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Diogo
Mainardi
Seria o caso de
mudar para Cabul?
"As crianças
deficientes do
Afeganistão estão
melhor do que antes. As do Brasil,
pior. O governo
Lula as lesou em mais de uma oportunidade"
Liguei para Cabul. Pedi para falar com a fisioterapeuta
islandesa Steina Olafsdottir. Ela dirige a primeira clínica
para tratamento de paralisia cerebral do Afeganistão. Antes
da abertura da clínica, em janeiro deste ano, as crianças
com paralisia cerebral não recebiam tratamento algum. Ficavam
jogadas num canto. Agora mudou. Os pais finalmente podem se dar
conta da potencialidade dos filhos. A principal causa de paralisia
cerebral no país são as complicações
decorrentes de partos domésticos. A construção
de novas maternidades deve alterar o quadro. Cerca de 500 crianças
com paralisia cerebral já foram atendidas na clínica,
algumas delas vindas de cidades distantes, como Herat, Kandahar
e Jalalabad. O projeto é financiado pela Cruz Vermelha italiana.
Deve durar dois anos. Steina Olafsdottir recrutou um grupo de fisioterapeutas
afegãs, que está recebendo treinamento profissional,
para que as crianças continuem a ser atendidas depois que
os estrangeiros forem embora. As fisioterapeutas afegãs,
como todas as outras mulheres do país, eram impedidas de
trabalhar durante o regime dos talibãs.
Steina Olafsdottir chegou a Cabul em outubro
do ano passado. De lá para cá, segundo ela, a cidade
se transformou. Há mais carros nas ruas, mais segurança,
mais dinheiro na mão das pessoas. O Afeganistão sumiu
das primeiras páginas dos jornais, mas está se ajeitando.
As eleições parlamentares tiveram de ser adiadas para
abril do ano que vem. Por outro lado, as eleições
presidenciais estão marcadas para 9 de outubro. Atentados
terroristas ameaçam o processo democrático. Por outro
lado, dois terços dos eleitores já se registraram
para votar. A maior fonte de renda do país ainda é
o contrabando de ópio. Por outro lado, a economia legal cresceu
20% no último ano. Falta dinheiro para investimentos em obras
essenciais. Por outro lado, os países ricos, reunidos em
Berlim, comprometeram-se a desembolsar 8 bilhões de dólares.
O interior é dominado por milícias armadas. Por outro
lado, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha já adestraram
milhares de soldados locais. Os talibãs controlam muitas
áreas remotas do país. Por outro lado, os refugiados
começam a retornar.
As crianças deficientes do Afeganistão
estão melhor do que antes. As do Brasil, pior. Lula é
deficiente físico. Perdeu o dedo numa prensa. Conseguiu comprar
um terreno e móveis com a indenização. Apesar
disso, seu governo lesou os deficientes em mais de uma oportunidade.
Lula impediu a destinação de recursos do Fundef para
escolas particulares dedicadas a alunos deficientes, com o argumento
de que era proibido por lei. Prometeu encontrar uma solução
para o problema, tirando o dinheiro de algum outro lugar. Tirou
mesmo, só que, no meio do caminho, a verba encolheu cerca
de 1,5 bilhão de reais. Cada aluno deficiente mereceu um
total de 33,50 reais anuais. Lula também suspendeu o pagamento
de uma contribuição social a 15.000
deficientes com renda mensal superior a 65 reais. Deficientes com
renda de 70 reais não só pararam de receber o benefício,
como poderão ser obrigados a devolver tudo o que ganharam
no passado. Claro que ainda não é o caso de arrumar
as malas e mudar para Cabul. Daqui a alguns anos, possivelmente.
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