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A
química do medo
Como
o corpo reage numa situação de ameaça,
seja ela real ou não
1.
Cérebro: as estruturas responsáveis
por iniciar a reação a estímulos
amedrontadores são as amígdalas cerebrais,
localizadas na região das têmporas. Elas
enviam um sinal ao hipotálamo, região
de controle do metabolismo, para que seja intensificada
a produção de adrenalina, noradrenalina
e acetilcolina. Em uma fração de segundo,
a descarga dessas substâncias causa alterações
no funcionamento de diversas partes do corpo
2.
Olhos: a química do medo faz com que as pupilas
se dilatem. Isso diminui a capacidade de a pessoa reparar
nos detalhes que a cercam, mas aumenta o poder de visão
geral. Em tempos ancestrais, esse recurso permitia que
o homem identificasse no escuro das cavernas um predador
e as possíveis rotas de fuga
3.
Coração e pulmões: o aumento
do nível de adrenalina eleva os batimentos cardíacos.
A maior irrigação sanguínea faz
com que cérebro e músculos trabalhem mais
intensamente, deixando a pessoa alerta e ágil.
O fato de o coração bater acelerado exige
maior oxigenação daí por
que a respiração se torna mais curta,
ofegante
4.
Estômago: muitas pessoas, em situações
de medo, sentem dor na região estomacal devido
ao aumento na produção de acetilcolina.
A liberação em maior quantidade de sucos
gástricos acelera a digestão e a transformação
dos alimentos em energia
Fonte:
Frederico Graeff, Universidade de São Paulo,
em Ribeirão Preto
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O
deputado que tem pânico de elevador
Sergio Pinheiro
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"O grande pavor da minha vida são lugares
fechados especialmente elevadores. Quando não
há forma de evitá-los, deixo o pudor de
lado e peço para alguém subir ou descer
comigo. Quanto mais alto tiver de ir, mais apavorado
fico. Se forem poucos andares, não hesito: vou
de escada. O medo sempre me fez morar em casa e ter
o meu gabinete no 1º andar. O pavor de lugares
fechados é tão grande que jamais trabalho
de porta fechada. Quando isso, sem querer, acontece,
sinto-me sufocado, com uma enorme sensação
de impotência. Há alguns anos, vivi uma
experiência traumática e vexatória.
Fui ao cinema em São Paulo e, inadvertidamente,
resolvi sair no meio do filme, pela porta de emergência.
Desci calmamente as escadas, até que dei de cara
com a saída trancada. Subi novamente e não
conseguia mais abrir a porta anterior. Bateu o desespero.
Eu chutava a porta e gritava. Surtei. Ao ouvir a barulheira,
um espectador veio em meu socorro e abriu a porta. Descobri
que posso administrar o medo tendo sempre alguém
do meu lado nessas situações. Tenho quase
certeza de que a minha fobia é decorrente do
tempo que passei preso em uma solitária, em 1972."
José Genoíno, 54 anos,
deputado federal, do Ceará
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Reza,
calmante e olho no piloto
Oscar Cabral
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"Tenho muito medo de avião. O pavor é
tão grande que, quando preciso enfrentar uma
viagem mais longa, começo a sofrer com um mês
de antecedência. Fico enjoada, nervosa, suo frio,
com o estômago embrulhado. Durante o vôo,
então, nem se fale. É um terror. O momento
de maior sofrimento é o da decolagem. Já
chorei muito nessas horas. Rezo para recuperar a sobriedade.
Quando era mais nova, bebia muito antes de embarcar,
para relaxar. Conforme o efeito do álcool se
dissipava, o medo voltava e era ainda maior por causa
da ressaca. Hoje, não dispenso um calmante. Freqüentemente
peço para segurar a mão de quem está
na poltrona ao lado. Peço também para
conhecer o piloto. Sei que é bobagem, mas me
deixa mais tranqüila. Se posso dispensar o avião
e viajar de carro, não penso duas vezes. É
por isso que nas férias só vou a cidades
próximas ao Rio de Janeiro, onde moro. Já
perdi oportunidades de conhecer lugares incríveis,
como Bali. Acho que tudo começou quando eu era
criança."
Claudia Ohana, 36 anos,
atriz, do Rio de Janeiro
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Quando
as palavras não saem
Claudio Rossi
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"Minha carreira ia extremamente bem até
ter de começar a falar em público. Foi
aí que descobri quanto essa situação
me aterrorizava. Na primeira vez, há dez anos,
meu chefe me convidou para fazer uma apresentação
sobre um assunto do qual eu tinha domínio total.
Comecei a desconfiar de que teria problemas quando entrei
no auditório e vi que o lugar estava lotado.
Foi segurar o microfone para o drama começar.
Não conseguia mais respirar direito. As palavras
não saíam da minha boca. Entrei em colapso
total. Minhas pernas tremiam tanto que todos me olhavam
com pena. Transtornada, olhei para o meu chefe, pedi
desculpas e disse que não poderia continuar.
Virei as costas e fui embora. Por causa dessa limitação,
os diretores passaram a questionar minhas qualificações
e me deixaram na "geladeira". Foi só quando resolvi
montar meu próprio negócio que decidi
superar esse medo. Foram necessários quatro anos
de autotreinamento para que conseguisse falar diante
de um auditório lotado. Para superar o pavor,
tinha o costume de simular em casa sozinha
uma palestra. Ainda sinto medo, mas, ao menos, consigo
mostrar uma certa calma e segurança."
