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Internacional O
mal do "jeitinho" Acordo dá a Presidência
a Préval no Haiti no primeiro turno. É mais um ilegítimo
Walter
Astrada/AFP
 | | Festa
pela eleição de Préval: ganhou no grito |
A
eleição que pretendia dar algum tipo de normalidade ao país
e legitimidade ao governo terminou como todas as outras no Haiti: levou à
Presidência não o candidato que venceu nas urnas, mas aquele cujos
partidários demonstraram maior poder de fogo nas ruas. René Préval,
o presidente que vai tomar posse, teve 48% dos votos válidos, o que exigiria
um segundo turno. Como a turba estava queimando pneus e carros em Porto Príncipe,
uma rápida negociação envolvendo a ONU, a Organização
dos Estados Americanos e o governo interino haitiano decidiu entregar o cargo
a Préval. Nos últimos dois anos, com a ajuda de tropas internacionais,
inclusive brasileiras, a ONU tenta transformar o Haiti numa nação
sem sucesso. O país mais pobre do continente é um Estado
falido, que em diversos aspectos lembra muito mais certas partes da África
do que a América Latina.
Longe de ser a
solução, Préval é parte do problema. Não apenas
pela forma tortuosa com que foi eleito. O problema é também o que
ele representa. O único presidente a terminar um mandato na história
do país, entre 1996 e 2000, Préval foi durante muito tempo o braço-direito
de Jean-Bertrand Aristide, o último numa longa lista de déspotas
haitianos. Eleito em 1990, Aristide foi deposto pelos militares oito meses depois,
recolocado no poder pelos Estados Unidos em 1994, eleito para um segundo mandato
em 2000 e deposto novamente em 2004. Ele é um ícone e um produto
da teologia da libertação, cuja contribuição foi fundamental
para criar o caos atual no Haiti. Na última
década da Guerra Fria, um grupo de padres socialistas dominou as igrejas
nas favelas de Porto Príncipe. Aristide, que depois seria expulso da ordem
dos salesianos, era um deles. Embalados pelo projeto de uma revolução
comunista e cristã, eles incitaram os moradores das favelas contra as "instituições
e a economia burguesas". A idéia era expulsar os haitianos mais abastados
que lideravam o país sem oferecer nenhum projeto viável do
ponto de vista econômico e político para substituí-los. Em
seus sermões, o padre Aristide clamava pela necessidade moral de violência
política. Com a ajuda dos "batalhões" de favelados, ele intimidou
adversários e elegeu-se presidente. No poder, perseguiu a oposição
e governou com a turba na rua. Préval herdou os batalhões de favelados.
E o populismo de Aristide. Como sempre, esses desmiolados são ótimos
em destruir o que resta de civilização em sociedades primitivas
como o Haiti. Construir não é com eles. |