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Exportação
Um negócio quente
Empresa brasileira de maior sucesso na
Wal-Mart americana, a Tramontina vende
mais panelas nos EUA do que no Brasil

Chrystiane Silva
Divulgação
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| Clovis Tramontina conquistou 3% do mercado
americano de panelas |
A pedido de Clovis Tramontina, presidente da
fabricante brasileira de utensílios domésticos, ferramentas
e móveis, Antonio Galafassi chegou à cidade de Houston,
no Texas, em 1986, com a missão de instalar um centro de
produção e distribuição. O conhecimento
de inglês de Galafassi ia pouco além de "the book
is on the table", mas vencer o obstáculo do idioma foi
fácil perto da dificuldade de se adaptar ao mercado americano.
Quando a Tramontina conseguiu colocar as primeiras panelas nas prateleiras
da rede Wal-Mart, no fim dos anos 80, usou caixas com informações
impressas em português. O resultado foi, obviamente, um desastre.
Ninguém entendia exatamente as características do
objeto que havia dentro da caixa, e as vendas encalharam. Hoje,
a Tramontina tem faturamento anual superior a 100 milhões
de dólares nos Estados Unidos. Vende 5 milhões de
panelas de aço inoxidável e antiaderentes por ano,
o que representa cerca de 3% do maior mercado de panelas do mundo.
Depois de dezoito anos, a empresa comercializa mais panelas lá
do que no Brasil.
Embora a Tramontina não faça
parte da Associação dos Fabricantes de Utensílios
Domésticos, conhecida pela sigla em inglês, CMA, Hugh
Rushing, vice-presidente executivo da entidade, confirma o tamanho
da fatia de participação de mercado da companhia brasileira.
"A Tramontina é o maior fornecedor brasileiro da Wal-Mart
nos EUA", diz Daniela Castany de Fiori, gerente de assuntos corporativos
no Brasil da gigante americana do varejo. Para crescer fora do país,
a Tramontina teve de fazer adaptações nas áreas
de embalagem, design e logística. Além, é claro,
de conhecer bem as características do mercado local. Ao contrário
dos brasileiros, os americanos gostam de tampas de vidro e panelas
grandes, com capacidade para mais de 12 litros.
As panelas, que representam cerca de 60% do
faturamento da empresa nos EUA, são montadas como um quebra-cabeça.
As de capacidade inferior a 12 litros são feitas no Brasil;
as tampas, na China; e os pegadores e as alças, na Alemanha
e na Itália. As panelas maiores são fabricadas na
China, onde a empresa dispõe de um engenheiro para supervisionar
os sete fornecedores. "Não temos escolha. O mercado americano
é o mais competitivo do mundo e, por isso, precisamos ser
os mais eficientes", diz Clovis Tramontina. De todos os pedidos
de panelas que chegam ao centro de distribuição de
Houston, 97% são atendidos no mesmo dia. Os restantes 3%
seguem num prazo de 24 horas. O diferencial da Tramontina em relação
à maioria das companhias brasileiras presentes no mercado
americano é a marca própria estampada em tudo o que
comercializa. Parece um pequeno detalhe, mas não é.
Quem vende com marca própria conta com a fidelidade dos consumidores
e não fica na mão dos importadores.
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