Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

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Guia
O mito da falta de tempo

O administrador de empresas americano Stephen Covey ensina empresários e políticos do mundo todo a fazer melhor uso do tempo. Consultor do ex-presidente Bill Clinton e do governo chinês, ele trata do assunto no best-seller Primeiro o Mais Importante. Covey deu a seguinte entrevista a VEJA.

O que o senhor sugere para as pessoas que se queixam da falta de tempo?
Digo a elas que é preciso separar o que parece urgente do que é de fato importante. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que quase a metade dos americanos afirma perder tempo com tarefas que julgam "pouco relevantes". É preciso aprender a negligenciá-las.

Como fazer isso no ambiente de trabalho?
Um levantamento que conduzi em 10 000 empresas americanas mostra que, ao reduzir uma jornada violenta de trabalho, um funcionário passa a produzir até cinco vezes mais. As pessoas precisam convencer seus chefes disso.

De que maneira?
Elas devem estabelecer metas de médio prazo que estejam de acordo com as prioridades da empresa em que trabalham. Ao cumprir tais objetivos, ganharão poder de barganha para eliminar afazeres menos importantes e negociar horários com o chefe. Acredite: sobrará tempo para a família.

O que diz aos políticos e empresários que não conseguem desacelerar o ritmo de vida?
Sugiro que organizem suas prioridades de modo a arranjar tempo para o lazer. Está comprovado que uma hora do dia livre de atribuições tem um impacto positivo no humor, na capacidade de reter informações e no desempenho no trabalho. Estou convicto de que desacelerar traz lucro.

Qual é a reação dos empresários quando o senhor defende a diminuição do ritmo no trabalho?
Ainda sou vaiado por isso, mas os empresários começam a entender que a cultura da urgência pode resultar em prejuízos ao desempenho dos funcionários – e também à saúde.

 

Calma à mesa

Os especialistas quantificaram o que é senso comum: quem come rápido acaba por ingerir uma quantidade maior de alimentos. Segundo pesquisa do médico americano Michael Royzen, autor do best-seller A Idade Verdadeira, os apressados consomem, em média, 30% mais calorias do que quem afirma fazer "refeições tranqüilas". Isso acontece porque o cérebro leva pelo menos dez minutos para registrar os sinais físicos da saciedade. Outra pesquisa realizada na Universidade Médica da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, detectou que os comensais apressados correm 30% mais riscos de sofrer de azia do que aqueles que têm calma à mesa. Os dois estudos chegam à mesma conclusão: refeições de trinta minutos fazem bem à saúde.

 
 
 
 
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