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Estilo
Um passo à frente
A indústria quer prestígio. Os
estilistas
querem vender mais. Resultado: grandes
fabricantes produzem sapatos de grife

Sandra Brasil
Fotos Pedro Rubens
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| Nome e sobrenome: flores e estampa de couro
de cobra nos sapatos com a assinatura de estilistas conhecidos
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Maior feira de calçados da América
Latina, com 850 expositores, a Francal, realizada na semana passada
em São Paulo, apresentou uma novidade: nos estandes, ao lado
de marcas popularíssimas e dedicadas ao grande público,
estavam nomes de estilistas que costumam aparecer mais nas passarelas
da São Paulo Fashion Week do que em lojas de sapatos. Fause
Haten, Alexandre Herchcovitch, Walter Rodrigues e outros aliaram-se
a grandes fabricantes de calçados para comercializar sapatos
finos, a preços que batem nos 800 reais. Agregar valor por
meio da associação com grifes de prestígio
não é uma estratégia inédita, mas agora
ficou mais consistente. "A indústria ganha visibilidade no
mundo da moda e os estilistas ampliam seus horizontes de negócios",
acredita Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal. Walter Rodrigues,
um dos debutantes no mercado, em parceria com a Cristófoli,
empresa do Rio Grande do Sul que fabrica 450 000 pares de sapatos
por ano, criou treze modelos para o verão, entre eles um
de couro que imita o de cobra ("estampa" obrigatória da estação)
que deverá custar 250 reais. A consumidora-alvo é
a que tem informação sobre o trabalho do estilista
e um poder de compra bastante razoável mas não
o suficiente para levar um vestido sob medida da grife, na faixa
dos 5.000 reais. "A mulher que não
compra um vestido Walter Rodrigues provavelmente vai poder levar
um sapato", diz ele.
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| Cortes, recortes, cores metalizadas e até
"escamas" feitas a bisturi: a força dos detalhes |
Nessa parceria, o estilista entra com o nome
e o design e o fabricante arca com o custo de produção,
em média 30% maior que o de um sapato popular. O processo
artesanal e o trabalho especializado encarecem o produto (veja
quadro). "O mais difícil é encontrar
bons sapateiros. É mão-de-obra em extinção",
diz José Eduardo de Mattos, que coordena 48 sapateiros na
oficina Franziska Hübener. Acabamento e acessórios também
são mais refinados. "Pago 70 reais por um par de flores de
miçangas", contabiliza o estilista Fause Haten, que tem uma
queda por sandálias delicadas e cheias de detalhes. Aliado
a três fábricas gaúchas, ele produziu um total
de trinta modelos, a preços que ultrapassam os 700 reais.
Na trilha das alianças, a Arezzo, uma das gigantes do setor,
está lançando uma sandália desenhada pela carioca
Isabela Capeto, a estrela em ascensão da moda no momento.
"Participamos de muitos desfiles de moda, mas o design era sempre
conceitual demais. Só agora, com a Isabela, chegamos a um
calçado que se encaixa no nosso padrão e na nossa
estrutura de fabricação", diz o presidente da empresa,
Anderson Birman. O filho de Birman, Alexandre, também é
do ramo: dono da Schultz, destacou quarenta de seus 800 funcionários
para desenhar a bisturi as "escamas" que dão aparência
de pele de cobra à linha de sapatos em cores metalizadas
que levam na etiqueta o nome de outra grife jovem e sofisticada,
a Raia de Goeye. "Cada um consegue estampar, por dia, apenas 1 metro
quadrado de couro, que é usado em dez pares de sapato", afirma.
"Mas o investimento vale a pena, porque ajuda a colocar o sapato,
antes um acessório de menor importância, no circuito
da moda."
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