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Medicina
A máquina que faz
cola. De sangue
Cirurgiões brasileiros já contam
com o aparelho que fabrica
uma substância cicatrizante

Giuliana Bergamo
Fotos Roberto Setton
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| O aparelho Magellan: cola de sangue em vinte
minutos, com baixo risco de contaminação |
No início dos anos 90,
médicos americanos desenvolveram a cola de sangue
ou cola autógena, como é conhecida no jargão
médico. Criada para evitar hemorragias e controlar sangramentos
durante cirurgias, ela potencializa o processo natural de reconstituição
dos tecidos. Destinada sobretudo a operações plásticas,
odontológicas e ortopédicas, a cola de sangue reduz,
por exemplo, o tempo de recuperação de uma cirurgia
estética de face de duas semanas para sete dias. "A cola
funciona como um curativo inteligente", diz o cirurgião-dentista
Renato Rossi, pesquisador da Universidade de São Paulo. Apesar
de todos os benefícios oferecidos pela cola de sangue, seu
uso era bastante restrito. Isso porque seu preparo que deve
ocorrer durante a cirurgia exigia mão-de-obra ultra-especializada.
Além disso, sua fabricação oferecia riscos
de contaminação, já que era quase toda manual.
Uma máquina recém-chegada ao Brasil elimina esses
inconvenientes. Fabricada pela empresa americana Medtronic, a Magellan
faz a cola de sangue em apenas vinte minutos e com baixíssimo
risco de contaminação. Ao médico basta colher
60 mililitros de sangue do paciente, injetá-los na máquina,
apertar um botão e esperar que no fim do processo saia dela
uma seringa com um concentrado de plaquetas, a parte do sangue responsável
pela coagulação e pela reconstituição
dos tecidos.
A cola de sangue, ou autógena,
é um aperfeiçoamento da cola de fibrina, uma proteína
que participa do processo de coagulação. A
diferença entre as duas é que a mais moderna é
feita única e exclusivamente com o sangue do próprio
paciente o que evita riscos de contaminação.
A versão mais antiga é elaborada a partir de uma mistura
de compostos humanos de doador e proteínas bovinas. Quando
a cola de fibrina foi criada, nos anos 80, não havia tecnologia
capaz de prepará-la durante a cirurgia, com material do próprio
paciente. Além dessas duas colas, existem outras substâncias
que fazem as vezes de "curativos inteligentes". Uma delas é
uma gelatina de colágeno de porco e a outra, um gel sintético
(veja quadro).
De consistência gelatinosa,
a cola autógena é colocada diretamente sobre o corte
que se quer fechar. Com uma concentração de plaquetas
seis vezes maior do que a do sangue, ela promove quase que instantaneamente
a coagulação na área machucada. Com isso, o
trabalho do cirurgião torna-se mais simples e a recuperação
do paciente, mais rápida.
Fontes: Renato Rossi e Luiz Augusto
Auersvald, cirurgiões
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