Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

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Medicina
A máquina que faz
cola. De sangue

Cirurgiões brasileiros já contam
com o aparelho que fabrica
uma substância cicatrizante


Giuliana Bergamo


Fotos Roberto Setton
O aparelho Magellan: cola de sangue em vinte minutos, com baixo risco de contaminação

No início dos anos 90, médicos americanos desenvolveram a cola de sangue – ou cola autógena, como é conhecida no jargão médico. Criada para evitar hemorragias e controlar sangramentos durante cirurgias, ela potencializa o processo natural de reconstituição dos tecidos. Destinada sobretudo a operações plásticas, odontológicas e ortopédicas, a cola de sangue reduz, por exemplo, o tempo de recuperação de uma cirurgia estética de face de duas semanas para sete dias. "A cola funciona como um curativo inteligente", diz o cirurgião-dentista Renato Rossi, pesquisador da Universidade de São Paulo. Apesar de todos os benefícios oferecidos pela cola de sangue, seu uso era bastante restrito. Isso porque seu preparo – que deve ocorrer durante a cirurgia – exigia mão-de-obra ultra-especializada. Além disso, sua fabricação oferecia riscos de contaminação, já que era quase toda manual. Uma máquina recém-chegada ao Brasil elimina esses inconvenientes. Fabricada pela empresa americana Medtronic, a Magellan faz a cola de sangue em apenas vinte minutos e com baixíssimo risco de contaminação. Ao médico basta colher 60 mililitros de sangue do paciente, injetá-los na máquina, apertar um botão e esperar que no fim do processo saia dela uma seringa com um concentrado de plaquetas, a parte do sangue responsável pela coagulação e pela reconstituição dos tecidos.

A cola de sangue, ou autógena, é um aperfeiçoamento da cola de fibrina, uma proteína que participa do processo de coagulação. A diferença entre as duas é que a mais moderna é feita única e exclusivamente com o sangue do próprio paciente – o que evita riscos de contaminação. A versão mais antiga é elaborada a partir de uma mistura de compostos humanos de doador e proteínas bovinas. Quando a cola de fibrina foi criada, nos anos 80, não havia tecnologia capaz de prepará-la durante a cirurgia, com material do próprio paciente. Além dessas duas colas, existem outras substâncias que fazem as vezes de "curativos inteligentes". Uma delas é uma gelatina de colágeno de porco e a outra, um gel sintético (veja quadro).

De consistência gelatinosa, a cola autógena é colocada diretamente sobre o corte que se quer fechar. Com uma concentração de plaquetas seis vezes maior do que a do sangue, ela promove quase que instantaneamente a coagulação na área machucada. Com isso, o trabalho do cirurgião torna-se mais simples e a recuperação do paciente, mais rápida.




Fontes: Renato Rossi e Luiz Augusto Auersvald, cirurgiões

 
 
 
 
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