BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2035

21 de novembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Cinema
O dom do conflito

Uma mostra com seis títulos inéditos confirma que
os diretores italianos estão recuperando seu vigor

Divulgação
Cena de Il Dolce e l’Amaro: um cinema com vocação para o embate

Se cada cinema tem uma vocação – por exemplo, o americano para a ação, o francês para os relacionamentos –, a dos diretores italianos está certamente no conflito, sejam suas tintas fortes as sociais, as históricas ou as pessoais. Esse é o traço comum mais evidente entre os títulos da mostra Venezia Cinema Italiano III. Com ciclos em São Paulo (de 22 a 28 de novembro), Rio de Janeiro (de 26 de novembro a 2 de dezembro), Brasília (de 6 a 12 de dezembro) e, nesta sua terceira edição, também no Recife (de 30 de novembro a 4 de dezembro), o evento trará ao país seis filmes que integraram o último Festival de Veneza, em setembro, e ainda estão inéditos no circuito comercial brasileiro. A programação inclui uma versão restaurada de A Estratégia da Aranha, de 1970 – um dos grandes trabalhos de Bernardo Bertolucci, que há muito tempo não é exibido aqui, sobre as descobertas de um filho que investiga a morte do pai, tido em seu povoado como um herói da luta contra o fascismo.

Os temas representados na mostra (patrocinada pela Embaixada da Itália no Brasil, em conjunto com outras entidades) vão do mais íntimo ao mais abrangente. Na primeira categoria podem-se incluir La Ragazza del Lago (A Garota do Lago), sobre como o seqüestro de uma menina traz à tona tensões latentes dentro de uma pequena cidade; Non Pensarci (Nem Pensar), em que um músico que teve seus cinco minutos de fama como astro punk se vê chegando à meia-idade sem nada além de uma família desajustada; e Valzer, feito em um único plano sem cortes – uma façanha técnica –, no qual dois personagens passam por uma guinada na vida.

Entrechos clássicos surgem em L’Ora di Punta (O Horário de Pico), sobre a ascensão fulminante, por meios escusos, de um jovem de origem humilde; em Hotel Meina, que recupera o episódio verídico da chegada da SS nazista a um hotel de Lago Maggiore no qual está hospedado um grupo de judeus; e em Il Dolce e l’Amaro (O Doce e o Amargo), sobre como um rapaz pobre é cooptado por um mafioso. A outra característica que une esses títulos, mais ainda do que seus enredos, é a sua vitalidade: depois de um período de prestígio em declínio, nos anos 80 e 90, a cinematografia italiana vem reconquistando o vigor que a tornara uma das mais influentes do mundo entre as décadas de 50 e 70, com o movimento neo-realista, o cinema político e a obra de tons existenciais de cineastas como Federico Fellini e Michelangelo Antonioni. Não por acaso, todas correntes assentadas sobre a noção de que o conflito é um estado primordial do homem e da civilização.


Publicidade

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |