Monopólios
Tiros no cartão
Americanos e europeus atacam Visa e MasterCard
As administradoras de cartões de crédito
estão na berlinda. Elas vêm sendo investigadas
pela organização da União Européia
que zela pela concorrência das empresas em seu mercado.
Há indícios de que elas cobram taxas altas
demais dos comerciantes aos quais se associam, operam em
conjunto e criam um cartel paralelo, formado pelos bancos
que aceitam o pagamento de suas faturas. Nos Estados Unidos,
o departamento de Justiça americano, indócil
desde que conseguiu que um juiz obrigasse a Microsoft a
se dividir em duas, sob a acusação de monopólio,
resolveu partir para o ataque contra as donas das bandeiras
Visa e MasterCard.
As duas operam em conjunto no território americano
e controlam cerca de 75% do mercado, onde circula 1,3 trilhão
de dólares por ano. São acusadas, desde 1998,
de obstruir o crescimento da concorrência, forçando
8.000 bancos do país a
oferecer aos clientes apenas seus cartões. Nenhum
de outra marca. Também são denunciadas por
atrasar o desenvolvimento de novas tecnologias, que aumentariam
a segurança dos serviços que prestam, em prejuízo
dos consumidores. O julgamento começou na semana
passada, em Nova York, e promete dar pano para manga. Não
há provas de que Visa e MasterCard, embora pertençam
a um mesmo grupo de investidores, não compitam entre
si. A questão da tecnologia é ainda mais difícil
comprovar. Segundo o departamento de Justiça, a MasterCard
tem, há tempos, condições de lançar
smart cards, cartões com um chip que identifica o
proprietário e pode ser carregado de crédito
para ser gasto como dinheiro vivo. Teria atrasado o lançamento
para não atrapalhar a Visa. Hoje, que a American
Express, a maior prejudicada pelas duas gigantes dos cartões,
já desenvolveu os tais smart cards, o argumento perdeu
força. Mas, como nos últimos tempos companhias-Golias
têm sido feridas por pequenos Davi, tudo pode acontecer.
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