Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

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Estilo
O novo brilho do cristal

Pedras de pouco valor, o cristal-de-rocha
e os quartzos coloridos ganham status,
tamanho e preço de jóias


Bel Moherdaui

 
Fotos Otavio Dias de Oliveira

USAR E APARECER
Tudo grande: a lapidação de pedras maiores e mais macias permite formas e dimensões extravagantes em anéis, pingentes, colares e brincos

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Outras imagens de jóias

As jazidas no Brasil são inesgotáveis e, de tão abundantes, eles são vendidos a granel, enfeitando bijuterias e objetos de gosto duvidoso – quem nunca viu os "cachos de uva" e as colherinhas de café com cristais coloridos acoplados? Esse currículo modesto sobrevive em lojas de lembranças para turistas, mas o cristal fosco ou transparente e o quartzo colorido, pedras de muito efeito e pouco valor, estão fazendo uma carreira paralela – e ascendente. Lapidados, polidos, rodeados de ouro e, freqüentemente, de alguns brilhantes também, eles estão se propagando pelas joalherias. É difícil ver alguma coleção de jóias, hoje, que não tenha peças feitas com essas pedras. Com o tratamento nobre, sua beleza intrínseca é ressaltada – e o preço acompanha. "Ninguém mais agüentava ver o quartzo como bico do tucano. Nos últimos anos, ele foi transportado de um ambiente de semijóias e folheados para o contexto da joalheria", analisa Regina Machado, consultora de estilo do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos. "Na última feira da Basiléia, a mistura de gemas de valores diferentes, como quartzo com ouro e diamante, foi uma tendência evidente."

Devido à abundância e às dimensões consideráveis das pedras em estado bruto, o quartzo incolor – conhecido como cristal-de-rocha –, o fumê (amarronzado) e o rosa podem ser lapidados numa vasta gama de tamanhos e formatos. "Além de mais macio e fácil de lapidar, o quartzo permite que se arrisque uma lapidação mais exótica, sem correr o risco de perder uma peça de grande valor", explica Christian Hallot, representante da rede de joalherias H. Stern. Por isso, é possível encontrá-lo nas jóias em lapidações tradicionais, como gota, brilhante e esmeralda (retangular, com as bordas arredondadas), e também na forma de figa, coração, crucifixo e até borboleta. "As peças com cristal não ficam calcadas em construções simétricas, regulares, puras e limpas. Elas brincam com a marca deixada pela natureza. Dessa forma, o meu anel jamais será igual ao seu", diz Hallot. Até por isso, o que antes era visto como defeito da pedra, como os rutílios (riscos coloridos em seu interior), hoje é valorizado. Em casos extremos, como na coleção In Natura, da Dryzun, aproveita-se inclusive a falta de acabamento da pedra bruta (um par de brincos dessa linha, com ouro e pequenos diamantes, custa 3.129 reais). O resultado são jóias em tamanho alentado, bem vistosas e de grande efeito. "São peças que agradam à mulher mais descolada; a tradicional prefere desenhos mais discretos", diz o designer José Carlos Guerreiro, que cobra 2.633 reais por um colar com pingente-penca de bolas de ouro e cristal.

 

EM BOA COMPANHIA
Transparente ou colorido, o quartzo de joalheria vem acompanhado de ouro e brilhantes; quanto mais, claro, mais caro

Usar jóias tamanho GG requer alguns cuidados. "Convém privilegiar no máximo dois pontos – brinco e anel, por exemplo –, com uma terceira, se houver, muito discreta", aconselha o designer Jack Vartanian, responsável pelos estonteantes brincos pendentes de quartzo fumê e diamantes na foto acima (9.240 reais). Preços desse quilate impressionam, pois entram na composição os acompanhamentos valiosos e a assinatura do joalheiro, mas a grande vantagem das peças com quartzo é justamente baixar o valor da conta. "Um dos motivos da entrada do quartzo no mundo das jóias foi o fato de o mundo em geral estar mais pobre, o que forçou a indústria do luxo a desenvolver produtos com custo mais baixo", diz Deborah Rosenblit, designer da Vivara. Para efeito de comparação, um anel de ouro com um respeitável diamante de 3 quilates sai por volta de 150.000 reais. Já um de ouro com cristal-de-rocha de 40 quilates, um "farol" do tipo que vira cabeças, fica em torno de 3.000 reais. Como em jóias os zeros antes da vírgula não conhecem limites, o peso da grife e o trabalho de joalheria podem esquentar tremendamente a conta: um colar Tiffany com cinqüenta bolas de cristal-de-rocha num fio de seda (foto acima à direita) custa 29.889 reais e o fabuloso broche em formato de estrela da H. Stern (foto acima à esquerda), com sessenta brilhantes conhaque e uma pedra de cristal-de-rocha de 40,65 quilates, leva na etiqueta o valor de 46.800 reais. A propósito, onde será que ficou guardado o tal tucano de bico cristalino?

 
 
 
 
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