Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

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Ameaça que vem do céu

Asteróide pode se chocar com a Terra em 2036. Os cientistas discutem como evitar a catástrofe

NESTA REPORTAGEM
As conseqüências do impacto

Desde que os cientistas concluíram que os dinossauros foram extintos pela queda de um asteróide na Terra, há 65 milhões de anos, os astrônomos se perguntam: a destruição vinda do céu poderá se repetir? Essa era a principal questão discutida duas semanas atrás, em Londres, num encontro entre cientistas europeus. Em junho do ano passado, descobriu-se no espaço um asteróide, batizado de Apophis, que em 2029 poderá passar a uma distância da Terra mais próxima que a da Lua. Caso isso aconteça, a gravidade terrestre alteraria ligeiramente a órbita do asteróide, fazendo com que, ao passar novamente pela Terra, em 2036, ele colidisse com nosso planeta. Os cálculos indicam que ele cairia próximo a Sydney, na Austrália. Não há risco de que o Apophis, nome dado em homenagem ao símbolo da mitologia egípcia que representa o terror e a destruição, cause a extinção da espécie humana ou da vida na Terra. Ele é relativamente pequeno. Tem 390 metros de diâmetro – nada que se compare aos 10 quilômetros de diâmetro do asteróide que extinguiu os dinossauros. Ainda assim, seu poder de destruição seria enorme. Segundo a Nasa, ao atingir o solo, ele poderá liberar uma energia de 850 megatons, 57.000 vezes maior do que a da bomba nuclear que arrasou Hiroshima.

"Caso não se tomem providências imediatamente, não se conseguirá desenvolver a tempo uma tecnologia capaz de evitar uma possível colisão do Apophis com a Terra", diz Monica Grady, especialista em meteoritos da Open University, na Inglaterra. Entre os cientistas, não faltam idéias sobre como evitar a colisão do asteróide. O problema é chegar a um consenso sobre a mais adequada. A Agência Espacial Européia vem desenvolvendo o projeto de dois satélites irmãos que se encarregariam da missão. O primeiro deles se chocaria com o asteróide, alterando sua órbita e tirando-o da rota de colisão com a Terra. O segundo observaria a manobra e mediria seu sucesso. Outra possibilidade é lançar uma nave com um artefato nuclear capaz de destruir o asteróide enquanto ele ainda se encontra longe da Terra. Enquanto não se decide a melhor forma de afastar o perigo, os astrônomos monitoram atentamente o percurso do Apophis, refazendo constantemente os cálculos para estabelecer sua órbita com a maior precisão possível.

 
 
 
 
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