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Especial Plasma
ou LCD? Como será sua próxima televisão
Com novo design, grande qualidade de imagem e preços em queda, os televisores
voltaram a ser objetos de desejo. E ainda vem aí a revolução
digital  Carlos
Rydlewski e Ricardo Valladares
Montagem
sobre fotos Fabiano Accorsi e divulgação
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É
extraordinária a presença da televisão na casa dos brasileiros.
Nada menos do que 90,3% têm no mínimo um aparelho. São mais
TVs do que geladeiras, por exemplo presentes em 87,4% das casas. Considerado
indispensável, o televisor também ocupa um espaço de honra
na maioria das salas. O consumidor o quer grande, bonito e repleto de funções.
Está sempre disposto a trocá-lo por um mais moderno, embora ele
seja um bem durável, com vida útil de duas décadas ou mais.
Em 2005, 9,8 milhões de televisores saíram das lojas no Brasil.
A previsão de crescimento nas vendagens é de 12% para 2006. Mas
esse processo natural de troca deve se acelerar nos próximos anos, devido
a duas revoluções.
A primeira já está em andamento: é a revolução
do design. Arte de criar objetos sedutores, o design é um dos pilares da
economia atual. O atrativo das formas é uma chave para o sucesso de qualquer
produto. Ora, poucos bens de uso popular mudaram de aparência tão
radicalmente quanto os televisores nos últimos tempos. O uso de dois novos
materiais, o plasma e o cristal líquido, além de aumentar sua definição
de imagem, permitiu que eles perdessem em profundidade, tornando-se peças
esbeltas, que podem até ser penduradas na parede, como quadros. Essas TVs,
finas e leves, atiçam os desejos de consumo.
A segunda revolução é tecnológica. Terá grandes
implicações. É a popularização da transmissão
digital dos sinais de TV. A TV digital é mais que um salto na qualidade
do som e da imagem. Significa que será possível assistir a programas
em telefones celulares uma novela, um jornal, um jogo de futebol. E ainda
que será possível interagir com as emissoras com um toque no controle
remoto votar num show de auditório, participar de uma pesquisa,
comprar os produtos do intervalo comercial. A estimativa é que, em dez
anos, essa reviravolta tenha gerado vendas de 200 bilhões de reais
entre aparelhos receptores, transmissores e conversores.
Atualmente, as telas de cristal líquido (ou LCD, na sigla em inglês)
e plasma representam apenas 0,6% do mercado brasileiro de televisores. No ano
passado, 58.000 foram compradas em todo o Brasil. É pouco quase
nada. Mas o número representa um crescimento de 500% em relação
a 2004. Para 2008, a indústria projeta vendas de 230.000 aparelhos. Quem
colocou na mira uma TV "fininha" deve estar alerta para certas características.
Elas têm ângulo de visão um pouco mais restrito que o de um
aparelho convencional o que significa que quem está ao lado do console
tem maior dificuldade para enxergar a imagem. Questões técnicas,
contudo, vão sendo resolvidas com presteza. Até recentemente, imagens
em movimento costumavam deixar um rastro nas telas de LCD, enquanto as imagens
estáticas, como aquelas tirinhas de notícia fixas na parte de baixo
do vídeo, podiam estragar os televisores de plasma. Nas novas gerações
de aparelhos, esses problemas quase sumiram. Um dispositivo simples que faz a
tela vibrar, por exemplo, reduziu os riscos de defeito nas TVs de plasma. A diminuição
dos intervalos entre os pulsos de luz nas telas de LCD também espantou
os "fantasmas". No quesito resolução e nitidez de imagem, modelos
de cristal líquido ainda leva alguma vantagem, mas é difícil
encontrar quem sinta mesmo a diferença: é como falar do desvão
entre uma imagem extraordinária e outra excepcional. Antonio
Cruz
 | Evelson
de Freitas/AE
 | UMA
DECISÃO COMPLEXA Costa (à
esq.) quer o sistema japonês. Furlan, o europeu. Qual é o melhor
para os consumidores brasileiros? Aquele que não vede a porta a inovações
e abra o maior leque de opções de conteúdo |
Com isso, a relação mais significativa para o consumidor é
aquela entre o tamanho da tela e o preço. O plasma hoje em dia sai ganhando.
