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Copa
O
figurino para o hexa O Mundial é
a vitrine das novas tecnologias em camisas, bolas e chuteiras  Letícia
Sorg
Divulgação
 | Fabiano
Accorsi
 | | Ronaldo
e a nova camisa: minúsculas saliências na trama (detalhe acima)
levam o suor para longe do corpo |
A cena ficou famosa:
em plena final da Copa do Mundo de 2002, o zagueiro brasileiro Edmílson
levou um longo minuto só para trocar uma camisa rasgada, enroscado num
estranho forro, supostamente criado para absorver o suor. Na próxima Copa,
em junho, pelo menos essa dificuldade a seleção não terá.
O mais recente uniforme da equipe, também fabricado pela Nike, com um novo
sistema para reduzir o incômodo da transpiração, é
um exemplo de como evolui apesar de contratempos como o de Edmílson
a tecnologia dos equipamentos esportivos, graças a bilhões
de dólares investidos nessa indústria nos últimos anos. A
camisa com a qual o Brasil tentará o hexacampeonato mundial, de tecido
sintético, tem microporos que transferem o suor para a parte externa do
tecido, facilitando a circulação de ar e a evaporação.
Minúsculas saliências no lado de dentro evitam que a peça
cole na pele. Isso faz alguma diferença quando é preciso correr
10 quilômetros, como um jogador de futebol profissional. Com apenas 180
gramas, ela tem menos da metade do peso dos modelos de algodão de trinta
anos atrás. Como custará 180 reais nas lojas, o preço da
tecnologia é de exatamente 1 000 reais por quilo.
A cada quatro anos a Copa do Mundo é a vitrine em que os gigantes do material
esportivo expõem suas novas criações. O uniforme que a seleção
inglesa vestirá neste ano na Alemanha, desenvolvido pela Umbro, tem 15%
de fibras de prata dentro das de poliamida. Não se trata de um simples
luxo, segundo a empresa: a prata minimiza a eletricidade estática, tornando
mais confortável o contato da camisa com o corpo. Assim como as novas tecnologias
dos bólidos de Fórmula 1 levam alguns anos para chegar aos carros
de passeio, a camisa recheada de prata ainda é exclusiva dos jogadores
da Copa do Mundo: nas lojas, será vendida uma versão com apenas
2% de fibra de prata, que no Brasil custará 190 reais.
Divulgação
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Inglaterra: fibras de prata no uniforme |
A
competição entre empresas se estende a bolas e chuteiras. A bola
oficial da Copa, escolhida em dezembro passado, é a Adidas +Espírito
de Equipe, que chega às lojas por 400 reais. O novo design, com catorze
gomos, foi testado com pernas robóticas e, segundo o fabricante, os chutes
são 30% mais precisos. Outro produto da Adidas, a chuteira +Predator Absolute
(600 reais no Brasil), estará nos pés de craques como Kaká,
Beckham e Zidane na Alemanha. O cabedal do calçado é recoberto por
borrachas cujo objetivo é aumentar a força do chute. Nada disso
transformará o peladeiro de fim de semana em um Roberto Carlos, mas é
com pequenos avanços assim que evolui o material esportivo. Quem compara
as pesadíssimas camisas, bolas e chuteiras de décadas atrás
com as do Mundial deste ano não pode deixar de reconhecer que jogar futebol
era uma atividade bem mais penosa.
Essa corrida tecnológica não existiria sem um bilionário
mercado consumidor. A Nike faturou 14 bilhões de dólares no ano
passado, e mantém em segredo quanto investe em tecnologia. A Speedo gastou
50 milhões de dólares para desenvolver um maiô revolucionário
para natação. "Criar produtos tecnológicos é fundamental
para garantir a visibilidade da marca no mercado", afirma Eduardo Ayrosa, especialista
em marketing esportivo da Escola de Administração da Fundação
Getulio Vargas. A adoção
de novas tecnologias muitas vezes chega acompanhada de polêmicas. Como os
novos equipamentos são caros, a possibilidade de haver uma disparidade
entre os competidores é maior. Os maiôs futuristas da Speedo, que
imitam os sulcos microscópicos da pele dos tubarões para reduzir
o arrasto na água, quase foram proibidos pelas autoridades da natação.
O golfe tem regras restritivas quanto a inovações nos tacos e nas
bolas. "No fim das contas, quem decide é o público", diz Kim Blair,
diretor do Centro de Inovação no Esporte do Massachusetts Institute
of Technology (MIT). A longo prazo, os precedentes mostram que o custo desses
avanços se torna acessível à maioria dos praticantes, e todos
saem ganhando. Até os peladeiros de fim de semana. |