Edição 1 654 -21/6/2000

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Monopólios

Tiros no cartão

Americanos e europeus atacam Visa e MasterCard

As administradoras de cartões de crédito estão na berlinda. Elas vêm sendo investigadas pela organização da União Européia que zela pela concorrência das empresas em seu mercado. Há indícios de que elas cobram taxas altas demais dos comerciantes aos quais se associam, operam em conjunto e criam um cartel paralelo, formado pelos bancos que aceitam o pagamento de suas faturas. Nos Estados Unidos, o departamento de Justiça americano, indócil desde que conseguiu que um juiz obrigasse a Microsoft a se dividir em duas, sob a acusação de monopólio, resolveu partir para o ataque contra as donas das bandeiras Visa e MasterCard.

As duas operam em conjunto no território americano e controlam cerca de 75% do mercado, onde circula 1,3 trilhão de dólares por ano. São acusadas, desde 1998, de obstruir o crescimento da concorrência, forçando 8.000 bancos do país a oferecer aos clientes apenas seus cartões. Nenhum de outra marca. Também são denunciadas por atrasar o desenvolvimento de novas tecnologias, que aumentariam a segurança dos serviços que prestam, em prejuízo dos consumidores. O julgamento começou na semana passada, em Nova York, e promete dar pano para manga. Não há provas de que Visa e MasterCard, embora pertençam a um mesmo grupo de investidores, não compitam entre si. A questão da tecnologia é ainda mais difícil comprovar. Segundo o departamento de Justiça, a MasterCard tem, há tempos, condições de lançar smart cards, cartões com um chip que identifica o proprietário e pode ser carregado de crédito para ser gasto como dinheiro vivo. Teria atrasado o lançamento para não atrapalhar a Visa. Hoje, que a American Express, a maior prejudicada pelas duas gigantes dos cartões, já desenvolveu os tais smart cards, o argumento perdeu força. Mas, como nos últimos tempos companhias-Golias têm sido feridas por pequenos Davi, tudo pode acontecer.

 
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