Guia
Os efeitos de uma pausa
Ilustração Attilio
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A cidade alemã de Vechta instituiu um período de vinte
minutos diários para que seus habitantes possam fazer uma pausa
e tirar um cochilo. Na Espanha, surgiram trailers especializados em
acomodar os trabalhadores para a siesta vespertina. A tradição
vinha perdendo popularidade por dois motivos: as empresas espanholas
passaram a demandar jornadas mais longas e os engarrafamentos tornaram
os traslados mais demorados. Ao propiciarem tempo para uma pausa,
Espanha e Alemanha estão colhendo benefícios concretos.
Em Vechta, por exemplo, a prefeitura relata que o rendimento dos funcionários
públicos aumentou. Essa constatação está
de acordo com uma pesquisa feita pela Nasa, a empresa aeroespacial
americana. Segundo o estudo, um cochilo diário resulta em um
aumento de produtividade de 34%.
O médico Carl Hunt, do
Centro Nacional de Estudos sobre Desordens do Sono, nos Estados
Unidos, ensina duas regras básicas para que o cochilo tenha
bom resultado:
1. O melhor horário
para a pausa é entre 1 e 2 e meia da tarde. A razão
é que essa é a hora em que o organismo sofre uma natural
baixa de atividade. A sensação de descanso, portanto,
aumenta
2. Sua duração
deve ser de quinze minutos a uma hora. Menos que isso, não
há efeito nenhum. Ir além de uma hora pode prejudicar
o sono noturno
O corpo dos apressados
A ciência reuniu vasto conhecimento
sobre os efeitos fisiológicos de uma vida acelerada. Eis
algumas conclusões:
A sensação de pressão pela falta de tempo prejudica
a capacidade de reter detalhes na memória
A pressão sanguínea dos acelerados é mais alta
e eles têm maior tendência à hipertensão
Problemas gastrointestinais são comuns
Os apressados sentem mais dores musculares do que as pessoas que
vivem em ritmo moderado
Têm freqüentes insônias
O manual do especialista
O jornalista escocês Carl Honoré
é autor do livro Devagar, Como o Movimento Mundial Está
Desafiando o Culto da Velocidade, recém-lançado
no Brasil. Trata-se de uma espécie de manual, com sugestões
práticas para desacelerar o ritmo de vida. Honoré
listou a VEJA algumas das medidas que considera mais eficientes.
Organizar a jornada de trabalho de modo produtivo, sem precisar
varar a madrugada no escritório
Estipular horários para ler e responder e-mails
Deixar espaço livre na agenda de compromissos
Evitar andar na pista mais rápida quando está ao volante
Não comer em frente à televisão. É melhor
aproveitar as refeições para ficar com a família
Criar uma brecha no dia para desligar os aparelhos eletrônicos,
como computador e celular
Acelerados históricos
Eles cochilavam para compensar
as noites maldormidas
NAPOLEÃO BONAPARTE
Dormia apenas quatro horas durante a noite e
por isso cochilava de dia. Alguns historiadores têm a tese
de que o estado de fadiga do imperador francês teria comprometido
sua habilidade para liderar tropas
WINSTON CHURCHILL
O primeiro-ministro inglês trocava as
noites acordado durante a II Guerra Mundial por quatro sonecas de
duas horas cada uma ao longo do dia. Ele dizia serem suficientes
para sentir-se descansado
SALVADOR DALI
O pintor surrea lista inventou uma técnica
para despertá-lo de seus cochilos vespertinos: sentava-se
com uma pesada chave na mão e colocava um prato de porcelana
entre os pés. O barulho da chave ao cair sobre o prato funcionava
como despertador
Com reportagem de: Eduardo Burckhardt,
Adriana Pavlova,
Ana Paula Chinelli e Marcos Todeschini
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