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Esporte
A Copa do Mundo deles
Sucesso de estrangeiros no beisebol
americano leva à criação de um
mundial que imita o de futebol

André Fontenelle
Os americanos costumam chamar sua liga de beisebol
de "campeonato mundial", embora dela só participem equipes
dos Estados Unidos. Até hoje isso não era problema,
já que nunca existiu um torneio entre seleções
dos melhores profissionais. No mês que vem, porém,
começa o World Baseball Classic, uma competição
que usa o modelo da Copa do Mundo de futebol e cujo objetivo é
tornar o beisebol um esporte global. A idéia faz sentido.
Quase metade dos jogadores profissionais nos Estados Unidos é
estrangeira. São astros como o dominicano Vladimir Guerrero
(12,5 milhões de dólares por ano) e o japonês
Ichiro Suzuki (11 milhões). Fazê-los jogar por seus
selecionados nacionais é uma forma de divulgar mundialmente
o beisebol, bastante popular onde a influência cultural americana
é forte principalmente nas Américas, do Canadá
à Venezuela, e no Japão.
Para amplificar o torneio, a
fase eliminatória será disputada em três lugares:
no Japão, em Porto Rico e nos Estados Unidos, palco das partidas
finais. A organização enfrentou alguns contratempos.
O lobby dos exilados cubanos na Flórida quase impediu a participação
do time de Fidel Castro. Alegou-se que, se Cuba ganhar, o que não
é improvável, o prêmio em dinheiro será
uma violação do embargo americano à ilha. Encontrou-se
uma solução diplomática. Em caso de vitória
cubana, o dinheiro irá para as vítimas do furacão
Katrina. Não será a primeira vez que Cuba jogará
em território inimigo. Nas Olimpíadas de Atlanta,
em 1996, ganhou a medalha de ouro. Nessas ocasiões, os cubanos
viajam cercados de seguranças, para evitar fugas.
Outro problema do World Baseball
Classic é a desistência de alguns craques, que preferiram
ficar treinando com seus times algo como se Ronaldinho Gaúcho
abdicasse da Copa por causa da pré-temporada do Barcelona.
Isso mostra que ainda há um longo caminho para rivalizar
com o futebol. Mas o beisebol não pode ser subestimado. A
principal liga profissional americana movimenta 4 bilhões
de dólares por ano, mais que a NBA, do basquete, e o dobro
do que movimenta a liga de futebol mais rica do mundo, a inglesa.
O maior obstáculo são mesmo as complicadas regras
(veja
o quadro). Mas quem consegue entendê-las não
raro se apaixona pelo jogo.
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