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Carta ao leitor
Sem terremotos
nem vulcões, mas...
Ed Viggianni
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| Crianças na escola pública:
o Brasil melhora, mas o ritmo ainda é lento |
Escasseiam-se as justificativas dadas por sucessivas
gerações para explicar por que o Brasil não
consegue resolver alguns de seus problemas mais rudimentares. Como
gosta de lembrar Luiz Inácio Lula da Silva em seus discursos
no exterior, o país que ele preside não tem vulcões,
maremotos nem terremotos. Agora, uma análise do relatório
sobre o índice de desenvolvimento humano (IDH), da ONU, mostra
que o Brasil está livre também de outro flagelo que
assola 70% das nações mais miseráveis do planeta.
Fala-se aqui de conflitos étnicos e religiosos, que, segundo
um estudo de Stefano Pettinato, consultor do Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), são uma das principais causas de
atraso entre as nações que ocupam os últimos
postos do IDH. Se não sofre de catástrofes naturais
nem de sangrentas disputas étnicas ou religiosas, o que é
mesmo que impede o avanço da qualidade de vida no Brasil
a passos mais largos muito mais largos?
Essa é uma pergunta que todos os brasileiros
deveriam se fazer, especialmente aqueles que detêm o poder
político. A divulgação do IDH, na semana passada,
é mais uma demonstração eloqüente de que
é preciso avançar com maior rapidez na melhoria das
condições de vida da maioria dos brasileiros. Para
produzir aquele índice, os pesquisadores levam em conta não
apenas indicadores econômicos, mas fatores sociais como o
grau de alfabetização, a porcentagem de crianças
na escola, a expectativa de vida e a mortalidade infantil. Pois
bem, em comparação com o penúltimo IDH, o Brasil
caiu sete posições. Saiu do 65º para o 72º
lugar. Os pesquisadores informam que essa queda se deve mais ao
fato de que outros países avançaram mais rapidamente
que o Brasil. Ou seja, o Brasil melhorou, sim, mas a um ritmo menor
do que, por exemplo, a Costa Rica (45º lugar), a Croácia
(48º) ou o arquipélago de Tonga (63º), no Pacífico.
A Costa Rica tem vulcões, a Croácia, lutas étnicas,
e Tonga é assolado por maremotos. Portanto, a ressalva dos
pesquisadores não chega sequer a ser um consolo para o Brasil.
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