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Parecem de cera

Já estão nos mercados as frutas criadas
em laboratório, com seleção genética

Diogo Schelp

Edison Vara


Está chegando o dia em que ninguém mais se lembrará de apalpar uma fruta antes de levá-la para casa. Com a ajuda da tecnologia no campo, as frutas vêm ganhando características inexistentes nas variedades encontradas na natureza e padrão de qualidade semelhante ao de produtos industrializados. Já há uma penca de espécies desenvolvidas em laboratório ao alcance dos consumidores nas prateleiras dos supermercados. São melancias sem caroço, morangos gigantes, peras de polpa crocante e ameixas superdoces, entre outras novidades. As frutas nascem do cruzamento de diferentes variedades da mesma planta induzido pelos pesquisadores. Repetido à exaustão, o processo leva ao desenvolvimento de frutas que mantêm apenas as melhores características de cada variedade. Um dos maiores sucessos é a manga tipo palmer. Desenvolvida por cientistas americanos, ela tem polpa mais firme e gosto mais adocicado que as outras variedades. Além disso, necessita de 60% menos fungicida para ser produzida.

Quando se trancam no laboratório para fazer suas pesquisas, os cientistas não pensam apenas em melhorar o sabor e diminuir os custos de produção. Como um industrial que quebra a cabeça para escolher a embalagem mais atraente para seu produto, os pesquisadores também procuram tornar melhor a aparência das frutas. A palmer é avermelhada e maior que suas concorrentes. O morango que leva o nome de oso grande, criado na Califórnia, é enorme como os dos comerciais de televisão. A importância da aparência pode ser medida pela experiência feita com ameixas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Na década de 80, a empresa lançou dois tipos de ameixa, a pluma 7 e a amarelinha. A segunda era mais doce, mas perdeu na preferência do consumidor para a primeira, que é mais vermelha por fora e por dentro. "Do jeito que o brasileiro gosta", define Bonifácio Nacazu, chefe-geral da Embrapa de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

 
Fotos divulgação
Mangas, amoras, uvas, morangos: show para os olhos e sucesso no comércio

Outra qualidade que os pesquisadores procuram acentuar com suas criações é a durabilidade. Um pêssego comum costuma resistir dois dias na prateleira do supermercado até começar a apodrecer. Para evitar que a fruta fosse para o lixo antes que um consumidor decidisse levá-la para casa, os produtores estavam colhendo-a ainda verde. Resultado: o pêssego perdia em sabor. Os cientistas resolveram esse problema cruzando os de mesa com os cultivados exclusivamente para a produção de conserva, que são mais resistentes porque têm uma polpa mais firme. Com isso, conseguiram-se pêssegos como o eldorado, que resiste cinco ou seis dias na prateleira, é maior e pode ser vendido tanto para consumo in natura como para fabricação de compotas.

Com 34 milhões de toneladas colhidas por ano, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, atrás de China e Índia. A maioria absoluta dessa produção é de variedades encontradas na natureza. O processo de cruzamento também ocorre naturalmente, mas, para chegar às tentadoras variedades que mais interessam ao homem, é preciso induzir esses processos. Isso é muito diferente do cultivo de frutas transgênicas, no qual a carga genética da espécie é alterada em laboratório, introduzindo-se características de outras plantas.

 

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