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Estilo O
novo brilho do cristal Pedras de pouco
valor, o cristal-de-rocha e os quartzos coloridos ganham status, tamanho
e preço de jóias  Bel
Moherdaui Fotos
Otavio Dias de Oliveira
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 | USAR
E APARECER Tudo grande: a lapidação
de pedras maiores e mais macias permite formas e dimensões extravagantes
em anéis, pingentes, colares e brincos |
As jazidas no Brasil são inesgotáveis
e, de tão abundantes, eles são vendidos a granel, enfeitando bijuterias
e objetos de gosto duvidoso quem nunca viu os "cachos de uva" e as colherinhas
de café com cristais coloridos acoplados? Esse currículo modesto
sobrevive em lojas de lembranças para turistas, mas o cristal fosco ou
transparente e o quartzo colorido, pedras de muito efeito e pouco valor, estão
fazendo uma carreira paralela e ascendente. Lapidados, polidos, rodeados
de ouro e, freqüentemente, de alguns brilhantes também, eles estão
se propagando pelas joalherias. É difícil ver alguma coleção
de jóias, hoje, que não tenha peças feitas com essas pedras.
Com o tratamento nobre, sua beleza intrínseca é ressaltada
e o preço acompanha. "Ninguém mais agüentava ver o quartzo
como bico do tucano. Nos últimos anos, ele foi transportado de um ambiente
de semijóias e folheados para o contexto da joalheria", analisa Regina
Machado, consultora de estilo do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos.
"Na última feira da Basiléia, a mistura de gemas de valores diferentes,
como quartzo com ouro e diamante, foi uma tendência evidente."
Devido à abundância e às dimensões consideráveis
das pedras em estado bruto, o quartzo incolor conhecido como cristal-de-rocha
, o fumê (amarronzado) e o rosa podem ser lapidados numa vasta gama
de tamanhos e formatos. "Além de mais macio e fácil de lapidar,
o quartzo permite que se arrisque uma lapidação mais exótica,
sem correr o risco de perder uma peça de grande valor", explica Christian
Hallot, representante da rede de joalherias H. Stern. Por isso, é possível
encontrá-lo nas jóias em lapidações tradicionais,
como gota, brilhante e esmeralda (retangular, com as bordas arredondadas), e também
na forma de figa, coração, crucifixo e até borboleta. "As
peças com cristal não ficam calcadas em construções
simétricas, regulares, puras e limpas. Elas brincam com a marca deixada
pela natureza. Dessa forma, o meu anel jamais será igual ao seu", diz Hallot.
Até por isso, o que antes era visto como defeito da pedra, como os rutílios
(riscos coloridos em seu interior), hoje é valorizado. Em casos extremos,
como na coleção In Natura, da Dryzun, aproveita-se inclusive a falta
de acabamento da pedra bruta (um par de brincos dessa linha, com ouro e pequenos
diamantes, custa 3.129 reais). O resultado são jóias em tamanho
alentado, bem vistosas e de grande efeito. "São peças que agradam
à mulher mais descolada; a tradicional prefere desenhos mais discretos",
diz o designer José Carlos Guerreiro, que cobra 2.633 reais por um colar
com pingente-penca de bolas de ouro e cristal.  EM
BOA COMPANHIA Transparente ou colorido, o
quartzo de joalheria vem acompanhado de ouro e brilhantes; quanto mais, claro,
mais caro |  | |
Usar
jóias tamanho GG requer alguns cuidados. "Convém privilegiar no
máximo dois pontos brinco e anel, por exemplo , com uma terceira,
se houver, muito discreta", aconselha o designer Jack Vartanian, responsável
pelos estonteantes brincos pendentes de quartzo fumê e diamantes na foto
acima (9.240 reais). Preços desse quilate impressionam, pois entram na
composição os acompanhamentos valiosos e a assinatura do joalheiro,
mas a grande vantagem das peças com quartzo é justamente baixar
o valor da conta. "Um dos motivos da entrada do quartzo no mundo das jóias
foi o fato de o mundo em geral estar mais pobre, o que forçou a indústria
do luxo a desenvolver produtos com custo mais baixo", diz Deborah Rosenblit, designer
da Vivara. Para efeito de comparação, um anel de ouro com um respeitável
diamante de 3 quilates sai por volta de 150.000 reais. Já um de ouro com
cristal-de-rocha de 40 quilates, um "farol" do tipo que vira cabeças, fica
em torno de 3.000 reais. Como em jóias os zeros antes da vírgula
não conhecem limites, o peso da grife e o trabalho de joalheria podem esquentar
tremendamente a conta: um colar Tiffany com cinqüenta bolas de cristal-de-rocha
num fio de seda (foto acima à direita) custa 29.889 reais e o fabuloso
broche em formato de estrela da H. Stern (foto acima à esquerda),
com sessenta brilhantes conhaque e uma pedra de cristal-de-rocha de 40,65 quilates,
leva na etiqueta o valor de 46.800 reais. A propósito, onde será
que ficou guardado o tal tucano de bico cristalino? |