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Rússia
Desafiando Vlad
O homem mais rico da Rússia
resolveu enfrentar Putin e
agora está no banco dos réus
AFP
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| Khodorkovsky: 15 bilhões de dólares
e, talvez, dez anos de prisão |
Vladimir Putin vem fazendo na Rússia
o que os governantes costumam fazer quando uma casta de plutocratas
alcança um poder que faz sombra ao próprio Estado:
cortando-lhes as asas. O problema é que usa métodos
à moda russa, e com isso cria um clima de ansiedade sobre
o futuro do país. O exemplo mais vistoso é o de Mikhail
Khodorkovsky, o jovem, brilhante e desonestíssimo
como todos os seus pares dono da maior produtora de petróleo
do país, a Yukos. Preso há nove meses, sob a acusação
de fraude e evasão fiscal, Khodorkovsky começou a
ser julgado na semana passada. É difícil se solidarizar
com os bilionários alcunhados de "oligarcas", que construíram
impérios praticamente do dia para a noite, no apagar das
luzes do comunismo, usando de expedientes escusos e corrupção
desbragada. A questão é que Khodorkovsky está
na cadeia enquanto outros colegas de fortuna fácil
deixaram o país não por roubalheira, mas por
ter desafiado Putin.
Focado, supremamente autoconfiante, com a
disciplina de ex-agente da KGB, que realmente foi, Putin tem o perfil
de "paizinho" autocrata (ou de Vlad, o Empalador, como preferem
os inimigos) que tanto apela aos corações russos.
Seu índice de aprovação é de 80%, foi
reeleito presidente com maioria acachapante e a sensação
é de que, com ele, as coisas melhoraram. No ano passado,
o PIB cresceu 7% e os investimentos, 12%. Putin é também
um governante que não gosta de ser contrariado. Deu carta
branca aos grandes empresários para que tocassem seus negócios,
com a condição de que não se metessem na vida
política. Quem avaliou corretamente acatou. Outros, por ambição
ou excesso de confiança, peitaram Putin. Khodorkovsky, o
homem mais rico da Rússia e o décimo sexto do mundo
(com uma fortuna de 15 bilhões de dólares), não
só começou a financiar partidos de oposição
como demonstrou ambições políticas próprias.
Ganhou promotores públicos nos calcanhares e contas devassadas.
Em outubro do ano passado, foi preso.
No papel, é tudo legítimo. Promotores
investigam, e se o sujeito está enrolado é levado
a julgamento. Ocorre que, em países onde o estado de direito
ainda é uma novidade, forças poderosas se movimentam
nos bastidores. Putin tem fama merecida de inclemente e controla
a máquina com mão de ferro. Deixa a impressão
de que não tolera oposição. Estado e dinheiro
são forças que ora se aliam, ora se confrontam. Nos
Estados Unidos, quando os magnatas que haviam construído
no fim do século XIX a base industrial da maior potência
econômica da história os chamados robber
barons se tornaram poderosos demais, o governo criou
as leis que quebraram a espinha dos cartéis por meio dos
quais os bilionários monopolizavam o aço ou as estradas
de ferro. Na Rússia, os métodos ainda são um
pouco mais crus.
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