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Polícia
"Laranjas" exportam bilhões
Força-tarefa conclui investigação
sobre lavagem de dinheiro
no Brasil: é um escândalo

Ronaldo Soares
Leonardo Soares/Ag. O Globo
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| Farol da Colina: operação prendeu 64 pessoas
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Quando investigavam a ação
de doleiros em Foz do Iguaçu, agentes da Polícia Federal
depararam com uma cena curiosa. O funcionário de um doleiro
que usava o nome do empregado para abrir contas e emitir cheques
foi chamado para prestar depoimento. Ao ter de declinar sua profissão,
ele respondeu candidamente: "laranja". O episódio faz parte
do extenso repertório acumulado nos últimos dois anos
pela força-tarefa do caso Banestado para investigar a lavagem
de dinheiro, uma praga que se alastrou pela economia mundial e que,
no Brasil, movimenta cifras impressionantes. A ação
da força-tarefa terminou na semana passada e VEJA teve acesso
ao relatório final desse grupo, que reúne integrantes
de vários órgãos, entre eles a Polícia
Federal, o Banco Central e a Receita Federal. Os dados mostram que,
em dois anos, 522 pessoas denunciadas movimentaram, com a ajuda
de doleiros, 18 bilhões de dólares somente em contas
nos Estados Unidos. Levando-se em conta os bens arrestados, seqüestrados
ou tornados indisponíveis por ordem judicial no Brasil, são
mais 187 milhões de reais. Se considerarmos as movimentações
em todo o período investigado 1996 a 2004 ,
o montante sobe para 122 bilhões de dólares.

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A força-tarefa, criada
pelo Ministério Público Federal do Paraná em
2003, é um dos principais fatores para explicar o aumento
do número de pessoas que respondem a processo por lavagem
de dinheiro no país (veja quadro ao lado). Note-se
como era espantosamente pequena a quantidade de processos até
essa data considerando-se que o conjunto de operações
financeiras e comerciais com o intuito de dar aparência lícita
a recursos e bens provenientes de negócios ilícitos
movimenta hoje algo em torno de 1 trilhão de dólares
no mundo. O Brasil acordou para o combate a esse tipo de crime por
força da pressão internacional uma conseqüência
direta do combate ao terrorismo depois do 11 de setembro de 2001.
Só a Operação Farol da Colina resultou na prisão
de 64 pessoas e rastreou 13 bilhões de dólares enviados
ao exterior. Seu banco de dados continua a municiar outras investigações.
Foi o caso da Operação Firula, que no dia 8 levou
de volta à prisão os empresários de futebol
Alexandre Martins e Reinaldo Pitta, acusados de sonegação
fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Com a documentação
apreendida na operação, a PF vai esmiuçar os
contratos assinados com os jogadores que a dupla representa (ou
representou, como o atacante Ronaldo). Sabe-se que negociação
de jogador de futebol é uma das técnicas usadas para
lavar dinheiro. Mas a lista é extensa: vai de operações
fraudulentas de importação e exportação
a transações que envolvem compra e venda de ações,
cavalos, jóias, objetos de arte e imóveis. "Tudo o
que tem muita liquidez e muita variação de valor se
presta à lavagem de dinheiro", diz o procurador Rogério
Nascimento.
Pelo seu caráter transnacional
(no caso de operações com remessas de dinheiro para
paraísos fiscais) e pelo fato de estar sempre associada a
algum outro tipo de ilícito como tráfico de
drogas ou de armas, terrorismo, corrupção e extorsão
mediante seqüestro , a lavagem de dinheiro vem sendo
apontada como o crime do século XXI. Ao mesmo tempo, a eficácia
do combate a esses ilícitos tem aumentado em todo o mundo.
Diz Kevin Vandergrift, secretário do Grupo de Ações
Financeiras (FATF), entidade internacional voltada para o combate
à lavagem: "Hoje é mais fácil transferir dinheiro
entre um país e outro. Por outro lado, está cada vez
mais difícil esconder o dinheiro".
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