A paciência chegou ao limite
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| A criminalidade, tema de capa de
VEJA há duas semanas: urgência |
Uma reportagem especial desta edição de VEJA
foi motivada por um acontecimento chocante. Um seqüestro
de ônibus no Rio de Janeiro teve um desfecho especialmente
trágico. Por uma inacreditável seqüência
de erros da polícia, ao final de horas de negociações,
tanto o bandido como sua refém estavam mortos. Assaltos
e assassinatos ocorrem todos os dias no Brasil. Dois fatores,
porém, tornam o episódio da semana passada
mais intolerável do que os demais.
O primeiro é que, ali, foi possível testemunhar
a cadeia completa de mazelas que tornam hoje os brasileiros
das grandes cidades reféns da criminalidade. A ousadia
de um bandido, a incompetência da polícia e
a desalentadora vulnerabilidade das pessoas diante desse
quadro foram acompanhadas ao vivo, pela televisão,
durante quatro horas. O segundo fator é que o caso
funcionou como uma gota d'água numa situação
que ninguém suporta mais. A revolta diante daquelas
imagens foi tão intensa que passeatas e manifestações
de protesto estavam sendo organizadas em todo o país.
Da mesma forma como se mobilizaram para pedir eleições
diretas e, mais tarde, o impeachment de um presidente acusado
de corrupção, os brasileiros hoje exigem segurança.
Sempre que um determinado assunto sobe na escala de preocupações
nacionais, VEJA dedica a ele um número maior de reportagens
e análises em profundidade. A inflação,
no tempo em que era o maior problema brasileiro, foi tema
de capa da revista dezessete vezes. A agonia e a morte do
presidente Tancredo Neves mereceu sete capas seguidas. A
ascensão e queda de Fernando Collor, 23. Agora o
assunto dominante é o medo nas grandes cidades. VEJA
tratou-o numa reportagem de capa apenas duas semanas atrás.
Entre o dia em que aquela revista chegou às bancas
e o fechamento da presente edição, 1 417 pessoas
foram assassinadas em todo o país uma média
de 109 homicídios por dia. São números
reveladores. Enfrentar o banditismo tornou-se uma urgência
nacional.