Edição 1863 . 21 de julho de 2004

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Cultura
O supernegócio

A indústria do entretenimento está crescendo
mais do que a economia global como um todo


Divulgação
Homem-Aranha 2, o filme de maior bilheteria até agora em 2004: do cinema à internet, números vitaminados

Cultura é um bom negócio. Divulgado há quinze dias, um grande levantamento da consultoria internacional PricewaterhouseCoopers (PwC) indica que, de 2004 a 2008, a indústria cultural deverá crescer, ao redor do mundo, à taxa média de 6,3% ao ano – mais do que a economia global como um todo, cuja expansão, projeta-se, será de 5,7% ao ano. Estima-se que a cultura movimente 1,3 trilhão de dólares em 2004 e 1,6 trilhão de dólares em 2008. Em sua quinta edição, a pesquisa, intitulada Global Entertainment and Media Outlook: 2004-2008, analisou catorze segmentos, que vão da indústria editorial aos parques temáticos – e o desenvolvimento em quase todos eles demonstrou ser consistente. O segmento que mais deve aumentar no mundo é o dos videogames. Sua taxa média de expansão tem tudo para ser impressionante: 20% ao ano. As notícias também são boas no campo da internet. Em 2008, ela já deverá movimentar 220 bilhões de dólares – quase o mesmo que jornais e rádio, duas mídias tradicionais, somados.

No mapa da cultura, os Estados Unidos são um gigante solitário. Em 2004, eles deverão movimentar 550 bilhões de dólares em mídia e entretenimento, representando sozinhos 42% da economia cultural do mundo. Trata-se, no entanto, de um país onde os números já não sobem rapidamente. Até 2008, a taxa de crescimento anual americana, de 5,4%, será a menor das cinco grandes regiões analisadas pela PwC. "É uma economia já consolidada, que opera perto do teto", explica Tim Leonard, líder de Entretenimento e Mídia da PwC na América Latina. Na região da Ásia e do Pacífico, países como China e Índia, que têm grandes contingentes populacionais e estão passando por revoluções de mercado, deverão comandar uma explosão. A taxa média anual de crescimento da indústria cultural nessa região será de quase 10%. "China e Índia mostram-se abertas a investimentos estrangeiros e estão expandindo a internet", afirma Leonard.

Para a América Latina, espera-se um crescimento anual de 6,5%. O Brasil acompanhará essa tendência, embora sua fatia na economia global da cultura seja irrisória: em 2008, essa participação deverá ser da ordem de 10 bilhões de dólares. Em um segmento, projeta-se até uma retração: os negócios da indústria fonográfica brasileira deverão diminuir à taxa de 6% ao ano. A pirataria é a principal responsável por essa situação. "Estima-se que as perdas da indústria por causa dos discos piratas cheguem a 50%", diz Leonard.

 
 
 
 
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