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Edição 1996

21 de fevereiro de 2007
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CINEMA

Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat – Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, Estados Unidos, 2006. Estréia nesta sexta-feira no país) – Não é exagero dizer que o comediante inglês Sacha Baron Cohen nunca topou com um assunto, por mais sério e delicado, que considere matéria-prima imprópria para o humor. Na pele de um de seus personagens, o repórter cazaque Borat, ele viaja pelos Estados Unidos fazendo um "documentário" e demolindo barreiras (a começar pelas do bom gosto). Piadas escatológicas, anti-semitas, raciais e chauvinistas se sucedem, expondo esses pecados nos desavisados interlocutores de Borat. O resultado é absolutamente transgressivo – e, desde que se tenha estômago forte e nervos de aço, também hilariante. Veja cenas.

 

DVD

Tiros em Ruanda (Shooting Dogs, Inglaterra/Alemanha, 2005. Imagem) – Hotel Ruanda ficou com toda a fama, mas esse filme do escocês Michael Caton-Jones é uma narrativa ainda melhor sobre o genocídio perpetrado pelos hutus contra a etnia tutsi, em 1994 – um estrondo de violência que deixou cerca de 800.000 mortos, à base de machetadas e bordoadas. Tiros em Ruanda se concentra nos esforços infelizmente fúteis de um padre (John Hurt) e de um professor (Hugh Dancy) para proteger os refugiados que iam acorrendo à sua escola na capital, Kigali, a qual servia também de quartel-general a um destacamento das forças de paz da ONU. Curiosidade: muitos dos atores, figurantes e membros da equipe são sobreviventes do massacre. Veja cenas.

 

LIVROS

 
David Levenson/Getty Images
Coe: sátira aos ingleses, por um inglês  

A Casa do Sono, de Jonathan Coe (tradução de Marcello Rollemberg; Record; 400 páginas; 49,90 reais) – O inglês Jonathan Coe é conhecido por seus painéis satíricos da história recente de seu país, como O Legado da Família Winshaw, retrato da era Thatcher, e Bem-Vindo ao Clube, reconstituição da década de 70. A Casa do Sono começa nos anos 80, numa república de estudantes, e avança até a década seguinte, quando o mesmo prédio vira uma clínica para tratamento de distúrbios do sono – estranhamente, com os mesmos ocupantes da república estudantil. A mulher que sofre de narcolepsia, o rapaz que só chega ao orgasmo quando pressiona os olhos da namorada, o crítico de cinema que nunca lembra o que sonhou – com esses personagens esquisitos, Coe conduz o leitor aos sonhos das décadas passadas. Leia trecho.

 

Carlo Bavagnoli/Getty Images
Miller: americanos em viés cáustico  

Pesadelo Refrigerado, de Henry Miller (tradução de José Rubens Siqueira; Francis; 320 páginas; 41,50 reais) – Como muitos escritores e artistas americanos no entreguerras, Henry Miller (1891-1980) foi um expatriado voluntário. Viveu quase dez anos em Paris, onde escreveu os romances Trópico de Câncer e Trópico de Capricórnio. De volta aos Estados Unidos, em 1939, Miller fez uma longa viagem pelo país – e não gostou do que viu. Registro dessa viagem, Pesadelo Refrigerado é um livro cáustico, talvez injusto e até um tanto esnobe. Mas Miller sustenta seus pontos de vista com ousadia. Para o escritor boêmio, os Estados Unidos eram uma terra de filisteus irrecuperáveis, concentrados na busca do conforto – daí a referência ao ar-condicionado no título – e insensíveis à arte. Leia trecho.

Histórias do Brasil na Poesia de José Paulo Paes (Global; 48 páginas; 29 reais) – Tradutor, poeta e ensaísta, o paulista José Paulo Paes, morto em 1998, aos 72 anos, visitou a história brasileira em vários de seus poemas – sempre com a aguda ironia que era marca de seus versos. Voltado para o público jovem, Histórias do Brasil é uma antologia desses versos, enriquecida com ilustrações e notas que contextualizam os eventos aludidos em cada texto. A Inconfidência Mineira, o Quilombo dos Palmares, o Grito do Ipiranga são revisitados nos poemas, com uma visada crítica que afasta qualquer oficialismo. Eis, por exemplo, o Segundo Império segundo José Paulo Paes: "Sejamos, na cozinha, escravocratas / Mas abolicionistas de salão: / A dubiedade é-nos virtude grata".

 

DISCO

 

Arnd Wiegmann/Reuters
Charlotte Gainsbourg: ela herdou o melhor de Serge e de Jane Birkin  

5:55, Charlotte Gainsbourg – A cantora inglesa é um caso raro de talento hereditário. Filha do compositor Serge Gainsbourg e da atriz e cantora Jane Birkin, ela interpreta baladas de letras cínicas (uma especialidade de seu pai), que transpiram sensualidade em sua voz sussurrante (semelhante à que consagrou a carreira discográfica de sua mãe). 5:55 é o segundo disco-solo de Charlotte. Na sua estréia, no início dos anos 80, ela fez barulho ao interpretar Lemon Incest, cuja letra sugeria um relacionamento sexual incestuoso. O novo disco, porém, é comportado e tem produtores do primeiro time, como Nigel Godrich, colaborador do Radiohead, e a dupla francesa Air. Um dos destaques é Operation, em que Charlotte compara o rompimento amoroso a um transplante de coração.

 

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