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DVD

Universal Pictures
Edward Fox: um 007 ao avesso


O Dia do Chacal
(The Day of the Jackal, Inglaterra/França, 1973. Columbia) – Pode-se contar nos dedos de uma mão os thrillers políticos que resistiram intactos ao teste do tempo. Entre eles está esse clássico enxuto, excitante e elegante que o cineasta Fred Zinnemann adaptou do best-seller de Frederick Forsyth, sobre os preparativos de um matador profissional para assassinar o presidente francês Charles De Gaulle, em 1963. Na época em que James Bond era o grande modelo de charme e calculismo, o diretor inovou: aplicou essas mesmas qualidades a um anti-007, que mente, mata e seduz (mulheres e homens) apenas por dinheiro. O ator inglês Edward Fox, discretíssimo, está perfeito no papel-título. Destaque também para Michael Lonsdale, como o detetive que trava uma batalha de intelectos com o criminoso. Esqueça o péssimo O Chacal estrelado por Bruce Willis e confira esse trabalho de mestre.

 

LIVROS

A Corrida para o Século XXI: no Loop da Montanha-Russa, de Nicolau Sevcenko (Companhia das Letras; 144 páginas; 22 reais) – Último volume de uma coleção que enfoca importantes momentos de transição da História ocidental, esse livro parte da seguinte tese: a de que a principal característica do século XX foi uma aceleração sem precedentes nas mudanças tecnológicas, cujos efeitos são sentidos em todos os campos da experiência humana. Para analisar esses efeitos, o autor passeia por diversos temas, da ciência ao esporte, da propaganda à música e à dança. O livro impressiona por abordar temas recentes, geralmente evitados pelos historiadores tradicionais. Alimentos transgênicos, Projeto Genoma, rappers – tudo isso aparece em análises didáticas e inteligentes, mas não muito otimistas, dos rumos da civilização.

Diário Póstumo, de Eugenio Montale (tradução de Ivo Barroso; Record; 207 páginas; 28 reais) – Ganhador do Prêmio Nobel de 1975, Montale foi um dos maiores poetas italianos do século XX. Em 1979, ele entregou a Annalisa Cima, herdeira e inspiradora dos versos desse livro, envelopes contendo 84 poemas inéditos que deveriam vir a público até a data de seu centenário, em 1996. Publicado na Itália há cinco anos, o volume é a concretização do desejo do poeta. Os poemas desse livro extraem sua força de uma hábil mistura de dicções clássicas e populares. Aliás, o lirismo, o humor sutil e o absoluto equilíbrio da coletânea deixam claro: esse Diário Póstumo só foi póstumo porque o autor preferiu assim, e não porque não estivesse à altura da obra que publicou em vida.

 

TELEVISÃO


Salinger: imagens raras do recluso

J.D. Salinger (quarta às 22h30, no GNT) – O escritor americano J.D. Salinger, de 82 anos, é um mistério. Autor de O Apanhador no Campo de Centeio, clássico da literatura adolescente, ele sumiu do mapa alguns anos depois de se tornar famoso, nos anos 50. Nunca mais publicou ou deu entrevistas – vive isolado num rancho. Esse documentário da BBC não se detém apenas nos detalhes conhecidos de sua vida, da infância em Nova York à participação na II Guerra Mundial. Recheado de entrevistas de amigos, vizinhos, ex-namoradas e parentes, o programa lança luzes sobre seu confinamento. Faltam, é verdade, as revelações trazidas por Margaret, filha do escritor. Num livro lançado no ano passado, ela afirmou, por exemplo, que seu pai maltratava a mulher durante a gravidez. Mas há muitos depoimentos que atestam as excentricidade de Salinger e um raro flagrante do escritor na velhice.

 

DISCO

First Official Recordings, Maria Callas (WEA) – Exemplo perfeito de diva, aquela artista que combina talento colossal com ataques de estrelismo, a soprano greco-americana Maria Callas (1923-1977) marcou a história da ópera como poucas figuras. Esse álbum se destaca pelo seu valor histórico. São os primeiros registros da soprano em disco. Realizadas entre 1949 e 1953, sob regência de Arturo Basile, as gravações trazem seus habituais cavalos de batalha. Como Norma, de Vincenzo Bellini, que a diva encarnou nada menos que 92 vezes. Ou La Traviata, de Giuseppe Verdi. O melhor momento do álbum, no entanto, fica por conta de Tristão e Isolda. Identificada como uma grande intérprete de autores italianos, Callas presenteia o ouvinte com uma versão arrepiante dessa ópera do alemão Richard Wagner. Foi a partir desses registros que a soprano saltou dos palcos da Itália para conquistar o resto do mundo.

 

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Dos quatro livros do Dalai Lama que estão na lista de mais vendidos de VEJA, três estampam na capa a fotografia do guru. Não é à toa. Tanto quanto uma mensagem, o Dalai Lama tem uma imagem universalmente conhecida, à moda do que acontece com Che Guevara e outros ícones da contracultura. Desde os anos 60 ele circula pelo mundo defendendo seus ideais. Em primeiro lugar, a liberdade. O Dalai Lama representa o papel de um Gandhi dos dias atuais. Sem nunca incitar à violência, ele milita pela libertação de seu país, o Tibete, do jugo das forças chinesas. Em segundo lugar, vem a mensagem que ele costuma passar em palestras que não têm caráter político: a de que a felicidade existe. E que é possível impor ao corpo uma conduta "positiva" capaz de levar a ela.

Não deixa de ser salutar que seja ele a emplacar com essas idéias simples, e não um charlatão qualquer com título de Ph.D. Enquanto os oportunistas de plantão prometem curas milagrosas e iluminação a partir de formas simplórias e redutoras, o Dalai Lama não apresenta verdades prontas. Ele apenas aconselha o leitor a valorizar o que está ao seu alcance e, de uma perspectiva budista, aponta outras maneiras de lidar com a ansiedade e a morte. Outro ponto que conta a seu favor é a experiência. Sua autoridade não vem de um título universitário, e sim do "corpo-a-corpo com a vida". Para discorrer sobre um tema como a felicidade, isso lhe garante uma credibilidade que falta aos outros autores. Em tempo: A Arte da Felicidade é o melhor dos quatro títulos da lista. Escrito em parceria com o psiquiatra americano Howard C. Cutler, o livro apresenta o contraponto ocidental ao ideário do Dalai. Em entrevistas e palestras, Cutler questionou exaustivamente o "manual para a vida" proposto pelo guru. E acabou se convencendo no final.

Flávio Moura

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano.

 

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