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Música
Um Djavan em cada bar
Romântico, bom melodista e autor
de letras "profundas", o artista
alagoano é o mais imitado do país

Sérgio Martins
Fabiano Accorsi
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| Djavan: "Por onde ando topo sempre com uns
dez cantores parecidos comigo" |
Integrante do primeiro time da MPB, o cantor
e compositor alagoano Djavan tem uma trajetória invejável.
Em 28 anos de carreira, ele vendeu 8 milhões de discos e
produziu hits em série. Dono de um imenso carisma
especialmente entre as mulheres , é um dos artistas
nacionais com maior poder de atrair multidões para suas apresentações
ao vivo. Prova disso é a corrida pelos ingressos da turnê
de lançamento de Vaidade, seu 16º álbum,
que marca a estréia de sua própria gravadora, a Luanda
Records, e está em cartaz em São Paulo. Com tantos
atributos, não é de espantar que Djavan ainda tenha
uma outra honra essa um pouco mais duvidosa. Ele é
o cantor mais imitado do Brasil. Segundo o Ecad, órgão
responsável pela arrecadação dos direitos autorais
no país, ele foi o compositor mais executado em botecos e
casas noturnas de música ao vivo nos últimos três
anos. Deixou para trás figuras como Caetano Veloso e Chico
Buarque. E muitos dos que sobrevivem com a renda do couvert artístico
não se limitam a interpretar as músicas de Djavan:
clonam o ídolo por inteiro, dos cabelos cacheados à
voz de falsete. Como o protagonista do filme Quero Ser John Malkovich,
Djavan às vezes se sente cercado de clones por todos
os lados. "Por onde ando, topo sempre com uns dez cantores parecidos
comigo, cantando o meu repertório e com voz igual a minha",
diz ele.
Não é difícil entender
por que Djavan tem sido tão copiado. Como poucos nomes da
música brasileira atual, o artista cria melodias simples
e marcantes. Ele é romântico. Além disso, é
aquele tipo de letrista com aura de "sofisticado". Djavan inventa
palavras e rimas inusitadas. A súmula de seu estilo está
nos versos de Açaí, que rezam: "Açaí
/ Guardiã / Zum de besouro / Um ímã / Branca
é a tez da manhã". Não quer dizer nada, mas,
para os desavisados, soa como James Joyce aquele papa do
modernismo. Fica mais fácil fingir que se é profundo
cantando letras assim. Na meia-luz do barzinho, às vezes
até funciona.
Ser clone de Djavan pode ser um caminho para
o sucesso. O caso mais notório é o do cantor carioca
Jorge Vercilo, cujos discos hoje vendem mais que os do original.
A paulistana Mônica Salmaso também começou sua
carreira fazendo covers do compositor em bares. "A diferença
entre mim e os outros intérpretes de Djavan é que
eu só cantava as coisas menos óbvias do repertório
dele", diz Mônica, que acabou conquistando seu espaço
no escalão intermediário da MPB. Por todo o país,
os genéricos de Djavan aguardam sua vez. "Tempos atrás,
topei com um cantor que era igualzinho a mim numa churrascaria na
Paraíba. Só depois de observar muito percebi que era
uma mulher", diz Djavan.
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