Os aparelhos mais comuns no mercado começam nas 42 e vão até
50 polegadas (mas é possível encontrar exemplares de 71 polegadas
ao custo de 270.000 reais, o equivalente a um apartamento de três dormitórios).
No caso do LCD, as telas em geral ficam entre as 15 e as 42 polegadas. A queda
nos preços das TVs de plasma pode ser descrita como vertiginosa. Uma televisão
que chegava a custar 30.000 reais em 2003 agora é encontrada por 9.000,
numa redução de mais de 200%. Uma razão para isso é
que o Brasil já produz telas de plasma, que representam entre 60% e 70%
do preço final do produto. O barateamento do LCD e o aumento de suas telas
dependem de que se resolva uma equação industrial: reduzir o desperdício
no corte das placas de cristal líquido com que se faz o aparelho.
Quer opte pelo plasma, quer pelo LCD, quem comprar hoje um novo televisor de alta
resolução terá dado um passo para aproveitar os ganhos de
imagem que a mudança para o sistema digital de transmissão de TV
brevemente vai trazer. Mas ainda terá de adquirir um decodificador de sinal
(um aparelho semelhante àquele da TV a cabo) assim como todos os
brasileiros que decidirem se manter fiéis aos aparelhos tradicionais. Vai
levar tempo para que os televisores saiam da fábrica trazendo embutido
o conversor compatível com o padrão digital que o Brasil vai adotar.
Pois é: há três padrões diferentes em operação
no mundo, o americano, o japonês e o europeu. Eles têm muitas semelhanças
e algumas diferenças relevantes, sobretudo no que diz respeito à
transmissão de dados para celulares (veja quadro na pág. 66).
A escolha de um desses padrões é motivo de uma luta política
que já dura vários meses. Há lobbies de todos os lados: representando
os países que detêm as matrizes tecnológicas de cada modelo,
os interesses das emissoras de TV nacionais e os das empresas de telefonia. Há
também visões conflitantes no interior do governo. Mas o debate
parece estar chegando ao fim. O anúncio do padrão eleito deverá
ser feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia
10. Mesmo que a data de 10 de março
não seja cumprida, pequenos grupos no Brasil terão o gostinho do
que é assistir a um grande evento em formato digital, em transmissões
experimentais e em demonstrações fechadas para convidados. A Copa
do Mundo de 2006, que acontece em junho, na Alemanha, vai ser também uma
festa da TV de última geração. Por iniciativa dos anfitriões
e de fabricantes de produtos eletrônicos, pela primeira vez todos os 64
jogos do campeonato serão transmitidos com qualidade digital. O fato é
que o Brasil não está muito atrás do restante do mundo nesse
terreno. Só 14 milhões dos endereços ao redor do globo estão
equipados com televisores de alta definição e 80% deles não
recebem programas em formato digital, segundo a empresa de consultoria IMS Research.
A Copa é uma oportunidade extraordinária para conquistar mais adeptos
para essas tecnologias. "As características
do futebol e os atributos da TV digital fazem um casamento perfeito", disse a
VEJA Dominik Schmid, diretor da Infront, empresa contratada pela Fifa para a transmissão
televisiva e a comercialização dos direitos da Copa do Mundo de
2006. O monitor panorâmico 16:9 16 unidades aleatórias de
largura por 9 de altura dos televisores preparados para o sistema digital
foi concebido para manter simetria com o formato retangular da câmera cinematográfica.
Mas ele obedece também às proporções dos campos de
futebol. Isso significa que o enquadramento é mais amplo, há menos
corte nas margens. "Fica mais fácil acompanhar a construção
das jogadas e explicar a tática das equipes", diz Arsène Wenger,
técnico do time inglês Arsenal e comentarista do canal francês
TF1. O potencial interativo da transmissão digital também vai ser
posto à prova. O canal pago alemão Premiere, por exemplo, vai oferecer
a seus assinantes a possibilidade de optar entre várias câmeras para
acompanhar os lances de um jogo. E há muitas delas. Os gramados dos doze
estádios alemães onde se disputará o título máximo
do futebol mundial serão esquadrinhados por 25 câmeras de alta resolução.
