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Edição 2061

21 de maio de 2008
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Auto-retrato
Matti Vanhanen

Petras Malukas/AFP


O primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen, de 52 anos, governa um dos países de maior carga tributária do planeta: 43% do PIB, 6 pontos porcentuais acima da marca brasileira. A diferença é que o estado finlandês é eficiente e o país é o menos corrupto do mundo, segundo a Transparência Internacional. Em São Paulo na semana passada, ele falou ao repórter Thomaz Favaro.

A Finlândia é o país menos corrupto do mundo. Como o Brasil pode chegar lá?
Não conheço outra maneira de combater a corrupção além da transparência das contas do setor público.

A corrupção é um problema institucional ou cultural?
Ambos. Os países com um longo histórico de corrupção tendem a enxergá-la como algo intrínseco à sociedade, e, por essa razão, sem solução. Essa cultura permite que a corrupção continue indefinidamente. Nossa boa posição no ranking da corrupção deve-se muito a uma tradição antiga de honestidade.

O senhor já conheceu políticos corruptos em sua carreira?
Sim. Nosso país não está livre da corrupção. Temos uma legislação que obriga os candidatos a declarar as fontes de financiamento de sua campanha eleitoral, mas não há limite para a quantidade de dinheiro que uma empresa pode doar. Isso precisa ser mudado. O combate à corrupção nunca termina.

A pesada carga tributária da Finlândia atrapalha a economia do país?
Tudo depende de como o dinheiro público é usado. Com o dinheiro dos impostos, oferecemos um sistema de seguridade social de qualidade aos nossos cidadãos: educação, saúde e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Em nosso país, os impostos são vistos como investimentos na sociedade. Nossa educação, considerada a melhor do mundo, é gratuita da pré-escola ao doutorado e serve de base para o desenvolvimento individual e de habilidades no mercado de trabalho. Assim conseguimos aproveitar ao máximo todos os talentos existentes na pequena população que temos [5,2 milhões de habitantes]. Também fazemos um esforço constante para melhorar a eficiência do estado e para isso utilizamos as mesmas táticas das empresas privadas. O governo federal tem 120 000 servidores públicos. Nossa meta é cortar para 50.000 até 2050.

Os altos impostos levam os empregos a migrar para países emergentes?
Sim, e por isso nós cortamos impostos das empresas no meu primeiro mandato. Em setores que exigem mão-de-obra intensiva, no entanto, simplesmente não podemos competir com países onde o salário equivale a 5% do nosso. Por isso, a Finlândia concentra-se em áreas nas quais pode estar entre os melhores do mundo, como a tecnologia da informação. Essa tem sido nossa estratégia no mundo globalizado.

Alguns governos latino-americanos apresentam os recursos naturais como a única saída para a pobreza. O senhor concorda?
Um século atrás, a Finlândia era um dos países mais pobres da Europa. Cerca de 90% da população vivia da agricultura de baixa produtividade. Com a exploração da natureza, pode-se obter apenas uma melhora limitada no desenvolvimento econômico de um país. Se a Finlândia continuasse dependendo apenas dos recursos naturais, como a extração de madeira, teríamos um padrão de vida muito inferior. É preciso investir nos recursos humanos para conseguir algo mais. Com aplicações em pesquisa e desenvolvimento nas universidades, também se podem obter mais produtividade e melhor qualidade na exploração de recursos naturais. O etanol brasileiro é um bom exemplo disso.



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