|
|
Show
Cala a boca e toca
O DJ americano Moby fala muita besteira.
Até parece o brasileiro José Miguel Wisnik

Sérgio Martins
Reutes
 |
| Moby: depois de pedir perdão a Chávez, só
falta dizer que "Big Bang" é uma apropriação anglo-saxã da origem
do universo |
Bons tempos em que os artistas da música pop destruíam
quartos de hotel, vestiam roupas de couro e mordiscavam cabeças
de morcego. Hoje, eles estão mais preocupados em seguir a
cartilha do politicamente correto e se tornaram uns chatos
de galochas. O caso mais emblemático é o do cantor
e DJ americano Moby, que faz shows nesta semana em São Paulo,
Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Fenômeno da música
eletrônica, ele foi responsável por um dos lançamentos
mais bem-sucedidos do gênero até hoje: o disco Play,
de 1999, que vendeu mais de 10 milhões de cópias.
Além disso, é um produtor requisitado por artistas
em busca de um toque moderninho. Já fez versões dançantes
de canções de David Bowie, B-52's e Blur. Moby é
um músico versátil e grande melodista mas,
quando abre a boca para emitir opiniões, é um desastre.
Há cerca de treze dias, ele deu um show de demagogia em Caracas,
na Venezuela. Numa apresentação, pediu "desculpas"
pelo fato de os Estados Unidos terem um presidente como George W.
Bush. "É um doido que está transformando meu país
numa nação perigosa", disse. Moby tem, é claro,
todo o direito de se expressar direito que o presidente venezuelano
Hugo Chávez, um doido de carteirinha vermelha, gostaria de
eliminar em seu país.
Ele diz tanta besteira que até
parece o brasileiro José Miguel Wisnik aquele sujeito
que acredita que o termo "Big Bang" é uma apropriação
anglo-saxã da origem do universo. Vegetariano radical e defensor
dos animais, Moby cultiva manias esquisitas e chatérrimas,
é claro. Sua lista de exigências costuma ser uma dor
de cabeça para os promotores de shows. Ele segue à
risca uma dieta à base de bacon vegetal, brócolis,
gengibre e espaguete. Sempre que se hospeda num hotel, Moby pede
que sejam retirados os objetos de couro, peças de lã
e travesseiros com penas de ganso, pois não suporta a idéia
de descansar à custa do sofrimento dos bichinhos. "Sou um
ser humano complicado", reconhece. O chatonildo Moby ganhou desafetos
como o rapper Eminem, que já o chamou de "gayzinho" e surrou
um clone seu num clipe. Como não perde a pose de sujeito
boa-praça, Moby o perdoou.
Richard Melville Hall é
descendente do escritor Herman Melville, autor do clássico
Moby Dick daí o apelido Moby, que tem desde
os tempos de escola. Ele viveu uma infância infeliz. Quando
tinha 2 anos, seu pai morreu num acidente. Mudou-se, então,
de Manhattan para um subúrbio. No início da carreira,
Moby promovia festas de arromba no seu apartamento, em Nova York.
As reuniões que tinham convidadas como as atrizes
Natalie Portman e Christina Ricci eram movidas a drogas e
sexo livre. Hoje, aos 40 anos, Moby garante que largou os vícios.
Dedica-se à sua casa de chá e à sua grife de
roupas, a Little Idiot ("Pequeno Idiota"). Um nome sugestivo.
|