|
|
Internacional Um
fiasco mundial O escândalo
do mensalão esconde a mais desastrosa política externa da
história brasileira Orlando
Sierra/AFP
 | | Marco
Aurélio, Lula e Amorim na ONU: eles queriam prestígio, mas só colecionam derrotas
internacionais |
De todas
as mistificações do governo Lula, a política externa foi
a mais ruinosa. Ao assumir, o presidente e seus colaboradores diretos nesse assunto
o chanceler Celso Amorim, o secretário-geral do Itamaraty, Samuel
Pinheiro Guimarães, e o assessor especial Marco Aurélio Garcia
anunciaram uma nova era. A diretriz petista foi a de romper com o passado pragmático
da diplomacia brasileira e dar prioridade à busca de uma posição
de liderança entre os países em desenvolvimento. Desde o barão
do Rio Branco, a tradição do Itamaraty era dimensionar com realismo
os recursos do Brasil e traçar estratégias políticas com
base nos interesses concretos do país, em lugar de se ater a ideologias
ou parcerias infundadas. Ao focar sua estratégia numa "política
de prestígio" terceiro-mundista, o Itamaraty deixou de lado os interesses
da economia e não conseguiu nenhum benefício político
concreto. O ministro Amorim discorda, como é possível ler na entrevista
abaixo, mas o PT produziu a mais desastrosa política externa da história
brasileira. Isso é possível conferir na lista a seguir, que reúne
as derrotas mais recentes da diplomacia nacional.
1. Conselho de Segurança da ONU O Brasil
uniu-se à Alemanha, ao Japão e à Índia para reivindicar
um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações
Unidas. Foi a prioridade da diplomacia nacional nos últimos dois anos.
Em troca da promessa de apoio, o Brasil reconheceu a China como uma economia de
mercado, coisa que ela não é. Também perdoou dívidas
de países africanos, no valor de 350 milhões de dólares (o
dobro do que o governo investiu em cultura no ano passado). Para agradar aos países
árabes, absteve-se de condenar o genocídio no Sudão e assinou
uma declaração que, em última análise, considera democracia
e direitos humanos valores relativos. O
resultado: A China uniu-se aos Estados Unidos para descartar o projeto brasileiro
de se sentar no Conselho de Segurança. O México e a Argentina deixaram
claro que jamais aceitariam a liderança do Brasil. Africanos e árabes
também ficaram contra. 2.
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) Para consolidar sua aspiração
a líder regional, o Brasil apresentou a candidatura do ex-ministro João
Sayad à presidência da instituição. Confiou que teria
os votos dos países do Mercosul, da Venezuela e dos países caribenhos
que o coronel Hugo Chávez compra com o petróleo barato.
O resultado: Paraguai, Uruguai e os países do
Caribe votaram no colombiano Luis Alberto Moreno, apoiado pelos Estados Unidos.
3. Organização
Mundial do Comércio (OMC) Em busca de prestígio internacional,
o Brasil tentou eleger o embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa diretor-geral
da organização. Para isso, rompeu um acordo com os uruguaios e tentou
atrair votos de países da África, do Oriente Médio e da América
do Sul. O resultado: Foi eleito
o francês Pascal Lamy. Entre os latino-americanos, só o Panamá
votou com o Brasil. 4. Negociações
com a China Ao reconhecer a China como uma economia de mercado, o Brasil
perdeu a liberdade para adotar salvaguardas contra as importações
chinesas, com prejuízo para a indústria brasileira. Neste ano, as
importações da China cresceram oito vezes mais que as exportações
brasileiras para lá. O resultado:
A China declarou-se contra o plano brasileiro de ocupar uma cadeira permanente
no Conselho de Segurança. Pequim também não deixou de boicotar
as compras de soja brasileira para forçar a queda dos preços.
5. Comunidade Sul-Americana de Nações
Ansioso por consolidar sua pretensa liderança regional, o governo do PT
convocou o lançamento do organismo sem ter o apoio prévio dos participantes.
O resultado: Quatro dos doze
presidentes faltaram à cerimônia. A Comunidade nunca se tornou realidade.
6. Força de paz no
Haiti O governo brasileiro avaliou que a missão militar ficaria
no máximo seis meses na ilha, tempo necessário para pacificar o
país. Ou seja, que seria fácil e sem riscos.
O resultado A violência escapou ao controle,
e a permanência militar prolongada trouxe o desgaste inevitável com
a população local. Os Estados Unidos acham os militares brasileiros
despreparados para a missão. Só
mesmo o governo Lula iria se meter no beco sem saída do Haiti e acreditar
que se tratava de um atalho para o Conselho de Segurança da ONU.
"Não se pode renunciar à grandeza"
O chanceler Celso Amorim conversou com o editor Diogo Schelp sobre a política
externa brasileira QUAIS
OS OBJETIVOS DA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA? As prioridades são
a América do Sul, o reforço do Mercosul, a aproximação
com a África, a cooperação com os grandes países em
desenvolvimento, o reequilíbrio nas negociações da Alca,
que a nosso ver estavam desequilibradas, e a reforma da ONU.
EM QUAL DESSAS METAS O BRASIL AVANÇOU MAIS?
Na integração da América do Sul. Não só criamos
a Comunidade Sul-Americana de Nações, como a base para que o comércio
aumentasse 50% em um ano e 40% no outro. FOI
EM VÃO O ESFORÇO DO BRASIL PARA GANHAR UM ASSENTO PERMANENTE NO
CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU? É errado dizer que o Brasil
sofreu uma derrota. Estamos buscando reformar um organismo internacional e estamos
avançando. É impressionante como tem gente no Brasil torcendo contra.
Isso não acontece no Japão, na Alemanha ou na Índia, só
no Brasil. QUAIS SÃO
OS MOTIVOS PELOS QUAIS VALE A PENA SER MEMBRO PERMANENTE DO CONSELHO DE SEGURANÇA?
Trata-se de uma busca de maior equilíbrio nas relações internacionais
e de estar no centro de decisões mais importante que existe. Esse tipo
de vantagem não se mede em dinheiro. Há muita coisa na vida que
não se mede em dinheiro. ENTÃO,
O ÚNICO BENEFÍCIO É O PRESTÍGIO INTERNACIONAL QUE
O BRASIL GANHARIA? Se tivermos países em desenvolvimento no Conselho
de Segurança, a chance de esse organismo ser hostil a essas nações
será menor. O Brasil é candidato por ser o maior país da
América Latina, ter grande tradição diplomática, fronteiras
com dez países e nenhuma guerra há 130 anos. Algumas pessoas querem
diminuir o Brasil. Infelizmente para elas, o Brasil é grande. E não
pode renunciar à grandeza, como dizia o chanceler Azeredo da Silveira.
Você pode renunciar a muitas coisas, mas à grandeza não pode.
| | |