Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

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Internet
Impressões faciais

Está perto o dia em que será possível localizar um rosto em fotos espalhadas pela rede


Paula Aoyagui

NESTA REPORTAGEM
Cara a cara

Atualmente em fase de testes, o programa Riya vai colocar em breve ao alcance dos internautas uma tecnologia parecida com a dos sistemas de reconhecimento facial usados pela polícia e por empresas de segurança em várias partes do mundo. Num primeiro passo, o programa identifica rostos em meio aos vários elementos de uma imagem. Em seguida, ele se vale de uma ampla gama de variáveis para determinar a "impressão facial" de uma pessoa. São necessárias ao menos dez fotos-matrizes para que o programa comece a ter eficiência. Uma vez que a impressão facial esteja consolidada, o programa se torna capaz de identificar o sujeito em qualquer documento acrescentado ao banco de dados. Quando o site entrar em funcionamento, ele será, antes de mais nada, um organizador automático de fotos. Seus usuários poderão criar álbuns sem ter de legendar cada novo retrato da namorada ou cada novo registro das farras com os amigos: os rostos serão imediatamente identificados e catalogados. Essa ferramenta aparentemente singela tem, no entanto, um potencial explosivo. Pela primeira vez é possível imaginar um serviço de busca de fotos na vastidão da internet sem que se dependa de palavras-chave. E é exatamente nessa direção que apontam as pesquisas de Munjal Shah, americano de 32 anos responsável pela criação do Riya. "Vamos começar trabalhando num banco de dados restrito, mas nosso projeto futuro é vasculhar toda a rede", disse o programador a VEJA.

O trabalho de Shah atraiu a atenção dos grandes serviços de busca. Na semana passada, era forte o rumor de que o Google teria comprado o Riya por 40 milhões de dólares. O objetivo seria avançar na batalha pela liderança nos serviços de organização de imagens. O Yahoo!, no momento, faz sucesso com o Flickr, uma comunidade de troca de fotos na internet, e a tecnologia do Riya permitiria ao Google contra-atacar. A compra, no entanto, seria também o reconhecimento de que a ferramenta criada por Shah pode ser revolucionária.

A hipótese de que seja possível rastrear imagens de qualquer um na internet já fez surgir uma discussão sobre direito à privacidade. Na versão inicial do Riya, que entrará em funcionamento em breve, o mecanismo de identificação facial vai operar somente no álbum de fotografias de cada usuário. Mas, à medida que o sistema permita vasculhar a rede, nada impedirá que alguém seja identificado, por exemplo, na foto de uma passeata política. Shah se defende: "O objetivo do Riya não é espionar. Numa internet que tem cada vez mais imagens, as vantagens de uma ferramenta de busca com esse potencial são inestimáveis".

 
 
 
 
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