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Internet Impressões
faciais Está perto o dia em que
será possível localizar um rosto em fotos espalhadas pela rede  Paula
Aoyagui
Atualmente
em fase de testes, o programa Riya vai colocar em breve ao alcance dos internautas
uma tecnologia parecida com a dos sistemas de reconhecimento facial usados pela
polícia e por empresas de segurança em várias partes do mundo.
Num primeiro passo, o programa identifica rostos em meio aos vários elementos
de uma imagem. Em seguida, ele se vale de uma ampla gama de variáveis para
determinar a "impressão facial" de uma pessoa. São necessárias
ao menos dez fotos-matrizes para que o programa comece a ter eficiência.
Uma vez que a impressão facial esteja consolidada, o programa se torna
capaz de identificar o sujeito em qualquer documento acrescentado ao banco de
dados. Quando o site entrar em funcionamento, ele será, antes de mais nada,
um organizador automático de fotos. Seus usuários poderão
criar álbuns sem ter de legendar cada novo retrato da namorada ou cada
novo registro das farras com os amigos: os rostos serão imediatamente identificados
e catalogados. Essa ferramenta aparentemente singela tem, no entanto, um potencial
explosivo. Pela primeira vez é possível imaginar um serviço
de busca de fotos na vastidão da internet sem que se dependa de palavras-chave.
E é exatamente nessa direção que apontam as pesquisas de
Munjal Shah, americano de 32 anos responsável pela criação
do Riya. "Vamos começar trabalhando num banco de dados restrito, mas nosso
projeto futuro é vasculhar toda a rede", disse o programador a VEJA.
O trabalho de Shah atraiu a atenção dos grandes serviços
de busca. Na semana passada, era forte o rumor de que o Google teria comprado
o Riya por 40 milhões de dólares. O objetivo seria avançar
na batalha pela liderança nos serviços de organização
de imagens. O Yahoo!, no momento, faz sucesso com o Flickr, uma comunidade de
troca de fotos na internet, e a tecnologia do Riya permitiria ao Google contra-atacar.
A compra, no entanto, seria também o reconhecimento de que a ferramenta
criada por Shah pode ser revolucionária.
A hipótese de que seja possível rastrear imagens de qualquer um
na internet já fez surgir uma discussão sobre direito à privacidade.
Na versão inicial do Riya, que entrará em funcionamento em breve,
o mecanismo de identificação facial vai operar somente no álbum
de fotografias de cada usuário. Mas, à medida que o sistema permita
vasculhar a rede, nada impedirá que alguém seja identificado, por
exemplo, na foto de uma passeata política. Shah se defende: "O objetivo
do Riya não é espionar. Numa internet que tem cada vez mais imagens,
as vantagens de uma ferramenta de busca com esse potencial são inestimáveis". |