Edição 1923 . 21 de setembro de 2005

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Show
Cala a boca e toca

O DJ americano Moby fala muita besteira.
Até parece o brasileiro José Miguel Wisnik


Sérgio Martins

Reutes
Moby: depois de pedir perdão a Chávez, só falta dizer que "Big Bang" é uma apropriação anglo-saxã da origem do universo


Bons tempos em que os artistas da música pop destruíam quartos de hotel, vestiam roupas de couro e mordiscavam cabeças de morcego. Hoje, eles estão mais preocupados em seguir a cartilha do politicamente correto – e se tornaram uns chatos de galochas. O caso mais emblemático é o do cantor e DJ americano Moby, que faz shows nesta semana em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Fenômeno da música eletrônica, ele foi responsável por um dos lançamentos mais bem-sucedidos do gênero até hoje: o disco Play, de 1999, que vendeu mais de 10 milhões de cópias. Além disso, é um produtor requisitado por artistas em busca de um toque moderninho. Já fez versões dançantes de canções de David Bowie, B-52's e Blur. Moby é um músico versátil e grande melodista – mas, quando abre a boca para emitir opiniões, é um desastre. Há cerca de treze dias, ele deu um show de demagogia em Caracas, na Venezuela. Numa apresentação, pediu "desculpas" pelo fato de os Estados Unidos terem um presidente como George W. Bush. "É um doido que está transformando meu país numa nação perigosa", disse. Moby tem, é claro, todo o direito de se expressar – direito que o presidente venezuelano Hugo Chávez, um doido de carteirinha vermelha, gostaria de eliminar em seu país.

Ele diz tanta besteira que até parece o brasileiro José Miguel Wisnik – aquele sujeito que acredita que o termo "Big Bang" é uma apropriação anglo-saxã da origem do universo. Vegetariano radical e defensor dos animais, Moby cultiva manias esquisitas – e chatérrimas, é claro. Sua lista de exigências costuma ser uma dor de cabeça para os promotores de shows. Ele segue à risca uma dieta à base de bacon vegetal, brócolis, gengibre e espaguete. Sempre que se hospeda num hotel, Moby pede que sejam retirados os objetos de couro, peças de lã e travesseiros com penas de ganso, pois não suporta a idéia de descansar à custa do sofrimento dos bichinhos. "Sou um ser humano complicado", reconhece. O chatonildo Moby ganhou desafetos como o rapper Eminem, que já o chamou de "gayzinho" e surrou um clone seu num clipe. Como não perde a pose de sujeito boa-praça, Moby o perdoou.

Richard Melville Hall é descendente do escritor Herman Melville, autor do clássico Moby Dick – daí o apelido Moby, que tem desde os tempos de escola. Ele viveu uma infância infeliz. Quando tinha 2 anos, seu pai morreu num acidente. Mudou-se, então, de Manhattan para um subúrbio. No início da carreira, Moby promovia festas de arromba no seu apartamento, em Nova York. As reuniões – que tinham convidadas como as atrizes Natalie Portman e Christina Ricci – eram movidas a drogas e sexo livre. Hoje, aos 40 anos, Moby garante que largou os vícios. Dedica-se à sua casa de chá e à sua grife de roupas, a Little Idiot ("Pequeno Idiota"). Um nome sugestivo.

 
 
 
 
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