Edição 1863 . 21 de julho de 2004

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VEJA Recomenda

DVDs

Desaparecidas (The Missing, Estados Unidos, 2003. Columbia) – Na década de 1880, na aspereza do Oeste, Cate Blanchett é uma fazendeira de gado – e curandeira – independente o suficiente para criar as duas filhas sozinha e manter um relacionamento amoroso com seu capataz sem se casar com ele. Quando uma de suas filhas é raptada, a personagem tem de recorrer ao próprio pai – que adotou o modo de vida indígena, e a quem ela detesta – para reencontrar a garota. É verdade que o diretor Ron Howard (de Uma Mente Brilhante) não tira da história todo o proveito que ela merece. Ainda assim, o filme se sustenta, e é injusto que ele esteja saindo diretamente em DVD. Para compensar, o disco vem recheado de extras meticulosos, que incluem um final alternativo e até alguns curtas caseiros de Howard. Veja cenas.

Highlander – O Guerreiro Imortal (Highlander, Estados Unidos/Inglaterra, 1986. Universal) – Nada mais anos 80 do que Christopher Lambert, a música do Queen e cabelos com permanente – todos elementos essenciais dessa aventura meio cult e meio kitsch sobre uma linhagem de guerreiros que só podem ser mortos mediante decapitação. Sean Connery faz uma deliciosa aparição como o imortal que ensina Connor MacLeod (Lambert) a dominar seus poderes, na Escócia do século XVI, e o diretor australiano Russell Mulcahy exercita todo o seu virtuosismo nas cenas de ação e nas engenhosas passagens de tempo. O resultado é um bocado barulhento, mas ainda hoje prazeroso – muito mais do que as lamentáveis continuações que pegaram carona no sucesso do filme.

 

DISCOS

Canção Transparente, Olivia Hime (Biscoito Fino) – O casal Olivia e Francis Hime faz MPB com selo de garantia de qualidade. Francis se ocupa da produção bastante criativa, ao passo que Olivia é uma letrista talentosa e uma cantora de voz mansa e agradável. Canção Transparente, novo CD de Olivia, traz onze músicas buriladas pela dupla e mais três composições arranjadas por terceiros – como o grupo de choro Tira Poeira e o quarteto instrumental Maogani. Olivia passeia por diversos estilos. Certos arranjos pendem para o blues, a canção Cinzas cruza o baião com o tango de Astor Piazzolla e Meus Heróis é uma versão de um standard americano com belos solos de flauta e de harpa.

Stone Love, Angie Stone (BMG) – A americana Angie Stone é expoente do estilo conhecido como neo-soul. Ela resgata a música negra dos anos 70 (e o visual black power daqueles tempos), mas com a roupagem moderna do hip hop. Terceiro disco da cantora, Stone Love tem o poder de transportar o ouvinte para um baile funk de outras épocas. O álbum está repleto de músicas na linha racha-assoalho, além de baladas para dançar coladinho. Sobre os arranjos bem resolvidos, sobressai o vozeirão potente – mas nunca dado a malabarismos exagerados – da artista. Na faixa I Wanna Thank Ya, ela faz um dueto com o rapper Snoop Dogg – e dá um banho no rapaz. Ouça o disco.

 
Divulgação
Fountains of Wayne: rock do melhor  

Welcome Interstate Managers, Fountains of Wayne (EMI) – No verão americano do ano passado, o quinteto Fountains of Wayne causou sensação com a música Stacy's Mom. Rock'n'roll de primeira, ela conta a história de um adolescente que se apaixona pela mãe de sua namorada – o fato de o objeto de desejo ser interpretado no clipe pela modelo Rachel Hunter, ex-mulher de Rod Stewart, contribuiu para que a faixa se tornasse um hit. O Fountains of Wayne passa longe do padrão adolescente que impera no gênero. Suas bem-cuidadas harmonias vocais e a sonoridade das guitarras são calcadas no melhor rock inglês dos anos 60. Mesmo para quem não viveu essa época, é difícil resistir às melodias do grupo.

 

LIVROS

Poemas [1968-2000], de Francisco Alvim (Cosac & Naify e 7 Letras; 408 páginas; 50 reais) – Na trilha de modernistas como Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, Alvim é um desbravador da fala brasileira. Sem perder a tensão lírica, seus poemas mostram uma coloquialidade ímpar entre os poetas contemporâneos. Seu mais recente livro, Elefante, de 2000, ainda pode ser encontrado nas livrarias, mas a obra anterior do poeta – com muitos títulos lançados em tiragens pequenas ou marginais – está esgotada. Em boa hora, Poemas reúne toda a produção do autor. Como João Cabral de Melo Neto, outro poeta que o influenciou, Francisco Alvim é diplomata. Atualmente mora na Costa Rica. Leia trecho.

Dicionário da Civilização Grega, de Claude Mossé (tradução de Carlos Ramalhete e André Telles; Jorge Zahar Editor; 304 páginas; 49,50 reais) – Os mitos, a tragédia, a comédia, a filosofia, a arquitetura – e, neste ano, não se pode esquecer as Olimpíadas: o legado da cultura grega para o Ocidente é simplesmente inestimável. O dicionário elaborado pela helenista francesa Claude Mossé, professora das Universidades de Rennes e Clermont-Ferrand, é um guia eficiente e compacto da Grécia antiga. São 230 verbetes sobre os principais fatos, personagens históricos, deuses e obras literárias. O livro é incrementado por mapas e uma cronologia da história grega.

 
Monica Zarattini/AE
Michon: estréia tardia  

Vidas Minúsculas, de Pierre Michon (tradução de Mário Laranjeira; Estação Liberdade; 216 páginas; 29 reais) – Nascido em 1945, o escritor francês só estreou na literatura perto dos 40 anos – Vidas Minúsculas, de 1984, é seu primeiro livro. Apesar de tardio, não poderia haver começo melhor: vencedor do prêmio France Culture, o romance foi logo reconhecido como uma obra-prima da literatura contemporânea francesa. Construído a partir da rememoração da vida no vilarejo de Creus, onde Michon nasceu e cresceu, o livro incorpora histórias de familiares e de velhos amigos de liceu. Dessa hábil mistura de ficção e memória resulta um retrato ao mesmo tempo desolado e embriagado da província francesa.

 

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Livraria Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Livraria Leitura.
 
 
 
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