Aula
de casinha
Escola
ensina moças a ser
como a vovó. Para casar
Adriana
Negreiros, de Natal
Fotos E. Queiroga/Lumiar
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| Alunas
no laboratório de puericultura: educação voltada para
o "papel da mulher" |
Num
tempo em que até o discurso feminista soa ultrapassado,
funciona com sucesso no Rio Grande do Norte a Escola Doméstica
de Natal, uma instituição única. Nela,
além de geografia, matemática e português,
as alunas dos cursos fundamental e médio aprendem a
tratar bem os futuros maridos, trocar as fraldas dos futuros
filhos, varrer a futura casa, cozinhar, costurar e portar-se
decentemente em público. Longe de ser vista como uma
escola anacrônica, ela é procurada até
por estudantes de outros Estados. Sua mensalidade é
de 160 reais, na média dos bons colégios da
cidade.

Samara
e Alana, com
mãe, avó e
bisavó: quatro gerações
na Escola
Doméstica de
Natal |
São mais de 1.000 alunas, que dispõem de verdadeiros
laboratórios da vida doméstica para o aprendizado.
Há cozinhas, berçários e outros cenários
caseiros. Da 5ª à 8ª série, as turmas
aprendem teorias de etiqueta, corte e costura, primeiros socorros,
crochê, nutrição e organização
de armários. No ensino médio, as meninas põem
a mão na massa. Banham bebês, limpam banheiros,
servem a mesa, elaboram cardápios e exercitam situações
em que devem mostrar a elegância e a discrição
esperadas de uma educada. "Não somos uma escola machista
nem ultrapassada", afirma a diretora da instituição,
Noilde Ramalho. "Apenas ensinamos à mulher um papel
importante que ela tem a desempenhar na sociedade."
Fundada em 1914 pelo advogado, jornalista e político
potiguar Castriciano de Souza, a Escola Doméstica já
esteve à frente de seu tempo. Foi uma das primeiras
em Natal a ensinar às moças algumas disciplinas
até então só ministradas aos rapazes,
como física e química. As estudantes ainda freqüentam
as aulas com o mesmo vestido branco de pregas, 5 centímetros
abaixo do joelho, adotado na fundação do colégio.
A clientela, por seu lado, mantém-se fiel. As irmãs
Samara e Alana Guerra, uma na 4ª e outra na 6ª série,
são filhas, netas e bisnetas de ex-alunas. "A mulher
precisa saber como dirigir o lar", diz Jaci Guerra, a avó
das meninas. Além de educar garotas, a escola ampara
necessitados. Os bebês ninados nas aulas práticas
são filhos de mulheres carentes. Enfermeiras e pediatras
mostram como lidar com as crianças, que recebem alimentação
balanceada e carinho.
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