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Todo o poder às meninas

Três garotinhas invadem
o clube dos super-heróis

Aida Veiga


Hanna Barbeera
Florzinha (no alto), Lindinha e Docinho: socos e humor


Townsville, EUA, ganhou seu lugar no mapa quando o professor Utonium, um cientista genético, decidiu criar as primeiras menininhas "perfeitas" do mundo. Enquanto preparava uma solução de açúcar e outros ingredientes doces e bons, sem querer deixou cair na fórmula uma tal "química X". Pronto: nasceram As Meninas Super-Poderosas, três pequenas heroínas que passam o tempo lutando contra o crime e, nos intervalos, brincam de amarelinha e cuidam da aparência. De soco em soco, as adoráveis garotinhas conquistaram o clube do Bolinha do desenho animado de aventura e ação: atualmente, em matéria de popularidade e audiência, só ficam atrás de Pokémon na programação da Cartoon Network, emissora a cabo que lançou os dois desenhos no Brasil. No SBT, onde humilham vilões há pouco mais de um ano, as três meninas são o carro-chefe do Bom Dia & Cia., o programa infantil da manhã. Como acontece com os desenhos verdadeiramente bem-sucedidos, elas já ultrapassaram a fronteira de seu público original e ganharam fãs entre uma turma bem mais crescidinha.

Apesar dos traços estilizados e dos olhões típicos dos pokémons e digimons japoneses, As Meninas Super-Poderosas são um desenho americano, produto de uma nova leva de autores preocupados em misturar humor e nonsense aos tradicionais socos e pontapés dos desenhos infantis. "Além de não ter o mesmo apelo de violência da maioria dos japoneses, é um desenho rápido e irônico, que usa como referências a cultura pop e o estilo de vida americano", avalia Pedro de Toledo, professor de cinema da Pontifícia Universidade Católica (PUC), que confessa: às vezes senta para ver as garotinhas junto com os filhos pequenos. O autor, Craig McCracken, diz que não escreve pensando no público infantil e que sua inspiração é o bom e velho Batman, seu favorito. "McCracken soube dosar entretenimento e ação para as crianças com um humor que os adultos apreciam", elogia Fernando de Los Reyes, vice-presidente de marketing da Cartoon Network para a América Latina.

Objetos de desejo – Com cabeça enorme e corpo pequeno, Docinho, Florzinha e Lindinha são, como os nomes indicam, três gracinhas. Vivem com o professor que as criou e têm 6 anos. Florzinha (a do laçarote vermelho) é a líder, inteligente e capaz de pensar ultra-rapidamente. Docinho (de cara enfezada e cabelo preto) prefere chutar primeiro e perguntar depois e é valente até não poder mais – exceto quando convocada a enfrentar um bando de baratas. A loira Lindinha (a de maria-chiquinha) é sensível e põe o coração em primeiro lugar. Fortes e com poder para voar, elas combatem e vencem vilões à tarde, porque de manhã vão ao jardim-de-infância e à noite têm horário para dormir.

Mania de crianças e adolescentes nos Estados Unidos, Florzinha, Docinho e Lindinha repetem o sucesso aqui e até extrapolam: uma pesquisa feita no ano passado com 1.500 crianças dos dois países pela Cartoon Network revelou que conheciam o programa 80% dos entrevistados americanos e 98% dos brasileiros. "Gosto de tudo: do traço, da cor, da ironia e do jeito cool das meninas. Além disso, ganho ponto nas conversas com garotas na internet quando mostro tudo o que sei sobre elas", diz o santista Ivan Narciso, 19 anos, que criou um site sobre o programa. Além de verem o desenho, os fãs compram tudo que tenha as três menininhas estampadas. "Até eu ando com chaveirinho das meninas", diz a fotógrafa carioca Cristiana Moreira, 35 anos, que aderiu por influência da filha Aline, 7, louca pela Florzinha. Os primeiros produtos devidamente licenciados – bonecas e chaveiros – chegaram ao Brasil no Natal, e abafaram: foram vendidas 90.000 peças em menos de dois meses. As camisetas e mochilas, compradas em lojas daqui e dos Estados Unidos e em camelôs por toda parte, viraram objeto de desejo fashion: até quem nunca viu o desenho quer ter uma. Diante do sucesso, a Warner Bros. prepara-se para lançar três fitas de vídeo com episódios inéditos e, para o ano que vem, anuncia: vem aí As Meninas Super-Poderosas, o Filme.

 

Mamãe, eu quero

Fotos Marcelo Zocchio


Mochilas,
lancheiras e cadernos: as meninas vão à escola


Bancada de laboratório: Docinho acompanhada de acessórios

Bonecas e chaveiros:
90 000
vendidos em dois meses

 

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