do Enem reforça aí uma constatação para
a qual outras pesquisas já haviam apontado. "Um bom quadro de professores
faz toda a diferença no resultado acadêmico de uma escola", diz a
educadora Maria Helena Guimarães de Castro.
Outro fator que contribui para o desempenho das duas campeãs do Enem é
que elas oferecem uma jornada de estudos bastante superior ao turno de quatro
horas exigido pelo MEC: os alunos do São Bento e da Joaquim Venâncio
permanecem, em média, o dobro do tempo na escola oito horas diárias.
Esse é mais um quesito em que os colégios brasileiros vão
mal na comparação internacional. De acordo com um levantamento da
OCDE (organização que reúne as nações mais
industrializadas), os estudantes brasileiros permanecem em sala de aula apenas
a metade do tempo que ficam americanos e coreanos, cujas notas são bastante
superiores. Segundo os especialistas, esticar o período escolar é
prioritário para melhorar os resultados nacionais e as duas campeãs
do Enem são um exemplo disso. No São Bento, todos os estudantes
do ensino médio têm aulas aos sábados e os do 3º ano
passam o dia inteiro na escola, entre cursos de francês e reforço
na grade curricular tradicional. Na Joaquim Venâncio, os alunos assistem
a um curso de filosofia e têm aulas práticas de ciências em
um turno vespertino extra.  | Escola
Joaquim Venâncio Posição
no ranking: 2º Onde fica: Rio de Janeiro
Tipo de escola: pública Investimento anual por aluno:
4 000 reais Renda familiar dos estudantes: 900 reais por mês
Formação dos pais: ensino médio completo
O que faz a diferença no corpo docente: 70% dos professores possuem
mestrado ou doutorado Carga horária: oito horas (o dobro
da das outras escolas), nas quais os alunos têm aulas extras de filosofia,
artes e ciências Infra-estrutura: modernos laboratórios
de ciências |
O que também merece atenção no caso da escola Joaquim Venâncio
é que se trata de uma raridade na precária rede de educação
pública no Brasil. Além de um bem formado quadro de professores,
ela exibe modernos laboratórios de ciências e um computador para
cada três estudantes infra-estrutura que passa longe da rede pública
de ensino. O motivo para a vice-campeã no Enem ser tão diferente
das outras escolas públicas brasileiras é que ela pertence a um
seleto grupo de colégios técnicos sustentado com recursos do governo
federal. Por essa razão, fica dentro do complexo da Fundação
Oswaldo Cruz, centro de excelência em pesquisas na área de saúde.
Existem 121 escolas técnicas como a Joaquim Venâncio no Brasil, todas
elas com a dupla função de ensinar o currículo básico
do ensino médio e fornecer aos jovens formação profissionalizante.
Na prática, o orçamento de uma escola desse tipo é quatro
vezes maior do que o de um típico colégio público. Isso ajuda
a explicar o bom desempenho de tais instituições no Enem. Em São
Paulo, por exemplo, as dez escolas públicas que encabeçam a lista
são técnicas. Prova de que dispor de boas condições
físicas para o estudo que é outra qualidade comum às
melhores escolas do Enem também tem impacto positivo no resultado
acadêmico. O São Bento,
a Joaquim Venâncio e alguns poucos colégios destoam na lista do Enem
como exceções no meio de um resultado geral sofrível. A média
dos estudantes brasileiros no exame foi 47, em uma escala de zero a 100
nota que os reprovaria em qualquer classe escolar. A prova do MEC ainda joga luz
em outra questão: a diferença entre os alunos da rede pública
e os que vêm de escolas particulares. No caso dos egressos de colégios
públicos, a média não passou de 42. A nota dos estudantes
das escolas privadas ficou em 57. Essa desigualdade captada pelo Enem apareceu
nos resultados do vestibular da Fuvest, divulgados há duas semanas. Entre
os aprovados, 73% fizeram o ensino médio em uma escola particular
a maior proporção desses estudantes desde 2001. A fragilidade na
formação dos jovens vindos da rede pública é um sinal
de que o sistema de cotas que o governo federal quer implantar nas universidades
para esses alunos é no mínimo temerário. Afinal, facilitará
o ingresso de estudantes cujo desempenho acadêmico é muito baixo,
como mostrou o exame do MEC. Seguir o exemplo das campeãs no ranking do
Enem é um caminho mais eficiente para melhorar o nível de ensino
das escolas brasileiras particulares e públicas. |