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Internacional Um
presidente negro na casa branca?
Barack Obama disputa com Hillary Clinton a candidatura democrata e
surpresa! ela tem a maioria dos votos dos negros  Diogo
Schelp
Jason
Reed/Reuters
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Gerald Herbert/AP
 | | Obama
(à esq.), em Iowa, na semana passada. McCain (à dir.)
é a mais forte opção dos republicanos |
"Minha superexposição na mídia
é tal que faço Paris Hilton parecer tímida", encantou-se
Barack Obama em 2005, ao assumir seu primeiro mandato como senador em Washington.
Nunca mais saiu do foco dos holofotes. Na semana passada, Obama lançou
seu nome na disputa pela candidatura democrata nas eleições presidenciais
do próximo ano disputa que tem como favorita a senadora Hillary
Clinton. Há várias razões para a especial atenção
dada a Obama. Ele é o primeiro candidato negro com chances reais de chegar
à Casa Branca (as pesquisas o mostram à frente de John McCain e
Rudy Giuliani, os melhores nomes entre os republicanos). Mesmo que desta vez fique
pelo caminho, Obama deve permanecer no andar superior da política americana
pela próxima década quem sabe como aspirante a vice-presidente
em 2008 e candidato a presidente mais tarde. Há também, como insiste
a direita republicana, a questão do nome do meio: Hussein. Que ironia seria
George W. Bush entregar a Casa Branca a um sucessor chamado Hussein.
Hillary leva vantagem em relação a Obama em pelo menos dois quesitos.
Com oito anos como primeira-dama e seis como senadora, ela tem mais experiência
política que Obama (ele serviu apenas oito anos no Legislativo de Illinois
e dois no Senado americano). Hillary também tem à sua disposição
uma máquina eleitoral que já se mostrou eficiente em duas ocasiões
para seu marido. As pesquisas revelam que 40% dos eleitores democratas apóiam
a candidatura de Hillary, contra 21% de Obama e 11% de John Edwards, outro pré-candidato.
Os mais velhos ainda lembram quando a cor do candidato era uma questão
central na política americana. Os tempos mudaram e Obama agora disputa
o eleitorado negro com a senadora Hillary Clinton. A ex-primeira-dama leva a melhor.
Uma pesquisa recente deu-lhe 60% dos votos dos negros, contra 20% para Obama.
Obama anda às voltas
com a inesperada tarefa de combater a suspeita de que "não é negro
o suficiente". O que isso quer dizer? Militantes dos direitos civis dizem que
lhe falta essa experiência essencial para um político negro tradicional.
Outro detrator levantou o fato de ele não ser um descendente de escravos
privado, assim, teoricamente, da memória de injustiça e sofrimento
que moldou a psique negra americana. Por fim, não há nada em seu
estilo de vida que possa ser associado ao gueto afro-americano. Essas afirmações
são a expressão da complexa identidade negra nos Estados Unidos.
Dima
Gavysh/AP
 | | Hillary
Clinton: mais experiência política, estrutura de campanha melhor
que a de Obama e herdeira do eleitorado do marido |
Os avanços desde a luta pelos direitos civis foram de tal dimensão
que hoje talvez fosse mais realista se os políticos negros abandonassem
o velho discurso sobre classe racial e começassem a pensar em termos de
classe social, independentemente da cor da pele. Apesar da enorme quantidade de
negros ainda encurralados pela pobreza nos guetos, nada menos que 1,1 milhão
de famílias negras americanas ganham acima de 100 000 dólares por
ano. Obama será o homem capaz de representar essa mudança? Nascido
no Havaí, ele é filho de um imigrante queniano de quem herdou
o nome que abandonou a família quando o filho tinha apenas 2 anos.
Com a mãe, que é branca, e seu segundo marido, Obama passou quatro
anos de sua infância na Indonésia, onde estudou em uma escola islâmica
e, depois, numa católica. De volta ao Havaí, morou com os avós
maternos, com os quais viveu uma típica vida de classe média branca.
Só entrou em contato com a pobreza negra aos 24 anos, já formado
em ciência política pela Universidade Colúmbia, quando se
mudou para Chicago para fazer trabalhos sociais em bairros pobres. Seis anos depois,
formou-se em direito pela Universidade Harvard e passou a advogar e lecionar em
Chicago. Obama nunca tentou
se apresentar como o candidato dos negros. "Ele quer se distinguir por seu histórico
pessoal, sua habilidade de comunicação, seu carisma e seus projetos
de governo, não pela quantidade de pigmento na pele", disse a VEJA o cientista
político americano Stephen Wayne, da Universidade Georgetown, em Washington.
"Talvez por isso seja criticado por tantos ativistas negros." O maior trunfo eleitoral
de Obama é o fato de ser jovem (45 anos) e passar a imagem de um homem
bem-sucedido com um discurso otimista e conciliatório, em oposição
aos ranços ideológicos dos políticos tradicionais. Falta,
contudo, dizer exatamente a que veio, já que ele não deixou claro
até agora quais são suas propostas de governo. Com
reportagem de Thomaz Favaro
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