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VEJA Recomenda CINEMA
Borat O Segundo Melhor Repórter
do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat
Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan,
Estados Unidos, 2006. Estréia nesta sexta-feira no país)
Não é exagero dizer que o comediante inglês Sacha Baron Cohen
nunca topou com um assunto, por mais sério e delicado, que considere matéria-prima
imprópria para o humor. Na pele de um de seus personagens, o repórter
cazaque Borat, ele viaja pelos Estados Unidos fazendo um "documentário"
e demolindo barreiras (a começar pelas do bom gosto). Piadas escatológicas,
anti-semitas, raciais e chauvinistas se sucedem, expondo esses pecados nos desavisados
interlocutores de Borat. O resultado é absolutamente transgressivo
e, desde que se tenha estômago forte e nervos de aço, também
hilariante. Veja
cenas. DVD Tiros
em Ruanda (Shooting Dogs, Inglaterra/Alemanha, 2005. Imagem) Hotel
Ruanda ficou com toda a fama, mas esse filme do escocês Michael Caton-Jones
é uma narrativa ainda melhor sobre o genocídio perpetrado pelos
hutus contra a etnia tutsi, em 1994 um estrondo de violência que
deixou cerca de 800.000 mortos, à base de machetadas e bordoadas. Tiros
em Ruanda se concentra nos esforços infelizmente fúteis de um
padre (John Hurt) e de um professor (Hugh Dancy) para proteger os refugiados que
iam acorrendo à sua escola na capital, Kigali, a qual servia também
de quartel-general a um destacamento das forças de paz da ONU. Curiosidade:
muitos dos atores, figurantes e membros da equipe são sobreviventes do
massacre. Veja
cenas. LIVROS David
Levenson/Getty Images
 |  | | Coe:
sátira aos ingleses, por um inglês | |
A
Casa do Sono, de Jonathan Coe (tradução de Marcello Rollemberg;
Record; 400 páginas; 49,90 reais) O inglês Jonathan Coe é
conhecido por seus painéis satíricos da história recente
de seu país, como O Legado da Família Winshaw, retrato da
era Thatcher, e Bem-Vindo ao Clube, reconstituição da década
de 70. A Casa do Sono começa nos anos 80, numa república
de estudantes, e avança até a década seguinte, quando o mesmo
prédio vira uma clínica para tratamento de distúrbios do
sono estranhamente, com os mesmos ocupantes da república estudantil.
A mulher que sofre de narcolepsia, o rapaz que só chega ao orgasmo quando
pressiona os olhos da namorada, o crítico de cinema que nunca lembra o
que sonhou com esses personagens esquisitos, Coe conduz o leitor aos sonhos
das décadas passadas. Leia
trecho. Carlo
Bavagnoli/Getty Images
 |  | | Miller:
americanos em viés cáustico | |
Pesadelo
Refrigerado, de Henry Miller (tradução de José Rubens
Siqueira; Francis; 320 páginas; 41,50 reais) Como muitos escritores
e artistas americanos no entreguerras, Henry Miller (1891-1980) foi um expatriado
voluntário. Viveu quase dez anos em Paris, onde escreveu os romances Trópico
de Câncer e Trópico de Capricórnio. De volta aos
Estados Unidos, em 1939, Miller fez uma longa viagem pelo país e
não gostou do que viu. Registro dessa viagem, Pesadelo Refrigerado é
um livro cáustico, talvez injusto e até um tanto esnobe. Mas Miller
sustenta seus pontos de vista com ousadia. Para o escritor boêmio, os Estados
Unidos eram uma terra de filisteus irrecuperáveis, concentrados na busca
do conforto daí a referência ao ar-condicionado no título
e insensíveis à arte. Leia
trecho. Histórias
do Brasil na Poesia de José Paulo Paes (Global; 48 páginas;
29 reais) Tradutor, poeta e ensaísta, o paulista José Paulo
Paes, morto em 1998, aos 72 anos, visitou a história brasileira em vários
de seus poemas sempre com a aguda ironia que era marca de seus versos.
Voltado para o público jovem, Histórias do Brasil é
uma antologia desses versos, enriquecida com ilustrações e notas
que contextualizam os eventos aludidos em cada texto. A Inconfidência Mineira,
o Quilombo dos Palmares, o Grito do Ipiranga são revisitados nos poemas,
com uma visada crítica que afasta qualquer oficialismo. Eis, por exemplo,
o Segundo Império segundo José Paulo Paes: "Sejamos, na cozinha,
escravocratas / Mas abolicionistas de salão: / A dubiedade é-nos
virtude grata".
DISCO Arnd
Wiegmann/Reuters
 |  | | Charlotte
Gainsbourg: ela herdou o melhor de Serge e de Jane Birkin | |
5:55, Charlotte Gainsbourg A
cantora inglesa é um caso raro de talento hereditário. Filha do
compositor Serge Gainsbourg e da atriz e cantora Jane Birkin, ela interpreta baladas
de letras cínicas (uma especialidade de seu pai), que transpiram sensualidade
em sua voz sussurrante (semelhante à que consagrou a carreira discográfica
de sua mãe). 5:55 é o segundo disco-solo de Charlotte. Na
sua estréia, no início dos anos 80, ela fez barulho ao interpretar
Lemon Incest, cuja letra sugeria um relacionamento sexual incestuoso. O
novo disco, porém, é comportado e tem produtores do primeiro time,
como Nigel Godrich, colaborador do Radiohead, e a dupla francesa Air. Um dos destaques
é Operation, em que Charlotte compara o rompimento amoroso a um
transplante de coração. |