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Televisão
Estrelas do forno-e-fogão
Comida tem a ver com diversão e glamour
nos novos programas de gastronomia

Ricardo Valladares
Fotos divulgação
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ação
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| Nigella e Oliver: ela atiça
a libido dos homens, ele cozinha para modelos |
Quando publicou o primeiro tratado de gastronomia,
A Fisiologia do Gosto, em 1825, o francês Jean Anthelme
Brillat-Savarin deixou bem claro que sua "nova ciência" ia
muito além da culinária, ou seja, da simples arte
de preparar iguarias. Ela era o conhecimento "de tudo que se refere
ao homem na medida em que ele se alimenta", e tinha a ver com política,
com filosofia, com diversão, com glamour, com prazer
e não apenas com a melhor maneira de cozinhar um ovo. Desde
que os primeiros programas sobre comida apareceram, ainda nos anos
50, a televisão também deixou para trás a "era
da culinária" e entrou na "era da gastronomia". Lá
se foi o tempo em que uma atração desse gênero
requeria apenas um fogão, uma receita e uma cozinheira com
jeitão de avó. Basta observar a grade de programação
da TV paga brasileira. Atualmente, há mais de vinte shows
gastronômicos em exibição inclusive em
canais médicos como o Discovery Health. Alguns, como Presentes
do Mediterrâneo e Cozinha Oriental com Douglas Chew,
misturam comida e turismo. Outros, como Um Cozinheiro Diferente,
do inglês Hugh Fearnley-Whittingstall, reúnem culinária
e aventura e ensinam a fazer pratos como guisado de esquilo. Mesmo
aqueles que parecem ser mais convencionais incluem lições
sobre estilo de vida e sobre como ser bacana. Não à
toa, o público das atrações também se
diversificou, e deixou de ser constituído apenas de donas-de-casa.
Estima-se que mais de um terço de seus fãs, hoje em
dia, seja composto de homens.
Divulgação
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| O chef Alex Atala: bem longe do estilo Ofélia
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Donos de uma das cozinhas mais vilipendiadas do mundo, os ingleses,
surpreendentemente, tornaram-se craques na produção
de programas de gastronomia. Vêm de lá os dois mais
populares do momento, apresentados pela bela Nigella Lawson e pelo
jovial Jamie Oliver. Nigella, cujo programa é exibido pelo
canal GNT, fez curso de línguas em Oxford, foi jornalista
literária e assina colunas em várias publicações.
Já escreveu quatro livros. Enquanto cozinha, relembra histórias
do tempo em que viveu na Itália ou reflete sobre a melhor
maneira de entreter os amigos numa tarde de verão. A preocupação
de Nigella com o teor calórico de seus pratos é nula:
eles são cheios de manteiga e açúcar. Isso
se reflete em suas curvas, mas o fato de ela ser cheinha não
evitou que se transformasse numa semideusa da TV inglesa. No livro
Em Busca do Prato Perfeito, o chef americano Anthony Bourdain
assim a descreveu: "Ela é o objeto de desejo de todos os
homens que encontrei. É uma viúva rica e bonita que
veste, na cozinha, uma jaqueta de brim. Quando se curva sobre a
superfície de trabalho, seus seios se tornam o foco da contemplação
despudorada de sua audiência masculina".
O maior concorrente de Nigella é Jamie
Oliver, cujos programas são exibidos pelo GNT e pelo People+Arts.
Ele é uma espécie de DJ das panelas um garotão
de 29 anos e cabelo arrepiado que mora num loft espaçoso,
atravessa Londres de lambreta para fazer compras e prepara refeições
para os roqueiros do Jamiroquai ou para modelos de uma grande agência.
O programa de Oliver é elétrico e transmite a idéia
de que cozinhar é fácil e divertido. Num episódio
recente, ele ensinou a fazer caipirinha, feijoada e bolinho de bacalhau.
"Na falta de bacalhau, troque por arenque", sentenciou ele. Alguns
dos mais famosos donos de restaurante brasileiros, como Rogério
Fasano, Carla Pernambuco e Alex Atala, gostam dele. "Não
assisto a programas culinários, mas gosto de Jamie Oliver
porque ele encoraja os tímidos da cozinha", diz Atala. Que,
por sinal, estréia no fim do mês o programa Cozinha
para Dois, ao lado da carioca Flávia Quaresma. Cozinha
para Dois substituirá no GNT uma atração
que era apresentada pelo gourmet francês Olivier Anquier.
Anquier é casado com a atriz Débora Bloch, fazia viagens
de exploração culinária a bordo de um Fusca
1962 e exerce sobre as moças o mesmo efeito que Nigella Lawson
exerce sobre os homens da Inglaterra. Também, no Brasil,
já passou o tempo em que a veneranda Ofélia
que estreou na televisão em 1958 e morreu em 1998
ditava o estilo dos programas de culinária. Ou melhor, gastronomia.
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