Edição 1863 . 21 de julho de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Auto-retrato
Datas
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Carta ao leitor
Sem terremotos
nem vulcões, mas...


Ed Viggianni
Crianças na escola pública: o Brasil melhora, mas o ritmo ainda é lento

Escasseiam-se as justificativas dadas por sucessivas gerações para explicar por que o Brasil não consegue resolver alguns de seus problemas mais rudimentares. Como gosta de lembrar Luiz Inácio Lula da Silva em seus discursos no exterior, o país que ele preside não tem vulcões, maremotos nem terremotos. Agora, uma análise do relatório sobre o índice de desenvolvimento humano (IDH), da ONU, mostra que o Brasil está livre também de outro flagelo que assola 70% das nações mais miseráveis do planeta. Fala-se aqui de conflitos étnicos e religiosos, que, segundo um estudo de Stefano Pettinato, consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), são uma das principais causas de atraso entre as nações que ocupam os últimos postos do IDH. Se não sofre de catástrofes naturais nem de sangrentas disputas étnicas ou religiosas, o que é mesmo que impede o avanço da qualidade de vida no Brasil a passos mais largos – muito mais largos?

Essa é uma pergunta que todos os brasileiros deveriam se fazer, especialmente aqueles que detêm o poder político. A divulgação do IDH, na semana passada, é mais uma demonstração eloqüente de que é preciso avançar com maior rapidez na melhoria das condições de vida da maioria dos brasileiros. Para produzir aquele índice, os pesquisadores levam em conta não apenas indicadores econômicos, mas fatores sociais como o grau de alfabetização, a porcentagem de crianças na escola, a expectativa de vida e a mortalidade infantil. Pois bem, em comparação com o penúltimo IDH, o Brasil caiu sete posições. Saiu do 65º para o 72º lugar. Os pesquisadores informam que essa queda se deve mais ao fato de que outros países avançaram mais rapidamente que o Brasil. Ou seja, o Brasil melhorou, sim, mas a um ritmo menor do que, por exemplo, a Costa Rica (45º lugar), a Croácia (48º) ou o arquipélago de Tonga (63º), no Pacífico. A Costa Rica tem vulcões, a Croácia, lutas étnicas, e Tonga é assolado por maremotos. Portanto, a ressalva dos pesquisadores não chega sequer a ser um consolo para o Brasil.

 
 
 
 
topo voltar