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Brasil
Os amigos ocultos
A Câmara absolve pelo voto secreto
deputado que pegou dinheiro ilegal

Alexandre Oltramari
Joedson Alves/AE
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| O deputado Queiroz, do PTB mineiro: ele diz
que o dinheiro era para a campanha de colegas... |
Estava indo bem demais para ser verdade. Na semana passada, a Câmara
dos Deputados livrou da cassação o deputado Romeu
Queiroz (PTB-MG). Com 250 votos contra a punição e
apenas 162 a favor, Queiroz escapou de perder o mandato e os direitos
políticos até 2015. Ele é o primeiro deputado
a se livrar da cassação tendo, comprovadamente, recebido
dinheiro clandestino do lobista Marcos Valério. Botou a mão
em 453.000 reais. É também o primeiro deputado cuja
absolvição em plenário contraria parecer do
Conselho de Ética, que recomendou sua cassação.
A decisão de inocentar Queiroz configura uma temeridade pelo
que decreta e pelo que sugere. O que decreta: que 250 deputados
acham que meter a mão em dinheiro clandestino é um
ato inocente. O que sugere: que os outros mensaleiros podem ser
tratados com a mesma benevolência e também ser inocentados.
Afinal, se um parlamentar leva 453.000 reais e é inocentado,
por que outros deverão ser condenados?

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Até agora, dos dezenove
deputados acusados de envolvimento com o escândalo do mensalão,
quatro renunciaram, dois foram cassados e dois, absolvidos. Os outros
onze que restam ainda aguardam julgamento e nenhum deles
esconde que sacou dinheiro na boca do caixa do valerioduto, à
exceção do deputado Vadão Gomes, que jura jamais
ter embolsado recurso ilícito algum. Como Queiroz, os mensaleiros
afirmam que não usaram o dinheiro em benefício pessoal,
mas em campanhas eleitorais próprias ou de aliados. O deputado
mineiro, por exemplo, disse que era um "inocente útil" do
valerioduto, pois não ficou com um único centavo para
si e repassou todo o dinheiro ao partido e a campanhas de candidatos
a prefeito do PTB em Minas Gerais, em 2004. O argumento é
uma estupidez, na medida em que sugere que o crime deve ser atenuado
dependendo do destino que se dá ao seu produto sendo
que, neste caso, definitivamente não existe um Robin Hood.
Mas, como os deputados estavam decididos a inocentar Queiroz, qualquer
besteira bastaria. A questão é saber se essa disposição
para a impunidade vai permanecer nas futuras votações.
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