Edição 1863 . 21 de julho de 2004

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Comunicação
A rede que fala

A sigla VoIP vai ficar tão conhecida quanto
web e e-mail. Ela designa a tecnologia que
permite fazer ligações telefônicas usando
a internet


Carlos Rydlewski

Uma tecnologia conhecida pela sigla VoIP, que significa "voz sobre protocolo da internet", permite usar a rede mundial de computadores para intermediar conversas telefônicas. Essa possibilidade está sendo encarada pelos especialistas como uma espécie de segunda onda da internet. Pela VoIP, a voz humana é transformada em um arquivo digital compactado que circula pela rede de banda larga da mesma forma que as fotos digitais, os e-mails e os arquivos de música em MP3. Por isso, seu custo é inferior ao da telefonia convencional, com sua pesada infra-estrutura física de fios e cabos aéreos e subterrâneos. As empresas que gastam milhões de reais por ano em contas de telefone já começam a aderir à nova tecnologia. De acordo com o Yankee Group, consultoria especializada no mundo digital, uma em cada quatro grandes companhias brasileiras já usa o sistema VoIP para colocar seus funcionários em contato. Agora chegou a vez do consumidor comum. A Embratel, líder do mercado brasileiro de ligações de longa distância, anunciou na semana passada que até setembro levará a tecnologia VoIP para as residências de quatro grandes capitais brasileiras – Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Alegre.

A experiência de países como os Estados Unidos, onde a nova tecnologia já está disponível há algum tempo, mostra que a revolução da VoIP será mais lenta entre consumidores domésticos do que entre empresas, embora os usuários residenciais estejam cada vez mais sensíveis ao preço da conta de telefone. Nos Estados Unidos, boa parte da VoIP está integrada à rede convencional de telefonia. Isso permite que uma chamada vinda da internet seja direcionada para um telefone convencional fixo ou para um celular. Com a nova tecnologia, os consumidores pagarão até 50% menos pelas ligações de longa distância. Gigantes que fabricam equipamentos de última geração na área, como Cisco, Avaya, Alcatel, Siemens e Nortel, sairão lucrando, mas as empresas tradicionais de telefonia sobreviverão. O novo mercado pode ser uma oportunidade de expandir seus próprios negócios. Diz o analista João Bustamante, da International Data Corporation (IDC): "As telefônicas já são fortes no mercado de banda larga e já estão se preparando para a VoIP, assim como para o mundo das conexões sem fio".

 



 
 
 
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