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VEJA Recomenda
DVDs
Desaparecidas (The Missing,
Estados Unidos, 2003. Columbia) Na década de 1880,
na aspereza do Oeste, Cate Blanchett é uma fazendeira de
gado e curandeira independente o suficiente para criar
as duas filhas sozinha e manter um relacionamento amoroso com seu
capataz sem se casar com ele. Quando uma de suas filhas é
raptada, a personagem tem de recorrer ao próprio pai
que adotou o modo de vida indígena, e a quem ela detesta
para reencontrar a garota. É verdade que o diretor
Ron Howard (de Uma Mente Brilhante) não tira da história
todo o proveito que ela merece. Ainda assim, o filme se sustenta,
e é injusto que ele esteja saindo diretamente em DVD. Para
compensar, o disco vem recheado de extras meticulosos, que incluem
um final alternativo e até alguns curtas caseiros de Howard.
Veja
cenas.
Highlander O Guerreiro Imortal
(Highlander, Estados Unidos/Inglaterra, 1986. Universal)
Nada mais anos 80 do que Christopher Lambert, a música
do Queen e cabelos com permanente todos elementos essenciais
dessa aventura meio cult e meio kitsch sobre uma linhagem de guerreiros
que só podem ser mortos mediante decapitação.
Sean Connery faz uma deliciosa aparição como o imortal
que ensina Connor MacLeod (Lambert) a dominar seus poderes, na Escócia
do século XVI, e o diretor australiano Russell Mulcahy exercita
todo o seu virtuosismo nas cenas de ação e nas engenhosas
passagens de tempo. O resultado é um bocado barulhento, mas
ainda hoje prazeroso muito mais do que as lamentáveis
continuações que pegaram carona no sucesso do filme.
DISCOS
Canção
Transparente, Olivia Hime (Biscoito Fino) O casal
Olivia e Francis Hime faz MPB com selo de garantia de qualidade.
Francis se ocupa da produção bastante criativa, ao
passo que Olivia é uma letrista talentosa e uma cantora de
voz mansa e agradável. Canção Transparente,
novo CD de Olivia, traz onze músicas buriladas pela dupla
e mais três composições arranjadas por terceiros
como o grupo de choro Tira Poeira e o quarteto instrumental
Maogani. Olivia passeia por diversos estilos. Certos arranjos pendem
para o blues, a canção Cinzas cruza o baião
com o tango de Astor Piazzolla e Meus Heróis é
uma versão de um standard americano com belos solos de flauta
e de harpa.
Stone Love, Angie Stone (BMG)
A americana Angie Stone é expoente do estilo conhecido
como neo-soul. Ela resgata a música negra dos anos 70 (e
o visual black power daqueles tempos), mas com a roupagem moderna
do hip hop. Terceiro disco da cantora, Stone Love tem o poder
de transportar o ouvinte para um baile funk de outras épocas.
O álbum está repleto de músicas na linha racha-assoalho,
além de baladas para dançar coladinho. Sobre os arranjos
bem resolvidos, sobressai o vozeirão potente mas nunca
dado a malabarismos exagerados da artista. Na faixa I
Wanna Thank Ya, ela faz um dueto com o rapper Snoop Dogg
e dá um banho no rapaz. Ouça
o disco.
Divulgação
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| Fountains of Wayne: rock do melhor |
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Welcome Interstate Managers, Fountains
of Wayne (EMI) No verão americano do ano passado,
o quinteto Fountains of Wayne causou sensação com
a música Stacy's Mom. Rock'n'roll de primeira, ela
conta a história de um adolescente que se apaixona pela mãe
de sua namorada o fato de o objeto de desejo ser interpretado
no clipe pela modelo Rachel Hunter, ex-mulher de Rod Stewart, contribuiu
para que a faixa se tornasse um hit. O Fountains of Wayne passa
longe do padrão adolescente que impera no gênero. Suas
bem-cuidadas harmonias vocais e a sonoridade das guitarras são
calcadas no melhor rock inglês dos anos 60. Mesmo para quem
não viveu essa época, é difícil resistir
às melodias do grupo.
LIVROS
Poemas
[1968-2000], de Francisco Alvim (Cosac & Naify e 7 Letras;
408 páginas; 50 reais) Na trilha de modernistas como
Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade,
Alvim é um desbravador da fala brasileira. Sem perder a tensão
lírica, seus poemas mostram uma coloquialidade ímpar
entre os poetas contemporâneos. Seu mais recente livro, Elefante,
de 2000, ainda pode ser encontrado nas livrarias, mas a obra anterior
do poeta com muitos títulos lançados em tiragens
pequenas ou marginais está esgotada. Em boa hora,
Poemas reúne toda a produção do autor.
Como João Cabral de Melo Neto, outro poeta que o influenciou,
Francisco Alvim é diplomata. Atualmente mora na Costa Rica.
Leia
trecho.
Dicionário
da Civilização Grega, de Claude Mossé
(tradução de Carlos Ramalhete e André Telles;
Jorge Zahar Editor; 304 páginas; 49,50 reais) Os mitos,
a tragédia, a comédia, a filosofia, a arquitetura
e, neste ano, não se pode esquecer as Olimpíadas:
o legado da cultura grega para o Ocidente é simplesmente
inestimável. O dicionário elaborado pela helenista
francesa Claude Mossé, professora das Universidades de Rennes
e Clermont-Ferrand, é um guia eficiente e compacto da Grécia
antiga. São 230 verbetes sobre os principais fatos, personagens
históricos, deuses e obras literárias. O livro é
incrementado por mapas e uma cronologia da história grega.
Monica Zarattini/AE
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| Michon: estréia tardia |
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Vidas Minúsculas, de Pierre
Michon (tradução de Mário Laranjeira; Estação
Liberdade; 216 páginas; 29 reais) Nascido em 1945,
o escritor francês só estreou na literatura perto dos
40 anos Vidas Minúsculas, de 1984, é
seu primeiro livro. Apesar de tardio, não poderia haver começo
melhor: vencedor do prêmio France Culture, o romance foi logo
reconhecido como uma obra-prima da literatura contemporânea
francesa. Construído a partir da rememoração
da vida no vilarejo de Creus, onde Michon nasceu e cresceu, o livro
incorpora histórias de familiares e de velhos amigos de liceu.
Dessa hábil mistura de ficção e memória
resulta um retrato ao mesmo tempo desolado e embriagado da província
francesa.
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