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Brasil Novo
caixa do mensalão CPI flagra primeiro
caso de mensaleiro embolsando dinheiro dos fundos de pensão  Alexandre
Oltramari
Chico
Guedes/Jornal A Gazeta
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cujo assessor recebeu 100 000 reais quando o deputado era candidato a prefeito
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Desde que o escândalo
do mensalão veio a público, dezoito deputados foram apontados pela
CPI dos Correios como beneficiários do esquema. Na semana passada, apareceu
mais um suspeito. É o deputado Nilton Baiano, do PP do Espírito
Santo. Seu assessor de imprensa, Renato Paolielo, foi flagrado embolsando 100.000
reais da corretora Euro, do Rio de Janeiro, no dia 28 de julho de 2004, quando
o deputado estava em campanha pela prefeitura de Vitória. Na mesma época
do pagamento, a corretora Euro causou um prejuízo de 8 milhões de
reais ao Nucleos, o fundo de pensão dos empregados das empresas nucleares
federais. O prejuízo é resultado de onze operações
comprovadamente irregulares, nas quais a Euro comprava títulos do Tesouro
Nacional por um preço baixo e, no mesmo dia, revendia-os por um preço
superior ao Nucleos. "Não sei o que foi feito com esse dinheiro. Se quem
recebeu foi o meu assessor, é ele que tem de dizer o que fez", diz Baiano.
O assessor do deputado trabalha em Vitória. Diz que trabalhou para a Euro
em 2004, recebeu 100.000 reais, mas esqueceu-se de declarar no imposto de renda.
"Vou retificar", diz. A relevância
da última descoberta da CPI não é o aparecimento de mais
um deputado na caravela mensaleira. O ponto fulcral do espisódio está
no fato de o dinheiro embolsado pelo assessor do deputado reforçar uma
suspeita antiga: a de que fundos de pensão de estatais podem ter financiado
o mensalão. A CPI já conseguiu quebrar o sigilo bancário
de catorze fundos de pensão de estatais e de 31 corretoras que negociavam
com os fundos. Examinando-se a papelada bancária, descobriu-se que os fundos
de pensão perderam 700 milhões de reais nos últimos cinco
anos. Não se tinha notícia, no entanto, de que as corretoras que
se locupletaram com os prejuízos dos fundos tivessem feito pagamentos a
deputados. Os primeiros sinais dessa triangulação apareceram quando
a CPI começou a examinar os dados bancários das corretoras. Além
do assessor do deputado Nilton Baiano, cujo saque já foi comprovado, outros
onze assessores parlamentares estão sendo investigados sob a mesma suspeita.
"É o velho mensalão, mas pago por um duto até então
ignorado", diz um dos investigadores da CPI.
A investigação, porém, já esbarrou num obstáculo.
No mês passado, o presidente do STF, Nelson Jobim, suspendeu a quebra do
sigilo bancário da Euro decretada pela CPI. Com isso, a corretora tornou-se
a única, entre as 31 investigadas, a garantir que suas operações
ficarão longe dos olhos do público. Os membros da CPI acham, contudo,
que os detalhes já conhecidos são suficientes para incluir o deputado
do PP na lista de parlamentares que vão para a degola. Nos corredores da
CPI, circula a versão de que os 100.000 reais recebidos pelo assessor foram
destinados a pagar a contratação de uma pesquisa eleitoral quando
Baiano fazia campanha para a prefeitura de Vitória. Nessa hipótese,
a situação de Baiano ficará muito parecida com a do deputado
Professor Luzinho (PT-SP), cujo assessor recebeu 20.000 reais do valerioduto.
Na semana que vem, já será votado o pedido de cassação
do mandato de Luizinho, junto com o do deputado Roberto Brant (PFL-MG), cujo assessor
recebeu 102.000 reais do valerioduto, usados para pagar despesas eleitorais do
parlamentar. O deputado Nilton Baiano
tem contra si o peso da própria biografia. Não é a primeira
vez que seu nome é envolvido em uma história esquisita. Além
de ser flagrado como pianista no plenário da Câmara em 1991, Baiano
aparece, em setembro passado, numa conversa telefônica grampeada pela Polícia
Federal. Na conversa, o ex-prefeito Paulo Maluf pede ao presidente do PP, Pedro
Corrêa, que dê um recado a Nilton Baiano: "Diga-lhe que é um
ingrato. Recebeu 200.000 dólares em 1996 para ser candidato a prefeito.
Não foi candidato e ficou com o dinheiro". Maluf é correligionário
de Nilton Baiano. Deve saber o que está falando.
ROTA DA SUSPEITA
Entre junho de 2004 e fevereiro do ano passado, o Nucleos,
fundo de pensão dos funcionários das indústrias nucleares
do Brasil, sofreu prejuízos de 8 milhões de reais em operações
irregulares com a corretora Euro A
Euro, nesse mesmo período, depositou 100 000 reais na conta de um
assessor do deputado Nilton Baiano (PP-ES) | |
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