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Sob o signo de Jader

José Paulo Lacerda/AE
Barbalho: o Congresso perdeu o país de vista

Poucos profissionais recebem tantas críticas quanto os políticos. O cidadão comum os elege para que cuidem do bem-estar da coletividade e, quando não cumprem a tarefa a contento, eles têm de enfrentar a fuzilaria da opinião pública. Fala-se mal do prefeito pelo buraco na rua, critica-se o governador pelo baixo salário do funcionalismo, crucifica-se o deputado pela verba da represa que não saiu. Talvez pelo hábito de tanto ouvir coisas desagradáveis, os políticos tornem-se pouco sensíveis às censuras que recebem. Entre deputados e senadores, é comum a desculpa de que o Congresso é o retrato do Brasil, tanto nas qualidades quanto nos defeitos. Na semana passada, viu-se que não é assim. Com o apoio dos tucanos de FHC, o paraense Jader Barbalho foi escolhido presidente do Senado, recebendo 41 votos dos 81 integrantes da Casa.

No caso do senador Jader Barbalho, que nunca conseguiu dar uma mísera explicação para a formidável fortuna de 30 milhões de reais que amealhou, o que espanta não é sua calma distância no trato com as denúncias. O que chama a atenção é a maneira impassível, olímpica, com que os senadores da República passaram por cima das suspeitas levantadas contra o paraense para transformá-lo no primeiro entre seus pares. O presidente do Senado pode ser para os ilustres colegas um mero gerente de rituais legislativos. Para o Executivo, é possível que não passe de alguém capaz de paralisar ou apressar a tramitação de assuntos de interesse do governo. Mas, para a opinião pública, o presidente do Senado é mais que isso. Ele é, em primeiro lugar, um símbolo. E, até o momento em que recebeu o último voto que o consagraria como presidente do Senado, Jader representava a figura do político profissional que, como mostrou uma recente reportagem de VEJA, não consegue explicar de onde saiu seu patrimônio. Veja reportagem.

 

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