Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

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Os efeitos de uma pausa

Ilustração Attilio

A cidade alemã de Vechta instituiu um período de vinte minutos diários para que seus habitantes possam fazer uma pausa e tirar um cochilo. Na Espanha, surgiram trailers especializados em acomodar os trabalhadores para a siesta vespertina. A tradição vinha perdendo popularidade por dois motivos: as empresas espanholas passaram a demandar jornadas mais longas e os engarrafamentos tornaram os traslados mais demorados. Ao propiciarem tempo para uma pausa, Espanha e Alemanha estão colhendo benefícios concretos. Em Vechta, por exemplo, a prefeitura relata que o rendimento dos funcionários públicos aumentou. Essa constatação está de acordo com uma pesquisa feita pela Nasa, a empresa aeroespacial americana. Segundo o estudo, um cochilo diário resulta em um aumento de produtividade de 34%.

O médico Carl Hunt, do Centro Nacional de Estudos sobre Desordens do Sono, nos Estados Unidos, ensina duas regras básicas para que o cochilo tenha bom resultado:

1. O melhor horário para a pausa é entre 1 e 2 e meia da tarde. A razão é que essa é a hora em que o organismo sofre uma natural baixa de atividade. A sensação de descanso, portanto, aumenta

2. Sua duração deve ser de quinze minutos a uma hora. Menos que isso, não há efeito nenhum. Ir além de uma hora pode prejudicar o sono noturno

 

O corpo dos apressados

A ciência reuniu vasto conhecimento sobre os efeitos fisiológicos de uma vida acelerada. Eis algumas conclusões:

A sensação de pressão pela falta de tempo prejudica a capacidade de reter detalhes na memória

A pressão sanguínea dos acelerados é mais alta e eles têm maior tendência à hipertensão

Problemas gastrointestinais são comuns

Os apressados sentem mais dores musculares do que as pessoas que vivem em ritmo moderado

Têm freqüentes insônias

 

O manual do especialista

O jornalista escocês Carl Honoré é autor do livro Devagar, Como o Movimento Mundial Está Desafiando o Culto da Velocidade, recém-lançado no Brasil. Trata-se de uma espécie de manual, com sugestões práticas para desacelerar o ritmo de vida. Honoré listou a VEJA algumas das medidas que considera mais eficientes.

Organizar a jornada de trabalho de modo produtivo, sem precisar varar a madrugada no escritório

Estipular horários para ler e responder e-mails

Deixar espaço livre na agenda de compromissos

Evitar andar na pista mais rápida quando está ao volante

Não comer em frente à televisão. É melhor aproveitar as refeições para ficar com a família

Criar uma brecha no dia para desligar os aparelhos eletrônicos, como computador e celular

 

Acelerados históricos

Eles cochilavam para compensar as noites maldormidas

NAPOLEÃO BONAPARTE
Dormia apenas quatro horas durante a noite e por isso cochilava de dia. Alguns historiadores têm a tese de que o estado de fadiga do imperador francês teria comprometido sua habilidade para liderar tropas

WINSTON CHURCHILL
O primeiro-ministro inglês trocava as noites acordado durante a II Guerra Mundial por quatro sonecas de duas horas cada uma ao longo do dia. Ele dizia serem suficientes para sentir-se descansado

SALVADOR DALI
O pintor surrea lista inventou uma técnica para despertá-lo de seus cochilos vespertinos: sentava-se com uma pesada chave na mão e colocava um prato de porcelana entre os pés. O barulho da chave ao cair sobre o prato funcionava como despertador

 

Com reportagem de: Eduardo Burckhardt, Adriana Pavlova,
Ana Paula Chinelli e Marcos Todeschini

 
 
 
 
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