O número é ainda mais expressivo quando se sabe que oito câmeras
digitais fazem o trabalho de vinte das convencionais. Numa cobertura tradicional,
a grande quantidade de câmeras serve para "contar bem" a história
do jogo. Elas são posicionadas em diversos pontos em torno do campo. Um
grupo opera com planos abertos e outro com enquadramentos fechados. Os lances
são mostrados sob ângulos diferentes e, por meio de close-ups, enfatizam-se
as ações e revelam-se os detalhes. O editor de imagem passa o tempo,
freneticamente, entre alternâncias e cortes. Na transmissão digital,
a freqüência dos cortes e das mudanças de câmera é
muito menor. Isso porque uma imagem maior não requer tantos close-ups.
O plano mais amplo admite duração mais longa, não há
necessidade de ficar saltando de uma câmera para outra. E, quanto menos
uma câmera gira, mais se percebe a movimentação em campo.
A percepção do telespectador fica mais próxima da visão
do torcedor que assiste ao jogo no estádio.
Assim como no futebol, as transformações acarretadas pela adoção
de um padrão digital serão sentidas no futuro numa outra paixão
brasileira as telenovelas. A maior nitidez das imagens obtidas dessa maneira
vai obrigar as emissoras a redobrar os cuidados com a produção.
Estima-se que o aumento nos custos de um folhetim pode chegar a 20%. Foram-se
os tempos em que pequenos truques como imitar a textura de uma parede de
tijolos com papel eram aceitáveis. O resultado tosco salta aos olhos
numa tela de alta definição. As técnicas de maquiagem também
terão de ser melhoradas. Manchas e imperfeições da pele ficarão
bem mais visíveis. Um congresso recente de maquiadores de cinema e TV,
nos Estados Unidos, trouxe à tona esse fato: há muitas celebridades
apavoradas com aquilo que uma câmera digital e um televisor de alta resolução
podem, em conjunto, revelar. As emissoras
brasileiras já vêm se preparando faz algum tempo para entrar na era
digital. Têm comprado equipamentos para captação e transmissão
de imagens nesse formato. Entre elas, existe um consenso quase completo (a Bandeirantes
expressa alguma dissidência) em torno da idéia de que o padrão
japonês é o melhor a adotar. O xis da questão é a transmissão
de programas para telefones celulares. No padrão japonês, o sistema
favorece o uso exclusivo das emissoras de TV. No padrão europeu, ele pode
ser usado por vários fornecedores de conteúdo. As empresas de telefonia,
por exemplo, poderiam se beneficiar desse novo canal (além de suas redes
próprias de transmissão de dados) para oferecer filmes e outros
tipos de atração a seus clientes. "Com a adoção da
tecnologia digital vai sobrar espaço no espectro de transmissão.
O governo não pode dar isso de graça às TVs", afirma Cesar
Rômulo Silveira Neto, superintendente executivo da Telebrasil, entidade
que reúne as companhias do setor de telecomunicações. Já
as emissoras de televisão temem a competição das telefônicas
multinacionais com enorme capacidade de investimento.
Dentro do governo Lula, o maior defensor do padrão japonês é
o ministro das Comunicações, Helio Costa. "O único sistema
que atende a todos os requisitos que o Brasil quer na TV digital é o japonês.
