Edição 1863 . 21 de julho de 2004

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Ginástica
Aceitam-se menores

As grandes academias oferecem programas
de exercícios para crianças a partir dos 3 anos

 
Claudio Rossi
Aula de capoeira: movimentos mais lentos e muita brincadeira para animar os pequenos

Papai adora ginástica, mamãe malha duas horas todo dia, os dois têm pavor de obesidade. O resultado é que os filhinhos já nascem achando que a vida passa automaticamente pelas academias. E lá se vão os pequenos cultores do físico. Pequenos mesmo. Atualmente, a maior parte dos grandes centros de ginástica, em especial no Rio de Janeiro e em São Paulo, oferece um "programa kids", em que crianças a partir de 3 anos "malham" – à sua lúdica maneira, é claro – em nome da boa forma física, presente e futura. Antes confinados à piscina, ao judô e ao balé, os pequenos dispõem de colchonetes e equipamentos que costumavam ser exclusivos dos adultos, com quem cruzam pelos corredores da academia quando vão de uma aula para outra, como gente grande.

 
Marco A. Rezende
Duarte, o "personal children": duas horas por semana exercitando os alunos Petrus, de 7 anos, e Marcus, de 4

"Esporte e atividade física são extremamente importantes para as crianças, e a academia é o lugar ideal para isso. A gente vê a evolução da coordenação motora e a melhora na saúde, e elas se divertem", explica Tula Grunewald, fonoaudióloga e mãe de Mila, 4 anos, e Jade, 7, que passam quase seis horas por semana na academia, empenhadas em aulas intercaladas a esportes e atividades de coordenação motora. Da mesma forma que os adultos, as crianças têm direito a tudo que o espaço oferece, inclusive piscina e sauna (toalhas e chinelos disponíveis), a preços geralmente um pouco mais baixos. "As academias querem se transformar num espaço em que famílias inteiras podem fazer atividade física, no tempo que dispuserem, com segurança e conforto", apregoa Daniel Adler, sócio da Companhia Athletica do Rio de Janeiro. Entre as opções para o público infantil estão a capoeira (mais lenta e lúdica, adaptada à pouca idade) e o surfe na piscina. Em sala de aula, as atividades se desenvolvem na forma de jogos e brincadeiras. Quem quer atendimento mais personalizado conta, em algumas academias, com o "personal children", nome que, no inglês muito particular no mundo da ginástica, se aplica ao personal trainer de crianças. "Muitos pais pediam mais opções para os filhos mais novos, como forma de tirá-los da frente da TV, do videogame e do computador", explica Amauri Marcello, coordenador técnico da academia Body Tech, no Rio de Janeiro. Lá, Max Duarte treina os irmãos Petrus, 7 anos, e Marcus Ballhausen, 4, durante uma hora, duas vezes por semana. "Dentro da academia, faço com que usem os equipamentos. Fora, ponho a turma para brincar – pular corda, bolinha de gude, cabo-de-guerra, essas coisas. Crianças dos grandes centros não sabem mais fazer isso", diz. Outros miniatletas virão: a Companhia Athletica do Rio pretende oferecer a partir de agosto um programa de atividades na piscina e em sala de aula a crianças de 6 meses a 3 anos de idade, acompanhadas por monitores e pelos pais. "Aliamos natação, atividades terrestres e musicalização", relata a coordenadora técnica Renata Rodrigues. Só falta mesmo um par de pesinhos.

 
 
 
 
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