Igualzinho
a coisa de cinema
Uma
das máquinas menos complexas produzidas pelo programa
espacial americano conseguiu realizar uma façanha notável
na semana passada. A sonda Near Shoemaker transformou-se no
primeiro artefato produzido pelo homem a pousar em um asteróide,
o Eros, a 315 milhões de quilômetros da Terra
uma distância duas vezes maior que a que separa nosso
planeta do Sol. A nave tem o tamanho de um Ford Ka e custou
pouco mais de 200 milhões de dólares, uma pechincha
para os padrões das missões espaciais da Nasa.
Para realizar a façanha, os técnicos da agência
americana e da Universidade Johns Hopkins manobraram a sonda
na órbita do asteróide durante três horas
até ela ter sua velocidade reduzida a apenas 6 quilômetros
por hora. Era o mínimo necessário para não
se arrebentar na descida. Sem dispositivos de pouso ou alguma
coisa que amparasse sua queda, a Near Shoemaker tocou o solo
de Eros aos trambolhões. Rolou como um Fusca velho
por uma ribanceira. A capotagem estendeu-se aproximadamente
por 100 metros, antes que a sonda parasse completamente sobre
essa pedrona voadora de 34 quilômetros de comprimento
por 13 de largura. Mesmo assim, foi um dos pousos mais aplaudidos
feitos por uma nave da Nasa.
Antes de pousar, a Near Shoemaker girou em torno de Eros por
um ano. Ela tirou 160.000 fotos
e transmitiu informações detalhadas sobre a
composição física e química do
asteróide, um dos maiores que orbitam perto da Terra.
Lançada em 1996, a nave faz parte de um programa idealizado
pelos americanos para analisar esses corpos e ainda avaliar
eventuais riscos de choque com nosso planeta. Com o fim da
missão, os técnicos acharam que valia a pena
apostar num "bônus" científico e fazer a nave
tocar a superfície de Eros. Eles provaram ser possível
realizar na prática uma façanha só vista
antes no cinema, no filme Armageddon, em que astronautas
descem num asteróide em rota de colisão com
a Terra. A diferença é que na missão
da pequena Near Shoemaker não foi preciso chamar Bruce
Willis para pilotá-la.
Infográfico André
Luiz sobre fotos: AP/AFP



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