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Aviação
Como voam os presidentes
No Brasil e nos EUA, os governantes não
querem continuar a viajar em sucatões
Quando os presidentes voam, às vezes
a turbulência ocorre em terra firme. Na semana passada, numa
sessão tumultuada, o Congresso Nacional autorizou um crédito
suplementar de 159 milhões de reais para que o governo possa
quitar a compra do Airbus ACJ de 57 milhões de dólares
que será usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva em suas viagens. Desde que a compra do avião foi anunciada,
há seis meses, não param de chover críticas
ao governo. Muitos oposicionistas acham a despesa injustificada
e gostariam que Lula continuasse a voar no veterano Sucatão,
um Boeing 707 com 46 anos de uso que só faz o governo passar
vergonha. Para chegar aos Estados Unidos ou à Europa, o Sucatão
precisa tomar fôlego no caminho e fazer pelo menos uma parada
para reabastecimento. Por causa do barulho infernal de suas turbinas,
o avião também é proibido de pousar em alguns
aeroportos internacionais.
Nos EUA, a confusão gira em torno do
helicóptero usado pelo presidente George W. Bush, o Marine
One, uma supermáquina blindada que pesa 10 toneladas e só
levanta vôo escoltada por dois caças. Como o aparelho
foi projetado nos anos 60, o governo decidiu que está na
hora de trocá-lo por um modelo mais novo, capaz de abrigar
equipamentos de segurança e comunicação mais
sofisticados. O anúncio da concorrência para o fornecimento
do novo helicóptero acabou por deflagrar uma batalha em que
as armas são a tecnologia, o patriotismo e o lobby de primeiro
escalão. De um lado está a Sikorsky, indústria
americana que desde os anos 50 fornece os helicópteros à
Casa Branca. De outro está um consórcio formado pela
americana Lockheed e por vários parceiros europeus. Ambos
apresentam máquinas extraordinárias, mas a Sikorsky
alardeia que só a dela é 100% americana. "Assim como
não queremos o presidente andando numa Mercedes, não
o desejamos voando num helicóptero estrangeiro", alfineta
a campanha da empresa.
Enquanto isso, o primeiro-ministro britânico
Tony Blair e seu colega italiano Silvio Berlusconi manobram com
o presidente Bush a favor do consórcio, esperando ser recompensados
por seu apoio aos Estados Unidos na ocupação do Iraque.
A compra do novo Marine One e de outros dezoito helicópteros
que servirão à Casa Branca é um negócio
de 1,6 bilhão de dólares, uma quantia modesta para
os padrões da aviação. A visibilidade que o
helicóptero presidencial rende a seu fabricante, porém,
não tem preço. Encarregada de fazer a escolha entre
os dois modelos, a Marinha americana tratou de jogar a batata quente
para o secretário de Defesa Donald Rumsfeld. Afinal, estrategicamente,
decidiu-se adiar a escolha do novo helicóptero para depois
das eleições presidenciais americanas, em novembro.
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HELICÓPTERO DO PRESIDENTE
DOS ESTADOS UNIDOS
Fabricante: Sikorsky
Autonomia: 815 km
Altitude máxima: 4
600 metros
Características: pesando
10 toneladas devido à blindagem, só pode
pousar no solo ou em porta-aviões. É sempre
escoltado por dois caças ou dois helicópteros
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AVIÃO DO PRESIDENTE DO
BRASIL
Fabricante:
Airbus
Autonomia: 11 600 km
(pode voar sem escala de Brasília a qualquer
capital européia)
Altitude: 15 000 metros
Características: suíte
com chuveiro, sala de reuniões, copa e lugar
para 26 passageiros
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