Edição 1944 . 22 de fevereiro de 2006

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Esporte
A Copa do Mundo deles

Sucesso de estrangeiros no beisebol
americano leva à criação de um
mundial que imita o de futebol


André Fontenelle

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Cinco pontos para tentar entender o beisebol

Os americanos costumam chamar sua liga de beisebol de "campeonato mundial", embora dela só participem equipes dos Estados Unidos. Até hoje isso não era problema, já que nunca existiu um torneio entre seleções dos melhores profissionais. No mês que vem, porém, começa o World Baseball Classic, uma competição que usa o modelo da Copa do Mundo de futebol e cujo objetivo é tornar o beisebol um esporte global. A idéia faz sentido. Quase metade dos jogadores profissionais nos Estados Unidos é estrangeira. São astros como o dominicano Vladimir Guerrero (12,5 milhões de dólares por ano) e o japonês Ichiro Suzuki (11 milhões). Fazê-los jogar por seus selecionados nacionais é uma forma de divulgar mundialmente o beisebol, bastante popular onde a influência cultural americana é forte – principalmente nas Américas, do Canadá à Venezuela, e no Japão.

Para amplificar o torneio, a fase eliminatória será disputada em três lugares: no Japão, em Porto Rico e nos Estados Unidos, palco das partidas finais. A organização enfrentou alguns contratempos. O lobby dos exilados cubanos na Flórida quase impediu a participação do time de Fidel Castro. Alegou-se que, se Cuba ganhar, o que não é improvável, o prêmio em dinheiro será uma violação do embargo americano à ilha. Encontrou-se uma solução diplomática. Em caso de vitória cubana, o dinheiro irá para as vítimas do furacão Katrina. Não será a primeira vez que Cuba jogará em território inimigo. Nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, ganhou a medalha de ouro. Nessas ocasiões, os cubanos viajam cercados de seguranças, para evitar fugas.

Outro problema do World Baseball Classic é a desistência de alguns craques, que preferiram ficar treinando com seus times – algo como se Ronaldinho Gaúcho abdicasse da Copa por causa da pré-temporada do Barcelona. Isso mostra que ainda há um longo caminho para rivalizar com o futebol. Mas o beisebol não pode ser subestimado. A principal liga profissional americana movimenta 4 bilhões de dólares por ano, mais que a NBA, do basquete, e o dobro do que movimenta a liga de futebol mais rica do mundo, a inglesa. O maior obstáculo são mesmo as complicadas regras (veja o quadro). Mas quem consegue entendê-las não raro se apaixona pelo jogo.

 
 
 
 
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