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Espaço
Ameaça que vem do céu
Asteróide pode se chocar com a Terra em 2036. Os cientistas discutem como
evitar a catástrofe
Desde que os cientistas
concluíram que os dinossauros foram extintos pela queda de um asteróide
na Terra, há 65 milhões de anos, os astrônomos se perguntam:
a destruição vinda do céu poderá se repetir? Essa
era a principal questão discutida duas semanas atrás, em Londres,
num encontro entre cientistas europeus. Em junho do ano passado, descobriu-se
no espaço um asteróide, batizado de Apophis, que em 2029 poderá
passar a uma distância da Terra mais próxima que a da Lua. Caso isso
aconteça, a gravidade terrestre alteraria ligeiramente a órbita
do asteróide, fazendo com que, ao passar novamente pela Terra, em 2036,
ele colidisse com nosso planeta. Os cálculos indicam que ele cairia próximo
a Sydney, na Austrália. Não há risco de que o Apophis, nome
dado em homenagem ao símbolo da mitologia egípcia que representa
o terror e a destruição, cause a extinção da espécie
humana ou da vida na Terra. Ele é relativamente pequeno. Tem 390 metros
de diâmetro nada que se compare aos 10 quilômetros de diâmetro
do asteróide que extinguiu os dinossauros. Ainda assim, seu poder de destruição
seria enorme. Segundo a Nasa, ao atingir o solo, ele poderá liberar uma
energia de 850 megatons, 57.000 vezes maior do que a da bomba nuclear que arrasou
Hiroshima. "Caso não se tomem
providências imediatamente, não se conseguirá desenvolver
a tempo uma tecnologia capaz de evitar uma possível colisão do Apophis
com a Terra", diz Monica Grady, especialista em meteoritos da Open University,
na Inglaterra. Entre os cientistas, não faltam idéias sobre como
evitar a colisão do asteróide. O problema é chegar a um consenso
sobre a mais adequada. A Agência Espacial Européia vem desenvolvendo
o projeto de dois satélites irmãos que se encarregariam da missão.
O primeiro deles se chocaria com o asteróide, alterando sua órbita
e tirando-o da rota de colisão com a Terra. O segundo observaria a manobra
e mediria seu sucesso. Outra possibilidade é lançar uma nave com
um artefato nuclear capaz de destruir o asteróide enquanto ele ainda se
encontra longe da Terra. Enquanto não se decide a melhor forma de afastar
o perigo, os astrônomos monitoram atentamente o percurso do Apophis, refazendo
constantemente os cálculos para estabelecer sua órbita com a maior
precisão possível. |