Cabeça
de bandido
Estudo mostra como agem os marginais
e
aponta saídas para combater a
criminalidade
Renata Ursaia
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| Policiais
em formação: eles sabem pouco sobre como atuam os bandidos
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A
que horas os bandidos atacam suas vítimas? Onde preferem
agir? Quais são os alvos preferenciais? Perguntas como
essas começam a ser respondidas numa pesquisa reveladora
sobre o comportamento dos criminosos. Ela foi preparada por
um oficial da Polícia Militar de São Paulo,
tenente-coronel Paulo Cesar Fontes, que estudou 200.000
ocorrências policiais registradas nos últimos
dois anos nas delegacias da região oeste da capital
paulista. Embora o campo seja restrito, as conclusões
a que chegou são válidas em todo o Brasil.
De
acordo com os primeiros resultados do trabalho, ainda inconcluso,
metade dos delitos praticados na região ocorreu em
apenas 1% das ruas. O entorno dos shoppings é o lugar
preferido para a prática de assaltos contra pedestres
e os estabelecimentos comerciais localizados perto de vias
expressas são os preferidos pelos ladrões. Quase
30% dos roubos foram realizados entre 6 da tarde e 9 da noite.
Já se sabia que as quadrilhas organizadas não
diferem muito na maneira de agir. A novidade é que
é possível identificar padrões de conduta
semelhantes que se repetem na bandidagem de um modo geral.
Ao mapear a forma de agir dos marginais, o trabalho do major
fornece à polícia a mais sólida das armas
no combate ao crime: a informação. "Sabendo
onde o crime vai ocorrer é mais fácil evitá-lo",
diz o tenente-coronel Fontes. Porto Alegre, Belo Horizonte
e Salvador já começaram a fazer levantamentos
semelhantes. Esse tipo de trabalho foi fundamental na estratégia
de combate ao crime adotada em cidades americanas como Chicago
e Nova York, onde a taxa de criminalidade caiu em média
20% na última década. A virada se deu quando
as autoridades perceberam que não bastava só
comprar carros, armas e helicópteros. Era preciso saber
onde procurar os bandidos.
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