|
|
Comunicação
A rede que fala
A sigla VoIP vai ficar tão conhecida
quanto
web e e-mail. Ela designa a tecnologia que
permite fazer ligações telefônicas usando
a internet

Carlos Rydlewski
Uma tecnologia conhecida pela sigla VoIP, que
significa "voz sobre protocolo da internet", permite usar a rede
mundial de computadores para intermediar conversas telefônicas.
Essa possibilidade está sendo encarada pelos especialistas
como uma espécie de segunda onda da internet. Pela VoIP,
a voz humana é transformada em um arquivo digital compactado
que circula pela rede de banda larga da mesma forma que as fotos
digitais, os e-mails e os arquivos de música em MP3. Por
isso, seu custo é inferior ao da telefonia convencional,
com sua pesada infra-estrutura física de fios e cabos aéreos
e subterrâneos. As empresas que gastam milhões de reais
por ano em contas de telefone já começam a aderir
à nova tecnologia. De acordo com o Yankee Group, consultoria
especializada no mundo digital, uma em cada quatro grandes companhias
brasileiras já usa o sistema VoIP para colocar seus funcionários
em contato. Agora chegou a vez do consumidor comum. A Embratel,
líder do mercado brasileiro de ligações de
longa distância, anunciou na semana passada que até
setembro levará a tecnologia VoIP para as residências
de quatro grandes capitais brasileiras Rio de Janeiro, São
Paulo, Brasília e Porto Alegre.
A experiência de países como
os Estados Unidos, onde a nova tecnologia já está
disponível há algum tempo, mostra que a revolução
da VoIP será mais lenta entre consumidores domésticos
do que entre empresas, embora os usuários residenciais estejam
cada vez mais sensíveis ao preço da conta de telefone.
Nos Estados Unidos, boa parte da VoIP está integrada à
rede convencional de telefonia. Isso permite que uma chamada vinda
da internet seja direcionada para um telefone convencional fixo
ou para um celular. Com a nova tecnologia, os consumidores pagarão
até 50% menos pelas ligações de longa distância.
Gigantes que fabricam equipamentos de última geração
na área, como Cisco, Avaya, Alcatel, Siemens e Nortel, sairão
lucrando, mas as empresas tradicionais de telefonia sobreviverão.
O novo mercado pode ser uma oportunidade de expandir seus próprios
negócios. Diz o analista João Bustamante, da International
Data Corporation (IDC): "As telefônicas já são
fortes no mercado de banda larga e já estão se preparando
para a VoIP, assim como para o mundo das conexões sem fio".
|