As teles têm de fazer telefonia, não televisão", costuma dizer
Costa. Mas ele vem advogando sua causa de maneira afoita e desastrada. Seu desempenho
numa audiência pública na Câmara dos Deputados no fim de janeiro
dá a medida de sua falta de jeito. Ao defender o modelo japonês,
disse que havia colocado "a bola na marca do pênalti". Cabia ao presidente
"chutar devagar e olhar a bola entrar de mansinho" ou "chutar para fora". O governo
criou um grupo que reúne os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, da
Fazenda, Antonio Palocci, do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e o próprio
Hélio Costa para ouvir todos os interessados na TV digital. Foram dez reuniões
ao todo, e o setor de telefonia esteve com o governo em pelo menos três
ocasiões. "A discussão melhorou muito depois que a Casa Civil começou
a participar das reuniões", afirma o presidente da Philips na América
Latina, Marcos Magalhães. "Antes não havia neutralidade."
As implicações comerciais imediatas da escolha de um padrão
de TV digital são enormes, e é claro que não se pode desconsiderá-las.
Basta lembrar os valores envolvidos na mudança. Como tudo o que envolve
transformações tecnológicas, contudo, também é
vital ter em mente um cenário mais amplo e de mais longo prazo. Há
outras revoluções em andamento como a do "wireless" e da
"TV via internet" , e elas vão varrer amanhã arranjos que
os políticos se digladiaram para alinhavar hoje. O que é certo é
que a transmissão digital deve crescer rápido e transformar a relação
dos brasileiros com sua amada TV.
A língua das TVs
A imagem é boa, mas a terminologia associada aos novos aparelhos de televisão
e às tecnologias mais recentes é para lá de hermética.
Conheça alguns termos. TV
digital É um sistema que transmite dados por meio de um código
digital, compatível com a língua dos computadores.
Set-top box É o decodificador usado pelos
aparelhos de televisão para receber o sinal digital. Com o advento da TV
digital, todos os televisores vão precisar desse tipo de equipamento. Depois
de definido o padrão, ele até poderá ser embutido nas TVs.
HDTV (High definition TV)
São as TVs de alta definição. Têm resolução
de 1 920 pontos (pixels) na horizontal por 1 080 pontos na vertical. Mas uma televisão
moderna de cristal líquido tem boa resolução a partir de
1 024 por 768 pixels. No caso de plasma, consegue boa resolução
a partir de 852 por 480 pixels. Os aparelhos convencionais, de baixa resolução,
são conhecidos como LDTV (low definition).
HDTV ready É o termo usado nas lojas
para vender televisores ao mercado de TV digital. O fato é que nenhum aparelho
está "pronto" para esse segmento. Todos vão precisar de um decodificador
para funcionar no novo sistema. Normalmente, o que esse termo quer dizer é
que os equipamentos têm tela e resolução que de alguma maneira
vão mostrar ganhos de qualidade com o advento da TV digital.
Televisão interativa Algumas operadoras
de televisão a cabo oferecem a possibilidade a seus assinantes de receber
os sinais já digitalizados, mas não ainda em alta definição.
Esse serviço, como a TVA Digital e a Net Digital, permite ao assinante
interagir com a operadora, comprando programas com instruções dadas
diretamente no vídeo. | |
Veja como vai ser seu próximo... Os
aparelhos da era digital têm em comum a permanente incorporação
de inovações, tanto de novas funções como de aprimoramento
de qualidade. Veja alguns itens que estão para chegar às prateleiras
mundiais Yoshikazu
Tsuno/AFP
 | MOUSE
A novidade é o Mouse Talk, que tem uma qualidade insólita: recebe
ligações pela internet |
CÂMERA
DIGITAL Modelo da Kodak com enquadramento mais versátil: uma lente
afasta quem está perto e a outra aproxima quem está mais distante
| Fotos divulgação
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 | APARELHO
DE DVD O DVD atual grava duas horas de vídeo,
enquanto o Blu-Ray tem capacidade para armazenar até 25 horas |
LIVRO Agora,
na cola do iPod, a Sony faz uma nova tentativa para lançar um aparelho
portátil de leitura para livros digitalizados. Pode armazenar até
80 títulos |  |
Luis
Gene/AFP
 | TELEFONE
CELULAR Aparelho lançado pela Nokia transmite até cinqüenta
canais e tem como alvo o mercado de TV digital |
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| Com reportagem
de Leandra Peres e Antonio Ribeiro,
de Paris |