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Caixinha, 'obligado'

Invasão de orientais enriquece
escolas de futebol brasileiras

Silvia Rogar

Oscar Cabral
Zico em seu centro esportivo no Rio: mais de 500 orientais

O sul-coreano Kwon Hyeok, 16 anos, segue a atual cartilha dos orientais moderninhos: tem cabelos desfiados e clareados à base de água oxigenada, veste-se com roupas coloridas e prefere o futebol ao beisebol. O gosto pelo esporte promoveu uma guinada na vida de Kwon. Financiados por uma siderúrgica, ele e outros catorze meninos coreanos passam por uma espécie de intensivo, de um ano, no Centro de Futebol Zico (CFZ), no Rio de Janeiro. O grupo é o primeiro a permanecer por um período longo sob supervisão do ex-craque, mas não é o único em busca de técnica por aqui. Só pelo CFZ já passaram mais de 500 jovens orientais. Se na década de 80 a onda era importar jogadores e técnicos do Brasil para formar e dirigir equipes no exterior, agora chineses, coreanos e japoneses também pretendem formar futuros craques em gramados brasileiros. Isso vem na carona da popularização do esporte por lá. É um filão que não se esgota em centros de treinamento como o de Zico ou o de Oscar, zagueiro da seleção brasileira na Copa de 82. Grandes times estão investindo na turma do Oriente. O São Paulo já recebeu cerca de 100 jovens da China e do Japão e o Cruzeiro mantém três agentes do outro lado do mundo para captar novos alunos. A empreitada é lucrativa. O sonho de virar craque chega a custar 2.200 dólares por mês.


Rogerio Voltan

Oscar e alunos, com os caçulas Yang e Hyun à frente: direto da Coréia para Águas de Lindóia


Os centros de treinamento funcionam em esquema de concentração. Os meninos acordam e dormem cedo, passam cerca de seis horas em contato com a bola e fazem as refeições nas próprias escolas. No CFZ, há até cozinheira coreana para preparar kimchi, uma conserva de acelga apimentada típica daquele país. Mas em pouco tempo eles acabam se rendendo ao arroz com feijão. O esforço de integração vai além. Ao desembarcar, sem falar português, procuram um nome brasileiro para usar nos treinos. No ano passado, os coreanos Yang Hyun Tak, 8 anos, e Hyun Joon Suk, 9 anos, viraram Júnior e João, respectivamente. Vieram para uma extensa preparação de cinco anos no centro de formação de atletas de Oscar, em Águas de Lindóia, interior de São Paulo. Hyun, ou melhor, João se empenha nos treinos com toda a disciplina oriental. Mas não deixa de ser criança. "Fico com saudade da minha família", reclama.

Quem vem para cá é considerado promissor em sua terra natal. São meninos selecionados por clubes e escolas, ou mesmo pelos pais, que apostam no potencial dos garotos. "Agora eles querem formar as equipes de base para seus times e ter seus próprios craques", diz Zico. Ninguém, no entanto, arrisca um palpite sobre o futuro dos garotos. O diretor de futebol do Cruzeiro, Ricardo Drubscky, acha que falta ginga aos orientais. "A maioria é muito fraca", diz. Aliás, para alguns falta também informação. Maior ídolo? "Zidane", responde Kwon, apontando o francês, sem dribles. Coisas de uma geração que, de tão nova, só tem como referência a última Copa do Mundo, em 1998.

 

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