Edição 1 654 -21/6/2000

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A paciência chegou ao limite

A criminalidade, tema de capa de VEJA há duas semanas: urgência

Uma reportagem especial desta edição de VEJA foi motivada por um acontecimento chocante. Um seqüestro de ônibus no Rio de Janeiro teve um desfecho especialmente trágico. Por uma inacreditável seqüência de erros da polícia, ao final de horas de negociações, tanto o bandido como sua refém estavam mortos. Assaltos e assassinatos ocorrem todos os dias no Brasil. Dois fatores, porém, tornam o episódio da semana passada mais intolerável do que os demais.

O primeiro é que, ali, foi possível testemunhar a cadeia completa de mazelas que tornam hoje os brasileiros das grandes cidades reféns da criminalidade. A ousadia de um bandido, a incompetência da polícia e a desalentadora vulnerabilidade das pessoas diante desse quadro foram acompanhadas ao vivo, pela televisão, durante quatro horas. O segundo fator é que o caso funcionou como uma gota d'água numa situação que ninguém suporta mais. A revolta diante daquelas imagens foi tão intensa que passeatas e manifestações de protesto estavam sendo organizadas em todo o país. Da mesma forma como se mobilizaram para pedir eleições diretas e, mais tarde, o impeachment de um presidente acusado de corrupção, os brasileiros hoje exigem segurança.

Sempre que um determinado assunto sobe na escala de preocupações nacionais, VEJA dedica a ele um número maior de reportagens e análises em profundidade. A inflação, no tempo em que era o maior problema brasileiro, foi tema de capa da revista dezessete vezes. A agonia e a morte do presidente Tancredo Neves mereceu sete capas seguidas. A ascensão e queda de Fernando Collor, 23. Agora o assunto dominante é o medo nas grandes cidades. VEJA tratou-o numa reportagem de capa apenas duas semanas atrás. Entre o dia em que aquela revista chegou às bancas e o fechamento da presente edição, 1 417 pessoas foram assassinadas em todo o país – uma média de 109 homicídios por dia. São números reveladores. Enfrentar o banditismo tornou-se uma urgência nacional.