Wilma Bolsoni, 37 anos,
consultora de tecnologia, de São Paulo
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Afogamento
no chuveiro
Edison Vara
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"Minhas
primeiras crises de pânico começaram na
década de 80. Durante oito anos, sofri sem saber
o que estava acontecendo. Tinha medo de escuro, de filas,
de lugares cheios, de elevadores. O sofrimento maior,
no entanto, era em casa, à noite. Acordava de
madrugada, com muito medo de morrer. Desesperado, abria
as janelas e arrancava as roupas. Sentia falta de ar
e o coração batendo acelerado. Nessas
noites, não voltava a me deitar, por receio de
morrer dormindo. Outras vezes, o pavor era tanto que
eu ia para o hospital. A única coisa que me acalmava
nesses momentos era ser atendido por um médico.
Se não me ajudassem imediatamente, era capaz
de avançar no enfermeiro, gritando. Cheguei a
ir ao hospital quatro vezes no mesmo dia. Nesse período,
eu também era incapaz de entrar no mar ou em
piscinas. O pior: quando tomava banho, tinha a sensação
de que podia morrer afogado. Os médicos, desnorteados,
me receitavam de calmantes a remédios para o
coração. Com o diagnóstico de transtorno
de pânico, comecei a me tratar com uma psiquiatra.
Foram precisos dois anos de medicamentos e psicoterapia
para que finalmente eu me sentisse curado."
Nelson Dorneles, 54 anos,
comerciante, de Porto Alegre
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Noite
de trovão, noite de agonia
Fernando Vivas
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"Tenho um temor fora do comum de tempestades. Mais
especificamente, de trovões. Nesses momentos,
não consigo esboçar nenhum tipo de reação.
Fico paralisada. Me falta energia até para pedir
socorro. Noite chuvosa é sinônimo de insônia.
Além de não pregar os olhos, tenho de
me abrigar na cama dos meus pais. Eles já sabem
que quando começa a chover precisam vir ao meu
quarto me resgatar. Não consigo nem ir até
lá. Há dois anos, passei por um verdadeiro
pesadelo. Estava sozinha em casa estudando para uma
prova quando começou um temporal. Congelada pelo
pânico, não pude sair de casa para fazer
o teste. Só quando a chuva passou consegui ir
à aula. Cheguei atrasada e destruída.
Lívida, eu suava em bicas. Além do susto,
a incompreensão dos colegas piorava a minha situação.
Tão aterrorizante quanto os raios é o
medo de que as pessoas percebam o meu estado de pânico.
Sempre temo ser chamada de infantil ou de descontrolada.
Hoje faço análise e descobri que é
possível superar a fobia, mas demora. O que estou
aprendendo por enquanto é não me sentir
tão desconfortável diante das pessoas."
Caroline Suffi, 25 anos,
universitária,
de Salvador
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Com
sucursais
Saiba
mais
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| Tratamentos
psicológicos de choque |
| Tipo |
Indicação |
Como
funciona |
| Terapia
comportamental |
Fobias
em geral |
A
técnica básica consiste em expor gradualmente
o paciente à situação que lhe causa medo,
a fim de que possa superá-lo. Quem não consegue
dirigir, por exemplo, começa o tratamento com sessões
nas quais apenas dá partidas no carro. O passo seguinte
é estimular a pessoa a dar algumas voltas pelas redondezas
de sua casa. As distâncias dos passeios vão aumentando
progressivamente, até que ela se sinta segura para guiar
numa estrada |
| Terapia
cognitiva |
Fobia
social, principalmente |
O
paciente é levado a analisar racionalmente seus medos,
comparando os dados da realidade com suas idéias pessimistas.
Uma pessoa que teme falar com seus superiores no trabalho
é questionada sobre se realmente há motivos
para tanto. O terapeuta pode perguntar a ela se já
foi ridicularizada, humilhada, criticada em público
etc. A partir das respostas, que geralmente são negativas,
ela vai descobrindo como sua patologia não tem razão
de ser. Depois de algum tempo, o paciente é estimulado
a enfrentar as situações que lhe dão
angústia, de forma semelhante ao que acontece na terapia
comportamental
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| Terapia
interoceptiva |
Transtornos
de pânico |
Estimula-se
o paciente a deflagrar em si mesmo os sintomas físicos
do pânico, como vertigens, tonturas, falta de ar e taquicardia.
O propósito é ensinar uma técnica de respiração
abdominal que ajuda a controlar essas sensações
ruins. Para provocar uma tontura, o paciente pode ser colocado
numa cadeira giratória, que é movimentada com
rapidez. Quando atinge um estado semelhante ao que experimenta
nos ataques de pânico, ele deve começar a respirar
pelo nariz, de forma lenta e profunda, a fim de que o ar chegue
ao abdome. Em seguida, deve expirar vagarosamente pela boca.
A técnica não cura, mas pode atenuar em até
50% a incidência dos sintomas de pânico. Além
disso, ao perceber que durante uma crise ele possui algum controle
sobre seu corpo, o paciente adquire mais confiança e
acaba por temer menos as situações que detonam
os ataques |
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